Conheça 71 obras da literatura LGBTQIAPN+ brasileira publicadas por editoras independentes
Obras escritas por autores brasileiros da comunidade LGBTQIAPN+ para você incluir na sua lista de leituras de 2026
Por Kaio Phelipe
Romances, contos e livros de poesia escritos por autoras e autores LGBTQIAPN+ vêm ampliando e renovando o cenário da literatura brasileira fora do circuito comercial tradicional. Publicadas por editoras independentes, essas obras abordam temas como identidade, desejo, corpo, memória, território e resistência, compondo um retrato diverso e pulsante da produção contemporânea. A seleção a seguir reúne 71 títulos de diferentes regiões do país e é um convite para atualizar a lista de leituras de 2026 com narrativas que tensionam normas, expandem imaginários e afirmam outras formas de existir e contar histórias.
1. #Transvivo – Juca Xavier (Editora Nua)
Abordando temas como a disforia, as relações familiares, a relação com a testosterona, o amor e o sexo, Juca nos convida a embarcar em uma viagem cheia de reticências e sem pontos finais, em que a escrita é um processo de reencontro com o próprio corpo.
2. Abafada – Marcela Fassy (Editora Reformatório)
A complexidade da vida de uma mulher bissexual, que enfrenta os desafios de relações familiares e do luto. A obra impressiona não apenas pelo que aborda, mas também pela maneira como é construída.
3. A balada das cigarras – Alma Aiye Dun (Artefato Edições)
A obra versa com diferentes temáticas como o amor romantizado, os traumas de infância, a relação com o interior e a cidade grande, o conflito entre o sagrado e profano e o corpo que não se adequa aos moldes de uma sociedade enclausurada no passado.
4. Amolando o fio da alma – Roberto Muniz Dias (Editora Urutau)
Ramon tinha a fala quebrada e sua identidade estava fragmentada. Quando garoto, tinha o costume de rezar para o seu anjo da guarda, que o visitara dos oito aos catorze anos. Mas, após um crime que envolvia essa divindade, mudou seu rumo, tentando fugir do passado.
5. Amorosidades e pequenas tragédias – Clara Bordinião (Editora Donizela)
Um livro de poemas que constrói uma cartografia íntima dos afetos dissidentes no Brasil contemporâneo. Nestes versos que transitam entre o diário pessoal e o manifesto político, a autora tece a tensão entre o amor como ato revolucionário e as pequenas tragédias cotidianas que assombram corpos marginalizados.
6. As ruas vazias de uma cidade – Apolo Andrade (Editora Folheando)
O eu-lírico perde o medo de habitar o lugar onde vive e passa a detê-lo. Os amores serão vividos, lidos, cantados, dançados e assistidos ao mesmo tempo em que se luta por uma condição melhor e se recorda tudo o que já passou, pois este também é um exercício a favor da existência. Uma nova cidade é desenhada em cima de um espaço que, há um bom tempo, perdeu o sentido e causou medo.
7. Beleléu – Caio Balaio (Editora Cachalote)
Na melhor tradição de autores que bebem do pop para construir uma poética original e rica, Caio Balaio compôs este “Beleléu”. Um livro repleto de humor, sexo e referências literárias que nos faz lembrar do quão deliciosa a experiência da leitura pode ser.
8. Cada roçar temeroso de olhos ou peles – Paulo Narley
Paulo Narley investiga os momentos miúdos e íntimos, em que gênero, sexualidade, performance de si e autoconfiança se manifestam, tão concretos quanto as insistentes vozes em nossas cabeças.
9. Camboa (poesias e outros mistérios) – Anum Costa (Editora Uruau)
A autora conecta memórias, sonhos e identidades não normativas, articulando uma rede global de corpos e subjetividades que desafiam as normas de gênero, sexualidade e linearidade do tempo. Dessa experiência arriscada e sensorial nasce uma poesia que faz do corpo dissidente um gesto de resistência e beleza.
10. Carta a uma paixão simples – Dara Bandeira (Macabéa Edições)
Dara Bandeira elabora discursos amorosos cheios de esperança, vê-se por vezes apaixonada de maneira platônica e também decreta, quando preciso, o fim do amor em relacionamentos tão fugazes quanto intensos.
11. Cartas fora do armário – Fred Itioka (Edições Cândido)
Inspirado por sua própria história com seu pai, o jornalista Fred Itioka entrevistou mais de cem homens gays a respeito de seus relacionamentos com seus pais. A partir disso, convidou esses entrevistados, com origem de diversos países a escreverem cartas imaginárias dizendo tudo o que gostariam de dizer a eles.
12. Cartas para Luísa – Maria Freitas (Se Liga Editorial)
Romance epistolar dramático e sensível centrado na história de amor e autodescoberta de uma jovem chamada Rafaela. A obra é contada através das cartas que ela escreve para Luísa, sua melhor amiga por quem se apaixonou durante a adolescência.
13. Catálogo de acasos – Franck Santos (Editora 7 Letras)
Franck Santos nos convida a percorrer os desvios e imprevisibilidades da linguagem, da vida e da memória. Com um olhar atento para o detalhe que escapa, o autor recolhe fragmentos de múltiplas realidades, experiências, lembranças e leituras, e as reorganiza sob uma perspectiva única: a do poeta-leitor, aquele que se lança ao mundo como quem decifra signos secretos na poeira dos dias.
14. Cobra rasteira: Mitologia de uma transição de gênero – Kaya Adu (Editora Nua)
Kaya Adu propõe um percurso poético-mitológico, a partir da imagem do ouroboros, para sua própria transição de gênero. Trata-se de construções verbo-visuais que dão ritmo cênico ao descascar da pele de cobra e ao que dela pode nascer.
15. Coisa feita: Dois preto apaixonado na cama – Jordan (Editora Reformatório)
Coletânea de poemas que celebra relações afetivas e eróticas entre homens pretos, atravessando diferentes períodos históricos, questionando estereótipos e propondo uma perspectiva sensível sobre cuidado e resistência.
16. Com mãos atadas e como quem pisa em ovos – Esteban Rodrigues (Editora Paralelo 13S)
Esteban traça temas de identidade nos nossos tempos com uma linguagem delicada e marcante que dialoga com as subjetividades do eu lírico e com o mundo.
17. Contos atípicos – Larissa Azevedo (Editora Mondru)
O texto apresenta uma coleção de contos e poemas que exploram temas existenciais. As narrativas são frequentemente carregadas de melancolia e introspecção, revelando personagens em conflito consigo mesmos e com o mundo ao seu redor.
18. Contos transantropológicos – Atena Beauvoir (Editora Taverna)
Atena Beauvoir narra histórias de violência sofridas por personagens que não se reconhecem em seus corpos. Rompendo com os conceitos de gênero e binarismo, Atena nos brinda com um livro que questiona a construção das nossas próprias identidades. E vai além: um outro mundo é possível, mais humano, com respeito, liberdade e direitos iguais para todas as pessoas.
19. Dark room – Rafael Gurgel (Editora Escaleras)
Romance que acompanha um narrador jovem e gay em sua busca por afeto e identidade, marcada por uma relação com um homem mais velho. A narrativa explora desejo, intimidade e os impactos emocionais de vínculos afetivos complexos no contexto queer.
20. Dentes brancos, mandíbulas presas – João Victtor Gomes Varjão (Editora Urutau)
Coleção de poemas intensos que exploram os amores, impulsos, angústias, dores e violências, oferecendo um olhar sensível sobre o que também nos constitui como seres humanos.
21. Eles – Vagner Amaro
Os contos têm uma dicção urbana, antenada com as questões que estão pulsando na agenda de discussões públicas, tanto no ambiente acadêmico quanto nas redes sociais. Vagner trata, de modo pungente, da violência, do racismo, do machismo, do conservadorismo, da classe média, da homofobia, da masculinidade tóxica que não deixa as pessoas (homens e mulheres) viveram as suas vidas de modo pleno e livre.
22. Em nossa cidade amarelinha era sapata – Marina Monteiro
O livro reúne dezoito histórias breves centradas em personagens lésbicas e bissexuais. As narrativas exploram o cotidiano das relações entre mulheres no espaço urbano, abordando temas como medos, dúvidas e a busca pela identidade
23. Encantaria: Contos afrolésbicos – Jhô Ambrósia (Editora Malê)
O foco da obra é um tema universal: a relação e suas chances de sobrevivência. Todas as referências concentram-se no mundo das emoções; as narrativas demostram uma concentração feroz no estado sentimental de cada mulher ignorando tudo que não alimenta este propósito.
23. Erótica: Versos lésbicos – várias autoras (Editora Tucum)
A coletânea reúne oitenta poesias de mulheres lésbicas e bissexuais de todo o Brasil. Trata-se de um panorama do que se tem feito de poesia erótica sapatão nesse momento, com autoras de todas as regiões do Brasil e com diversas marcações de identidade.
25. Escobar – Márwio Câmara (Editora Moinhos)
Após a trágica morte de um amigo, Escobar, o narrador que dá nome ao primeiro romance do jornalista Márwio Câmara, resolve escrever alguns fatos que marcaram seus últimos meses. Dentro desse processo de expurgação terapêutica, o professor de Literatura revive uma série de questões de seio amoroso, sexual e familiar, que perscrutará toda a engenharia labiríntica da trama.
26. Escuiresendo: Ontografias poéticas – abigail Campos Leal (Editora O sexo da palavra)
Dividido em quatro partes, as poesias de abigail nos convidam a passear por este mundo repleto de transformações e reconstruções com a linguagem urbana sempre de fundo.
27. E se Deus fosse Deusa? – Sabine Mendes Moura (Editora Luva)
O que aconteceria se você decidisse publicar autores nacionais e viver disso? Amanda descobriu, do jeito difícil. Perdeu tudo, foi morar de favor com a Cris e, ainda que a Cris seja gata, Amanda já nem sabe mais como encarar sua sexualidade. Restaram ela, os livros e um Deus de quem desconfia.
28. Estranho seria se você soubesse – Aramyz (Editora Laranja Original)
Das ruas e lares das periferias, ouvimos os gritos de gays, lésbicas, travestis, homens e mulheres trans, algumas vezes por suas vozes e em outras através de seus algozes.
29. Estudos transviades: Masculinidades outras – vários autores (Editora O Sexo da Palavra)
Nesta obra, estão presentes diversas produções de corpos transmasculinos que trazem suas próprias experiências e narrativas, construindo uma pluralidade de vivências transmasculinas singulares.
30. Experiências sobre editar um corpo – Féres Féres (Editora Garupa)
A obra apresenta um paralelo entre o processo histórico de edição dos corpos humanos e os processos característicos da edição de um livro. Para deixar claro que um livro é um objeto construído e que também os corpos são construídos coletiva e individualmente, o livro usa diversas estratégias antirreducionistas. E, entre elas, merece destaque sua aversão aos rótulos.
31. Faz a curva, paixão – Ravel Machado (Editora Urutau)
Livro de poemas que acompanha vivências marcadas pelo deslocamento e pela invenção de outras formas de existir e amar. A obra percorre cenas do cotidiano e da memória para afirmar o movimento, o desejo e a resistência de corpos que escapam às normas.
32. Fogo em minha pele: Fire on my skin – Gabe L. Alódio (Editora Viseu)
Os temas transição de gênero, instabilidade mental, solidão, abandono, sexo, morte, se apaixonar e a ânsia constante pelo oceano como metáfora para deus são presentes na poesia da autora — mulher transgênero aos seus vinte-e-poucos — que viu o seu corpo mudar dia após dia enquanto a sociedade, as relações e as emoções que a permeavam mudavam também.
33. Generalidades ou passarinho loque esse – JoMaka (Editora Impressões de Minas)
O livro conta a história de um poeta que começa a receber cartas e a responder vozes que falam de várias maneiras e por muitos meios, muitas vezes em prosa, outras em verso, algumas respostas a perguntas impostas e agressivas e também a perguntas que nem sabemos se foram feitas. Às vezes chegam pelo correio, envelopadas em cartas assinadas, outras não, muitas parecem continuar um assunto que não havia sido começado. O fato é que dentro de todas as variantes do estado de ser, há uma ordenação, uma narrativa que apresenta um processo de grande mudança, o anúncio de uma metamorfose.
34. História natural da febre – Matheus Guménin Barreto (Editora Corsário-Satã)
Quarto livro do poeta e tradutor mato-grossense Matheus Guménin Barreto. Com um amplo repertório de referências, o poeta trata com sensibilidade e domínio o corpo e seus anseios.
35. Homem com homem: Poesia homoerótica brasileira no século XII – Organização de Ricardo Domeneck (Editora Ercolano)
Antologia organizada pelo escritor Ricardo Domeneck reúne versos de alguns dos principais autores homoeróticos brasileiros do século XXI.
36. Inunda-me – Everton Rocha (edição do autor)
Uma história de amor atravessada pela tragédia em Mariana. A obra traz uma abordagem poética e não linear, desafiando os leitores a viverem aqueles sentimentos junto com as personagens.
37. Lugar comum – Mariana Paim (Editora Urutau)
Livro de poemas que explora o amor, relações, tecnologia e a experiência cotidiana com uma voz poética firme, abordando temas como afetos e a desconstrução da lesbofobia através de poemas que exploram o “não” e a presença do outro
38. Mangue – Moises Alves (Martelo Casa Editorial)
O livro aborda as formas de viver, pensar e amar produzidas pela comunidade do Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, nas décadas de 1970 e 1980, vistas pelo olhar do escritor, filho e neto das personagens que atravessam os poemas que compõem a obra.
39. Máquina – Eleazar Carrias (Editora Urutau)
A obra reúne poemas que investigam identidade, memória e a relação entre linguagem e experiência, ao mesmo tempo em que dialoga com diferentes tensões do presente e questiona automatismos.
40. Mariconas – Euler Lopes (Editora Caos & Letras)
O livro traz a história do trio de amigues Ira, Gil e Erê. Ambientada em Aracaju, no Sergipe, a narrativa alterna as vozes das três personagens. Cada uma delas vive um dilema que se relaciona com o envelhecimento e a solidão que perpassa a vida gay masculina em sua faixa etária.
41. Meus pais e eu – Deco Lipe (Se Liga Editorial)
A obra narra a história de vida de Ana Clara, uma menina que, após ser abandonada, ganha uma nova família e um novo começo. A trama explora temas de amor, família e luta por identidade, oferecendo uma visão positiva e inspiradora sobre a vida.
42. Nada permanece nunca – Jozias Benedicto (Editora Caravana)
O livro é composto por quatorze contos que se entrelaçam como peças de um quebra-cabeça, com personagens que transitam entre os diversos enredos e os variados cenários da cidade, em meio a referências à literatura, à história e às páginas de jornais sobre crimes e mistérios.
43. Não gire o disco ao contrário – Thiago Hanney
Ivam é um professor prestes a concluir sua tese de Doutorado. Após ser demitido da escola em que trabalha, ele recebe a notícia da morte de sua avó. O retorno para a cidade em que foi criado o faz conhecer Dagmar, um tio distante que trabalha como transformista em São Paulo.
44. Não nasci sabendo – Aline Zouvi (Selo Harvi)
Conjunto de reflexões sobre a descoberta tardia da homossexualidade – se é possível medir tal “atraso”. A partir de experiências pessoais, a autora procura tratar, com leveza, questões relacionadas à heterossexualidade compulsória e ao que faz muitas pessoas LGBTQIAPN+ demorarem para viver uma vida plena.
45. Não te esqueças – Zé Guilherme (Artefato Edições)
Livro de contos que explora a montanha-russa da vida amorosa. Com indicações contemporâneas de diálogos e sugestões de músicas para embalar a leitura, as histórias mostram como nossas paixões e desejos estão sempre se transformando, assim como as pessoas com quem nos relacionamos.
46. Néctar 44 – Aline Miranda (Editora Urutau)
O livro apresenta a poesia de Aline Miranda como um universo plural de mulheres, desejos e afetos, onde o feminino é força criadora, sensível e transformadora. Sua escrita transita entre o cotidiano e o cósmico, o corpo e a natureza, revelando beleza tanto nas delicadezas quanto nas durezas da existência.
47. Nos trópicos, o coração corta facas – Guilherme Mateus (edição do autor)
Forma de expressão pessoal e artística, onde o autor utiliza a poesia para desafiar a ordem e a lógica, permitindo que o leitor se conecte de forma profunda. É nas potências afetivas, nos sentimentos polarizados do amor e da raiva, separados ou aproximados pela linha imaginária da saudade, que surge a obra de Guilherme.
48. Nunca mais voltei – Alexandre Willer
Nos contos que compõe este livro, Alexandre Willer traz personagens LGBTQIA+ lidando com o amor, solidão, sexo, perda, desejo e outros sentimentos que extrapolam a questão da identidade de gênero ou orientação sexual sem desfazer dos mesmos.
49. O casamento de Maurício – Rafael Tavares Costa (Editora Mondru)
Marcelo, depois de dez anos longe da família, volta à sua pequena cidade natal no interior de Minas Gerais para o casamento do irmão Maurício. Nesta visita, ele terá que enfrentar os fantasmas de seu passado, marcado pela descoberta de sua sexualidade e um segredo terrível que o persegue desde a adolescência.
50. O limiar das fendas – Douglas Laurindo (Editora Urutau)
A obra explora a violência erótica e a subjetivação colonizadora dos corpos e mentes. Douglas, através de seus poemas, revela a luta pela identidade e a resistência contra as opressões, e desafia as convenções morais e religiosas, refletindo sobre as experiências da comunidade LGBTQIAPN+.
51. O silêncio que a chuva traz – Marlon Souza
O silêncio que a chuva traz é a história de João, um jovem negro e gay que convive com o pai homofóbico, agressor e abusivo. João precisa lidar com os constantes abusos do pai. Ao conhecer Akin e receber seu afeto, entra em um processo de liberdade:
52. O suor que sucede a febre – Felipe Ribeiro (Edições Cândido)
A obra se tornou em si mesma um prenúncio. Escrita ao longo de cinco anos, estava pronta para seu lançamento no início de 2020 quando veio a pandemia. De modo que no decorrer de três atos, como numa obra teatral, o poeta Felipe Ribeiro extrapola os limites do corpo e de suas febres: a febre da luta, a febre da alma, a febre do corpo.
53. Pai de menino – Felipe Gomes (Editora Patuá)
O livro aborda temas como sexualidade e relação entre pai e filho. Dividido em quatro partes: nasce, cresce, morre e reproduz, e apresenta vinte e quatro poemas que refletem a experiência de um homem gay.
54. Pernalonga: Uma sinfonia inacabada – Márcio Bastos (Cepe Editora)
Antonio Roberto de Lira França foi um rapaz pobre de um bairro periférico de Olinda que enfrentou a rejeição da sociedade de sua época por conta de sua orientação sexual. Foi também uma estrela do teatro, um símbolo de irreverência e uma figura de forte atuação social. Mais conhecido como Pernalonga, sua trajetória se confunde com a do coletivo cênico Vivencial, e é contada aqui por Márcio Bastos.
55. Poemas de partida e de chegada – Diego Gregório (edição do autor)
Um mergulho nas profundezas do amor, do abandono e das relações humanas. O autor revisita momentos nos convidando a participar deles através de sessenta e seis poemas.
56. Quase verão – Renan Sukevicius (Editora Diadorim)
A obra traz dezesseis contos que narram histórias de gente adultescendo. São crianças, adolescentes e jovens olhando para trás e se dando conta de momentos que mudaram suas vidas completamente, atravessadas por questões de masculinidade, vulneralibidades e relações familiares.
57. Sábado – Marcio Junqueira (Editora Riacho)
A obra reflete sobre tempo, amor e memória usando uma linguagem concisa e visual para transformar o ordinário da vivência queer em experiência poética.
58. Santificado seja vosso homem – Luís Gustavo Rocha (Editora Metanoia)
Eduardo é o nome por trás da longa carta que Demétrio constrói para destruir o desejo que sente por um homem que não está mais ao seu redor. Ou sequer existiu.
59. Santíssimo – Rafael Amorim (Editora Urutau)
Um convite a tramar um plano por cima dos mapas e das cartografias impostas aos caminhos diários. Nele, a geografia dos afetos é redescoberta: bichas no transporte coletivo, pintando o rosto para a guerra ou nas páginas de um livro esquecido da sétima série. Sobre amar desesperadamente o corpo do outro, em devoção sa(n)grada.
60. Só as paredes sabem – Giu F. Ferreira (Se Liga Editorial)
Depois que sua mãe é internada em um hospital por problemas de saúde, Ana Cecília é levada pelos seus avós a um colégio interno no interior. Lá, ela divide o quarto com Conceição, uma menina de hábitos estranhos e que estabelece três regras: as cortinas do quarto devem ficar sempre fechadas, a porta nunca deve ser aberta e não faça perguntas — especialmente sobre o que ela faz em suas escapadas do dormitório de madrugada.
61. Sol forte na pele – Marcos Samuel Costa (Editora Folheando)
A obra é composta por breves narrativas que tematizam relações homoafetivas, amor e sexo. Porém, mais do que isso, transita entre solidão, depressão e desejo. Nesse livro há muito sentido e sentimento, muito sol e calor, sexo e a vontade de se sentir real.
62. Superstar – Pedro Minet (Editora Patuá)
Um menino é convidado para ser muso de um escultor famoso, um jovem sugar baby vaga por uma noite soturna em Búzios enquanto espera seu amante chegar, um ex-garoto de programa falido reencontra um cliente antigo e descobre que pode estar envolvido em atrocidades inimagináveis. Nesse labirinto de espelhos de meninos desejados e dissociados, a tentação de se perder nas imagens projetadas sobre si é onisciente, onipresente.
63. Tempo-abstrato – Amanda Pickler (Se Liga Editorial)
Uma história de amor, que tem como pano de fundo a crescente polarização e onda conservadora no cenário político brasileiro ao longo dos anos. Uma reflexão sobre os embates geracionais, a vida e a morte, a abstração do tempo e sua imprevisibilidade.
64. Tijolos cimentados da cidade rachada – Thiago Oliveira (Editora Patuá)
O autor revela como algumas masculinidades são moldadas e frequentemente distorcidas pelas circunstâncias da vida na cidade. Os personagens lidam com questões como a violência, a desigualdade social e as expectativas de gênero, refletindo sobre suas identidades e relações interpessoais. Os contos costurados com pano de fundo dos subúrbios do Rio vão levar o leitor aos dissabores e prazeres de viver nessa cidade partida.
65. Todos nós sonhávamos em ser Carmen Miranda – Kaio Phelipe (Editora Impressões de Minas)
A obra marca a segunda incursão do autor pelo universo de contos e, assim como em seu primeiro livro, temos uma cena dissidente de corpos que reivindicam novos modos de ser, sentir e estar no mundo.
66. TransCorpoÉtico: Poesia erótica trans preta – Tiely (Editora Ciclo Contínuo)
Poesia erótica, focada nas experiências e na visão de mundo de pessoas trans e negras. Compila mais de 30 poesias, com um projeto gráfico que inclui fotos e imagens
67. Transpirar anzóis em vastos desertos – Maria Clara Aquino (Editora Urutau)
Ao misturar ficção e fragmentos autobiográficos em seu primeiro texto em prosa, marcado também pela influência do pensamento pós-colonial na literatura, a autora faz um convite imersivo à vida e intimidade de personagens dissidentes que, além de rasurarem a norma, encontram no amor entre iguais o apoio necessário para afastar a lâmina que parece ferir todas as manhãs.
68. Uirapuru – Febraro de Oliveira
Romance de estreia do escritor sul-mato-grossense Febraro de Oliveira, é um livro em labaredas. Nelas, e por meio delas, o protagonista Léo evoca a memória, o afeto e o imaginário em busca de sua origem. Nascido de uma ocupação, Léo tenta compreender na vida, na sexualidade, no amor, na linguagem a ideias de pertencimento e solidão.
69. Uma tragédia latino-sertaneja – Fellipe Fernandes F. Cardoso (Editora Urutau)
Fim dos anos 1990, no coração empoeirado de Goiás, Miguel, um peão silenciado pelo desejo e pela exclusão, encontra refúgio no bordel Mão Amiga. Mas a chegada de Ernesto, um agrônomo mexicano, abala as fundações de sua existência e expõe as feridas de uma terra marcada por violência, hipocrisia e paixão.
70. Vocação para naufrágios – Karina Ripoli (Editora Patuá)
A autora aborda temáticas como saúde mental, o peso de expectativas alheias, feminismo e amor a partir do conceito do naufrágio, convidando quem lê a mergulhar entre um universo fantástico repleto de criaturas mitológicas e a banalidade angustiante da vida cotidiana.
71. Você esqueceu uma coisa aqui – Rafael Mantovani (Edições Macondo)
A poesia como recolha de um cotidiano marcado pelas interferências do contemporâneo: atores pornôs, e-mails compridos demais, fotografias que nunca serão reveladas. Os encontros e as perdas a partir deles criam imagens fortes, potentes, que, mesmo a partir de um sujeito perdido e multifacetado, ainda produzem ressonâncias entre o poético e o biográfico.


