200 Anos da Independência e 100 Anos do Rádio, será? Se Minas são muitas, BH é e foi isso tudo, imagine o Brasil! Existem evidências que o padre cientista brasileiro Roberto Landell de Moura
Foi o verdadeiro inventor do Rádio, mas Marconi patenteou primeiro.
“Toquem o Hino Nacional!”, essas foram as primeiras palavras que Landell disse em sua primeira demonstração pública de transmissão de rádio, na cidade de São Paulo, em 16 de julho de 1899,
passaram-se 123 anos. No dia 6 de abril de 1919 foi fundada a Rádio Clube de Recife, nossa primeira experiência no Rádio. Quais foram as histórias, na década de 50, da TV Roquete Pinto, da TV Nacional e dos impedimentos de outros veículos públicos brasileiros?

Por José Guilherme Castro

Belo Horizonte tem uma história bonita e reconhecida com o áudio, os sons da oralidade brasileira. Em Minas, o Brasil se encontra, somos a terra dos Mil Tons, na música e na surpreendente história do Rádio. Costumo falar que BH é a Capital da Ousadia na Radiodifusão. Especialmente na pública.

A pioneira de Minas foi a Rádio Sociedade AM, de Juiz de Fora, em 1926. Na capital, foi a Rádio Mineira AM, de 1927; em 1936, veio a Rádio Inconfidência AM 880, “O Gigante no AR”, que leva as vozes, a música e sons de Minas para o Mundo. A Rádio Inconfidência AM ocupa uma faixa exclusiva, só para ela, além dos possantes transmissores, e, por isso, pega em todo lugar.

Com a digitalização, estamos vivendo uma mudança de paradigma do Rádio, da comunicação e até da vida. A segunda metade do século passado foi marcada pela revolução dos transistores, quando o mundo começou a ficar mais portátil. Você lembra do radinho de pilha e do som limpo e estéreo do FM? É justamente aí que BH se torna o fenômeno.

A Rádio Del Rey, 98,3 FM, primeira estação de rádio FM estéreo da América Latina, entrou no ar no dia 12 de junho de 1969, na Vila Antena, Aglomerado da Serra, Serra do Curral. Cerca de dez anos depois, surgem duas grandes preciosidades: a Rádio Inconfidência FM, nossa “Brasileiríssima”, maior referência nacional de veículo que toca, só e somente só, a boa música brasileira, e, na mesma época, entra no ar a legendária Rádio Favela FM – A AUTÊNTICA POPULAR DA GRANDE BH, na Vila Fátima, Aglomerado da Serra, na Serra do Curral, que se tornou “A Voz Do Morro Para O Mundo”.

“Uma das maiores conquistas da democratização da informação”

“A Rádio Favela tem sua importância apoiada principalmente no fato de trabalhar na condição de emissora popular. Considero essa iniciativa como uma das maiores conquistas da democratização da informação na nossa cidade, nosso estado e até mesmo no nosso país. Para mim, a Rádio Favela é a própria expressão de como o pensamento é livre e de como a informação deve ser livre”. O depoimento acima foi feito pelo Dr. Célio de Castro – Prefeito de Belo Horizonte, para a defesa judicial do Misael e da Favela FM no processo resultante de uma ação repressiva no Morro, que envolveu, segundo os jornais O Tempo, 800 homens e Diário da Tarde, 797 homens das polícias federal, civil e militar, que invadiram o Aglomerado da Serra, em 7 de outubro de 1997 e levaram Misael para os porões da Polícia Federal, embora, ao final, não tenha sido condenado. São Sinais de Rádios populares na Era FHC. A partir de 2004, milhares de comunicadores populares foram detidos, como Misael, mas a partir daí, passaram a ser condenados como o Lula foi, a penas de dois anos. Essas penas acabavam sendo revertidas em prestação de serviço, na triste perda da primária, na proibição de viagens sem permissão e na obrigação de terem que se apresentar sistematicamente à injustiça federal, durante o período da pena, além de todo constrangimento familiar, na vizinhança e no trabalho, tinha também que carregar o estigma de “preso” pela Federal e “condenado” pelo judiciário.”

Em 2002, o cineasta Helvécio Ratton lança o longa “Uma Onda no Ar”, ficção baseada na trajetória da Rádio Favela FM, que se torna a mais importante produção audiovisual mundial abordando as rádios populares. O Filme participou de mais de 60 festivais internacionais e contribuiu para consolidar a Favela FM como a maior conquista do rádio popular mundial. As Rádios FMs Del Rey, Inconfidência e Favela, nasceram na ditadura e até hoje continuam [NO AR]. As três podem ser sintonizadas em dezenas de cidades da Grande BH e via internet.

No final, são as pessoas que decidem e fazem acontecer!

A história é comprida, até porque, quem fez e faz as emissoras é a força de trabalho de quem esteve e está por trás delas, e, muitas vezes, nem aparece. Já pensou essa história e o Bazar Maravilha, há 35 anos [NO AR], sem o Tutti Maravilha, Zé Lú, Flávio Henrique Silveira, Toscano e mais um tanto de gente? Em 2014, eu era diretor de carnaval da Escola de Samba Cidade Jardim, quando ela cantou e desfilou: “Tutti Maravilha, Nós sambamos Por Você”.

No Brasil, provavelmente, Misael Avelino e a Favela FM devem ser os únicos representantes, ainda na ativa, do primeiro movimento das Rádios de Baixa Potência, as Rádios FM, talvez também os únicos no mundo. Misael e a Favela FM são do tempo das Rádios Livres, das lutas do jornalista Léo Tomaz, da Rádio Reversão de SP, do nosso querido amigo Chico Lobo, aquele que foi o maior ativista das Rádios Livres e Comunitárias no Brasil. São contemporâneos da Rádio Alice da Itália, do Félix Guattari e suas “Revoluções Moleculares”. Eles são do final dos anos 70.

Faz muito tempo que a programadora musical, Maria Lúcia Carneiro, da Inconfidência FM, uma das maiores conhecedoras do repertório musical nacional, é a mais querida das minhas vizinhas de rua. Ela, com seus elegantes e dispostos 83 anos de idade, continua ativa e na ativa. Em plena maturidade, a Lucinha é o símbolo maior da resistência dos trabalhadores da Rádio Inconfidência contra o seu sucateamento. O governador Zema quer transformar a rádio INCONFIDÊNCIA, a TV MINAS e a sala MINAS GERAIS em privadas.

Lúcia Carneiro, há um bom tempo, vem segurando mais de 25% da programação musical da Rádio Inconfidência. Ela assina a programação musical dos programas “MPB Em Revista”, das 12 às 14 horas, de segunda a sexta. Além disso, diariamente, das 24h às 5 da madrugada, a Rádio tem reprisado alguns dos milhares “Memória Nacional”, programas que ela já fez e que muitas vezes foram a agradável companhia de muita gente na madrugada. Minas e o Brasil, de coração, agradece à Lúcia Carneiro. O Kiko Ferreira, o nosso principal crítico de música é fã da Lucinha.

BH Capital da Ousadia dos Libertários no AR

A Rádio Favela foi um dos fenômenos das rádios FM de BH, mas também o fenômeno do fenômeno das Rádios Livres, Comunitárias e Populares do Brasil e até do Mundo. Ela foi tudo isso porque ela está em BH. Entre outras, uma das vantagens relativas que só nós de BH, tivemos na comunicação, foi o fato de termos como conterrâneos, entre tantos outros e tantas outras: o genial e mestre de todos nós Guy de Almeida, o jornalista, ex-presidente da Fenaj e muitas vezes o escudo dos comunicadores populares, Peninha/Luis Carlos Bernardes, o multi-militante, pedagogo, técnico em telecomunicações e eletrônica Iusifith Chafith Felipe, as jornalistas e professoras Regina Mota/UFMG e Sandra Freitas/Católica, da antropóloga Júnia Torres/ Filmes de Quintal e do Fórum DOC, além do Doutor Prefeito Célio de Castro, pessoas emblemáticas, audaciosas e que tinham coragem de ser feliz.

Dr. Célio teve papel determinante nas conquistas e no sucesso alcançado pela Rádio Favela 106,7 FM e na transformação da cidade na Capital da Ousadia dos Libertários no AR. O espectro, sempre foi proibido para a classe trabalhadora, mesmo sendo uma das riquezas mais abundantes do Brasil. Instalamos mais de 40 Rádios [NO AR] em BH e ainda sobrou espaço no DIAL. No mundo digital o espectro é ainda mais amplo: será ainda mais subutilizado, continuará sendo negado para a sociedade?

As 31 Rádios abaixo realizaram a cobertura coletiva do I Fórum Social Brasileiro FSBnov2003, quando construímos, em BH, a revolucionária Casa Macunaíma – Sinais de Outra Comunicação. A Casa ofereceu várias possibilidades de vivência e de fazer comunicação colaborativa impressa, no rádio, TV, vídeo, do mundo virtual e da luta pela democratização da comunicação. Na ocasião o professor Wemerson de Amorim, idealizador das Portas Pedagógicas Digitais da Rádio FaE/UFMG e um dos seus alunos de extensão, Dinei Leocádio, presidente da Rádio União 90,1FM e da ABRAÇO BH – Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária, possibilitaram e comandaram os primeiros passos da Rede ABRAÇO de Rádios BH, Minas e Brasil.

Participaram formalmente as seguintes emissoras: Brasil 87,9FM e Taquaril 102,7FM, que conquistaram as suas outorgas e estão NO AR, Constelação 105,7FM, que, mesmo sendo a emissora mais organizada que conheci, produzida e dirigida por pessoas com deficiência, especialmente, visual, não conquistou a concessão (Assista o documentário: “Levante Sua Voz”, mas tem que assistir até o final). História que se repetiu com a São Tarcísio 88,3FM, Lagoinha 88,5FM, Univida 89,1FM, Acertei No Dial 89,9FM, Satélite 90,3FM, Pampulha 90,9FM, Máximo 91,1FM, Sucesso 91,3FM, Estrela da Manhã 92,3FM, Dimensão 92,5FM, Espaço Aberto 93,5FM, SP 93,5FM, Dinâmica 94,5FM, Felicidade 96,1FM, Digital 97,5FM, Impacto 97,7FM, TOP 97,7FM, Popular 98,7FM, Noroeste 98,9FM, Fusão Real 99,5FM, Alternativa 99,5FM, Expresso 101,7FM, Castanheira 103,5FM, Mania 104,7FM, Ritmo 104,7FM e Ativa 107,9FM.

A maioria destas rádios estavam localizadas em vilas, favelas e outras quebradas. O Dr. Célio de Castro fez pelas rádios, no século passado, coisas que, até hoje, nenhum outro governante teve coragem de fazer no Brasil. Ele tinha uma relação com as Rádios populares, semelhante à que Lula tem com os nossos irmãos Catadores de Recicláveis. No velório do Dr. Célio, o vice-presidente José de Alencar disse: “Digo aqui para vocês: ele não foi candidato a vice-presidente da República do presidente Lula, porque adoeceu antes. Eu acredito que era a vontade de Lula convidá-lo, como o mineiro mais ilustre”.

Em resposta à ousadia e aos sinais da Casa Macunaíma, 10 meses depois, aconteceu a Operação Capitão Gancho, realizada pela Polícia Federal, mas provocada por forças ocultas e pela Anatel, que na época era presidida pelo companheiro telefônico, sindicalista, cutista, petista e nosso conterrâneo, Pedro Jaime Ziller.

Em pouco tempo, mais de 50% dos alunos de extensão do Professor Wemerson de Amorim, estavam condenados. As aulas passaram a ser os acompanhamentos dos alunos nos inquéritos e processos nas dependências da Polícia Federal e tribunais de Justiça federal.

Ao invés de potencializar a vigorosa, saudável e transformadora comunicação popular, decidiu-se pela busca do seu extermínio. Era intolerável o crescimento da força daquele movimento. Começou a surgir TCCs (Trabalhos de Conclusão de Curso) e algumas teses de mestrado sobre o fenômeno das Rádios Comunitárias, quando construímos a Casa Macunaíma e estruturamos a Rede ABRAÇO de Rádios. O coronelismo eletrônico e para quem ele serve, não gostou. Veja, em 2004, o nosso entusiasmo e algumas de nossas estratégias, assista TeveLição, onde, em 5 minutos, eu ensino a montar uma TV.

O grau de tensionamento pode ser visto, através do documentário “Democratização FM”, de Lucas Krauus: são 7 capítulos, no YouTube, de cerca de 10 minutos cada, onde ele retrata com rigor esse momento de profunda repressão, em tempos em que o Brasil vivia um show da democracia. Outro documentário é o “Levante Sua Voz”, realizado para a primeira e única conferência de comunicação, a I CONFECOM, realizada 10 meses antes da eleição de Dilma em 2010. Os dois documentários estão no YouTube.

Pela primeira vez, a repressão coletiva foi realizada contra as Rádios Populares, no dia dos 29 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog pela ditadura. Dessa vez, acobertada pela lei e a sol a pino, a Polícia Federal agiu com os suportes das polícias Civil e Militar. A Operação Capitão Gancho calou 17 emissoras populares simultaneamente. Sequestrou todos os equipamentos e, depois, a injustiça federal condenou os comunicadores populares… Um dos combustíveis da operação Capitão Gancho, era a “possibilidade” das emissoras comunitárias interferirem e derrubarem avião – fake é coisa velha, é da antiguidade. Link da nota da Rede ABRAÇO de Rádios, na época.

Estação do Conhecimento

A 104,5 FM, antiga frequência da Rádio Favela, voltou a ser ocupada. Em 2005, Belo Horizonte é presenteada com a Rádio UFMG 104,5FM, a Estação do Conhecimento. Faz anos que o programa “Pensar A Educação, Pensar O Brasil/1822 – 2022” vem refletindo, falando e cantando como chegaríamos nesses 200 anos da independência. Não tenho dúvida de que a Rádio UFMG é o veículo mais Antimanicomial e Por Uma Sociedade Sem Manicômios do Brasil. Não dá para desassociar a trajetória da Rádio UFMG, da força de trabalho do querido Elias Santos, o Sunshine. A UFMG FM é uma emissora feita por centenas de vozes, mãos e corações.

‘Eles são as privadas’

Se contra as emissoras populares eram mentiras, repressão e injustiças, para a área privada da comunicação brasileira, nas três esferas de governo, bilhões em recursos financeiros foram providenciados, na forma de anúncios, além das vistas grossas para irregularidades e outros favores. Esse setor trabalha a serviço do pensamento único, muitas vezes na criminalidade e quase sempre fora da lei. No Brasil vivemos “O Povo Não Poder”, enquanto eles “Podem Tudo e Mais Um Pouco”. Eles são bons de golpes, de entretenimento e de nenhum compromisso com o Brasil.

Mesmo sendo concessão pública, qual foi o compromisso deles com o jornalismo, com a soberania, com a educação, cultura e com a qualidade do bem viver da população de BH, de Minas e do Brasil? Quantas vezes eles jogaram do lado do povo e quantas contra? Onde estavam em 54, 64, AI5, 89, 2013, Dilma, vai tomar no $#, 2016 e 2018? Como seria a vida de muitos dessa turma privada sem o estado por trás? Eles são liberais, mas só em algumas situações e até um certo ponto, é um Novo, que já vem usado…

Belo Horizonte, uma ainda quase virgem cidade, de apenas 125 anos, não viveu só de Rádio, o impresso e TV mandaram ver também!

BH continua sendo morada e um dos melhores celeiros de escritores/as, poetas, jornalistas e cartunistas do Brasil, Nilson Azevedo que o diga. A contribuição de Minas e de sua capital para a literatura é considerável. Os jornais “O OPERÁRIO”, anarquista, de 1908, “Binômio”, de 1952 a 1964, “De Fato” e “Jornal dos Bairros”, década de 70, o Jornal de Casa, década de 80, as revistas “Cemflores”, década de 80, “Palavra”, década de 90 e o Jornal Brasil de Fato, no tempo presente.

Na TV, a cidade deixou sua marca e contribuição nacional. A TV Itacolomi foi a terceira do Brasil, mas a primeira que não precisou da vinda de técnicos estrangeiros para a montagem dos equipamentos. O jovem Victor Purri, fez o serviço e foi o responsável, no começo da TV, pela primeira grande transmissão ao vivo, de longa distância, no Brasil, via micro-ondas: foi feita a transmissão, para BH, da inauguração de Brasília.

Com a entrada dos satélites, Belo Horizonte foi se tornando um dos mais de 5.566 (cinco mil, quinhentos e sessenta e seis) municípios brasileiros, que não passam de retransmissoras da TV feita em quarteirões do eixo Rio/SP, com linha editorial a serviço dos interesses estadunidenses. Obra construída na ditadura, pela Time-Life em parceria com militares e empresários nativos, lideranças comprometidas até hoje.

BH deu um show de bola, pena que o sistema a cabo de TV, não se popularizou no Brasil, como aconteceu na Europa e nos Estados Unidos

No final da década de 80, BH foi a primeira capital brasileira a instalar TV a cabo e ocupou os três dos quatros canais públicos desse sistema: o Comunitário, o Universitário e o Legislativo. BH teve o primeiro estatuto registrado no Brasil, o que garantiu aos movimentos sociais ocuparem o canal comunitário de TV a cabo, a “TV RIP – Rede de Informação Popular – Canal 8”, em sinal aberto, que, no dia dos 98 anos de BH, em 12 de dezembro de 1995, fez a primeira transmissão em sinal aberto.

A partir do seu primeiro ano no ar, no dia dos 99 anos de BH, ocupou o canal 44, o comunitário a cabo. Belo Horizonte também foi palco de uma das melhores TVs Universitárias brasileiras e, por um bom tempo, da mais estruturada e ousada TV Legislativa do Brasil.

No início do segundo mandato do Lula e período da criação da EBC – Empresa Brasileira de Comunicação, os presidentes das associações de tvs públicas brasileiras, que deram origem à EBC, eram moradores de BH: Antônio Achilis, ABEPEC (TVs Públicas); Cláudio Magalhães, ABTU (TVs Universitárias): Dr. Didi, ABCCOM (TVs Comunitárias) e Rodrigo Lucena, ASTRAL (TVs Legislativas). Na época, Rodrigo Lucena era vice-presidente, primeiro ex-presidente e um dos grandes construtores da entidade.

Somos a primeira geração que, por duas vezes, em vida, temos as condições relativas para fazer a utopia avançar neste país tropical. Mas, para isso, é preciso massificar o fazer comunicação popular.

Em menos de seis meses, devemos estar entrando em outros tempos no Brasil, um dos países mais ricos do planeta, abundante em recursos naturais, minerais, vegetais, animais, humanos e culturais. A classe trabalhadora tem vários e grandes desafios, mas ela nunca teve tantos recursos estratégicos e tantas possibilidades a seu favor como agora. O Mundo, e especialmente a América Latina já são outros, são tempos de Arce/Bolívia, Boric/Chile, Canel/Cuba, Castillo/Peru, Fernádez/Argentina, Petro/Colômbia, Maduro/Venezuela, Obrador/México, Ortega/Nicarágua, Xiomara/Honduras.

Nunca a Pátria Grande de Bolivar floresceu tanto. Esses atuais governantes, em suas vidas, ouviram e se orientaram por Fidel Castro e José Martí. Se o mundo começa a mostrar que pode ser outro, é porque a comunicação já está sendo outra. É preciso acumular com profundidade nesta área, como também multiplicar e disseminar as práticas colaborativas. Vamos precisar de conhecimentos, muitas e muitos envolvidas/dos e todos de acordo.

Com Lula eleito no Brasil, mais de 80% da área e da população da América do Sul e Latina, serão governados pelas esquerdas e progressistas, aqueles comprometidos com a promoção da vida e não da morte, os que buscam outros caminhos, que, com graus diferentes de intensidades, confrontam o neoliberalismo e anunciam a possibilidade da vida. Também é extremamente importante o fato do mundo estar, neste tempo histórico, se tornando multipolar. São tempos de aprofundamento da decadência do império estadunidense e suas guerras, golpes, destruição de vidas e nações.

Enquanto isso, o presidente Lula, o nosso provável próximo governante, se encontra no auge de sua maturidade intelectual e percebe com certa clareza o quadro e o que está em jogo na comunicação e mais ainda na cultura. Isso é bom, pois quanto mais a gente entende a cultura, melhor fazemos a comunicação. Lula, cada vez mais, amplia a sua liderança e autoridade no Brasil e se consolida como um dos maiores nomes da política mundial.

Poucos países têm um líder dessa magnitude, testado e de competência comprovada, como nós temos. O quanto pesa e qual a importância disso tudo para animar, mobilizar, conscientizar a população? Antes das invasões brancas, a terra Brasilis era quase um paraíso. Que Brasil vamos reconstruir?

Também vivemos mudanças profundas nas nossas vidas, é a primeira vez que a maioria das classe trabalhadora tem nas mãos os meios de produção e transmissão da comunicação. Os celulares, cada vez mais, vão se transformando em eficientes instrumentos para a mobilização e construção da integração nacional e do seu autodesenvolvimento.

Como sempre, as possibilidades de mudanças estão nas mãos da classe trabalhadora. Agora mais do que nunca… já faz tempo, desde a PÓS TV, em 2013 e depois com a Mídia Ninja, que o Coletivo Fora do Eixo, vem nos mostrando o Brasil Profundo e comprovando que as transformações do mundo podem estar, literalmente, nas nossas mãos.

Cada militante, uma história de Luta. Esse é o medo deles: a classe trabalhadora!

Além dos movimentos sociais, culturais e comunicacionais do nosso campo da vida real e do mundo virtual, das variadas instituições progressistas, temos em todo território nacional pessoas responsáveis para com a vida, intelectualmente capacitados e/ou qualificados tecnicamente para ajudar a pensar e construir uma estratégia comunicacional com intensa participação popular, enraizada e com capilaridade nacional. Um SUC – Sistema Único de Comunicação. Já pensou?

É importante conhecer as fragilidades (faz mais de 70 anos que a comunicação pública é destruída quase que diariamente pelas forças privadas) e as nossas forças, assim como saber um pouco da nossa história, sobre o que foi feito e vivido. A partir daí, elaborar e avançar.

Ofereço, para a gente brindar e começar, o trabalho da amiga Angela Carrato, que, entre tantas informações, nos mostra os esforços para impedir a mídia pública brasileira de existir e ocupar seu espaço. Sua tese de doutorado, “Uma História da TV Pública Brasileira” (2013), foi defendida na Universidade de Brasília (UnB).

Angela Carrato é uma ativista mineira, jornalista, professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG e ex-presidenta da Rede Minas. Angela apresenta os programas “IrforMARTÍ”, realizado pela ACJM MG – Associação Cultural José MartÍ, “Toque do Coletivo Alvorada” e Poder & Mídia, na Tutaméia. Angela diz: “Pelo que a TV Minas já foi e principalmente por tudo o que ela pode ser, em termos de cultura, educação e cidadania, está passando da hora de todos os mineiros e mineiras entrarem na luta em sua defesa”.

É preciso acumular, constante e profundamente, as infinitas possibilidades do mundo digital e buscar com radicalidade, popularizar esses conhecimentos. Ampliar os olhares e multiplicar os cuidados com as milhares de Rádios e TVs do campo público, as emissoras Educativas e Comunitárias do Brasil. É preciso discutir e buscar soluções de problemas estruturais, como também formas de potencialização das emissoras.

Desde já, devemos contribuir com a ABRAÇO em algumas lutas. Entre elas, a construção da Rede de Mil Rádios, pela ampliação da potência das Rádios e do número de frequências por cidades. Também é importante abraçar e trabalhar para implementação do Canal Cidadania nos municípios brasileiros. O genial jornalista mineiro Beto Almeida, da ABI e Diretor da teleSUR, é um dos articuladores dessa construção. Essas ações são estruturantes e irão contribuir com o autodesenvolvimento do Brasil.

Massificar o fazer comunicação popular é necessário para a gente enfrentar os novos tempos que já começaram na comunicação. Trabalhar uma comunicação a serviço e construtora do autodesenvolvimento, da integração nacional, da educação, da saúde, do entretenimento, do enriquecimento cultural, uma “Aquarela Brasileira”. As novas gerações merecem essa nossa atenção, esse nosso esforço. BH, Minas, Brasil e o mundo podem ser bem melhores. Está na nossa mão!

Quando a ABI começou a articular a Rede da Legalidade, eu comecei a escrever esse texto, que também foi uma conversa imaginária com o ex-ministro da Cultura Juca Ferreira. Entreguei a ele um rascunho, exatamente no dia em que se formou a primeira Cadeia.

Quando a ABRAÇO Nacional, começou a construir as atividades políticas e culturais dos seus 26 anos, inspirado no texto, sugeri ao Geremias dos Santos uma ideia de tema e de algumas das mesas. Finalizo a primeira edição, exatamente no dia de encerramento do histórico seminário ‘123 Anos do Rádio no Brasil e no Mundo’. Foi também no período de elaboração final da” A Voz Do Servidor – Um Programa de Classe e Com Categoria”, que será realizado pelo Sitraemg – Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal MG e veiculado na Rádio Favela FM.

José Guilherme Castro, ativista da comunicação, esteve secretário geral do FNDC – Fórum Nacional Pela Democracia da Comunicação/2003 a 2008, Coordenador de Comunicação e Cultura da ABRAÇO – Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitárias/2003 a 2007, membro da Coordenação do Setorial de Radiodifusão Comunitário do PT Nacional/2001 a 2005 e presidente da ABRAÇO Minas/2001 a 2003. Assessor para assuntos complicatórios da Rádio Favela, desde 1995. Está presidente do IAD – Instituto de Autodesenvolvimento, diretor da Associação Cultural José Martí MG e é membro da Companhia Girassol – Arte, Artesanato & Comunicação COM Saúde Mental Antimanicomial.

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