Foto: Arquivo pessoal

Por Iago Campos

Estamos vivendo um momento em que se apresenta talvez a maior encruzilhada histórica que todas as gerações vivas atualmente já tenham passado. Diante de uma crise sanitária de proporções mundiais, causada por um maldito vírus que se alastra com uma rapidez assustadora e cujos medicamentos e vacinas ainda não foram encontrados. No Brasil essa situação é agravada por um governo que se apoderou do maior instrumento que teríamos pra combater o vírus e defender a vida das pessoas, o estado nacional, e tem feito dele uma ferramenta de propaganda ideológica anti-democrática e anti-científica que não só se isenta do combate como contribui para a disseminação do vírus.

Isso colocou nossa população diante de um impasse. Todas as manifestações virtuais, notas, manifestos, unidades, não foram suficientes para que alguma importância fosse dada à vida do nosso povo. Pelo contrário, Bolsonaro resolveu, justo nesse momento de crise, investir nas ruas sem nenhuma preocupação com recomendações de autoridades médicas e para pautar justamente o ataque às instituições democráticas.

Não estamos diante de uma ofensiva retórica ou trivial. Não é um mero detalhe o Presidente da República falar em uso pontual do Artigo 142 da Constituição e o Procurador Geral da República se referir às forças armadas como um poder moderador. Não é normal vermos cotidianamente, além das milhares de mortes pelo vírus, os assassinatos a crianças, jovens e trabalhadores negros fruto da violência policial e do racismo.

Portanto, a reação das pessoas ao irem às ruas é legítima e representa uma completa indignação diante da falta de resolução dessas questões e do avanço autoritário, sabemos que esse não é o momento ideal, mas a responsabilidade sobre a necessidade de ocuparmos as ruas, num momento tão adverso, deve recair totalmente sobre Bolsonaro. Nós, estudantes, representados pela UNE, sempre tivemos as ruas como palco central das nossas lutas, e portanto não podemos negar nossa presença, sobretudo para mostrar que o bolsonarismo e o fascismo não são os donos das ruas.

É nesse sentido que participarei do ato no Domingo em conjunto com grupos de estudantes, que estejam fora do grupo de risco e em condições de segurança para si e para pessoas próximas, para que possamos contribuir com essa luta e inclusive ajudar as pessoas que estarão ali a garantirem sua segurança. Estaremos a disposição, organizando brigadas de saúde, de assistência jurídica e também uma vigilância permanente para evitar infiltrados e resguardar a segurança dos manifestantes.

É o que, infelizmente, a necessidade do momento impõe, para que possamos colocar um basta no fascismo e no descaso com a vida dos brasileiros.

Iago Montalvão Campos é presidente da União Nacional dos Estudantes

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Juca Ferreira

A morte não pode governar o Brasil!

André Barros

Vetos genocidas do Bolsonaro

Boaventura de Sousa Santos

A universidade pós-pandêmica

Juan Manuel P. Domínguez

“O lugar do artista é na luta”. Diálogos de quarentena com Rael

Renata Souza

Stonewall Inn.: orgulhar-se é transgredir

Colunista NINJA

E se quisermos comer milho não transgênico? Por uma alimentação soberana

Boaventura de Sousa Santos

Os jogos da Direita: a TAP

Daniel Zen

Reaparições e coincidências

Jandira Feghali

Diga-me o que vetas...

afrolatinas

Contato com meu “Eu”

Colunista NINJA

O vírus e as trabalhadoras sexuais na Guaicurus, em Belo Horizonte

Juan Manuel P. Domínguez

"O DJ é um dos elementos pilares da cultura Hip Hop". Diálogos de quarentena com DJ Erick Jay

Randolfe Rodrigues

O Brasil que queremos no pós-pandemia

Jussara Basso

A cultura na periferia em tempos sombrios

Juan Manuel P. Domínguez

O demônio branco esteve infiltrado nos protestos pela morte de George Floyd