Carina Vitral, Claudia Rodrigues, Camilla Lima e Nayara Souza*

Encerrada a eleição para presidente dos Estados Unidos, que atraiu atenção mundial nos últimos dias, e tendo o povo estado-unidense decidido “demitir” Donald Trump do poder, agora viremos o nosso foco para a eleição municipal aqui no Brasil, que nos dá a possibilidade de impingirmos uma derrota aos aliados do ocupante da cadeira de presidente da República que tem o recém-derrotado do Norte como ídolo. Enquanto o Estado do Amapá sofria sem luz, Bolsonaro se ocupava com a tentativa de reeleição do neofascista Trump, de quem se tornou lambe-botas sem nem ao menos uma ínfima retribuição.

No próximo domingo, os brasileiros compareceremos às urnas para eleger os novos prefeitos e vereadores em todo o país, exceto o Distrito Federal. Uma chance de ouro para dizermos “não” aos candidatos bolsonaristas. A mudança que almejamos para 2022 começa agora em 2020 nas cidades. É nas cidades que as pessoas sofrem diretamente as consequências abomináveis do bolsonarismo, a disseminação do ódio, o aumento da violência de vários tipos, o desrespeito aos direitos humanos, o descontrole da crise do covid-19, a falta de planos para recuperar o país e a vergonha de ter um governo devotado às ideias do extremista ora derrotado nos Estados Unidos.

Por isso, é nas cidades que devemos começar a virada. Temos uma vida pós-pandemia para reerguer. Temos crianças e jovens sem aulas – milhares sem creche aqui em São Paulo. Professores extenuados. Pais exaustos. Profissionais da saúde adoecidos e desvalorizados. Milhões de brasileiros sem trabalho. Milhões de famílias sem renda. Milhões de jovens que não encontram o primeiro emprego. A cada dia mais cidadãos jogados ao relento das ruas por não terem onde morar. Mulheres sobrecarregadas pelas jornadas impiedosas de cuidar dos filhos, dar atenção aos idosos e prover o sustento da casa, sem que para isso o poder público lhes garanta as condições básicas.

Definitivamente, as pessoas estão sufocadas pelo ambiente pesado e as incertezas. Se é fato que a pandemia era inevitável, também é verdade que o país poderia tê-la enfrentado com firmeza, orientações claras, planos de contingência bem definidos e sobretudo um projeto para o que vem depois.

Se não dá para esperar que parta do governo federal um plano para reestruturar o país, comecemos por melhorar as condições de vida nas cidades. Comecemos por eleger gente com ideias e práticas antagônicas às do trumpismo e do bolsonarismo – governos da morte, da mentira, do ódio, da destruição e da violência. Isso já será um alento rumo à mudança maior que poderá vir na eleição presidencial daqui a dois anos.

Neste dia 15, podemos não só eleger candidatos progressistas de Norte a Sul do Brasil, devemos também eleger mulheres de luta em todos os municípios. Nós, mulheres, queremos ser protagonistas das mudanças na sociedade, porque, ao longo de séculos, mesmo sendo a maioria da população, sempre fomos alijadas das decisões que realmente mexem com a vida das pessoas e com o cotidiano do país e das cidades. As mulheres lutadoras, progressistas e democratas precisam ocupar postos de decisão em prefeituras e câmaras legislativas, para interferir na formulação das políticas públicas e na aplicação dos orçamentos municipais, porque aí está o poder de fato nos municípios e é aí que precisamos inverter a lógica vigente e beneficiar quem mais precisa.

Nossa busca por redução das desigualdades sociais e nosso compromisso por igualdade de direitos, respeito à diversidade e combate ao racismo, ao machismo, à homofobia e a todas as formas de discriminação, violência, preconceito e abuso contra LGBTQIA+, negras e negros, pessoas com deficiência, crianças, mulheres e moradores da periferia precisa se refletir na política legislativa e governamental. É fundamental eleger gente da gente para nos representar.

No caso de São Paulo, a cidade precisa de um governo municipal que a lidere rumo à retomada do desenvolvimento econômico, tecnológico e social, que aposte na reindustrialização, impulsione projetos estratégicos e sustentáveis, direcione investimentos às regiões mais pobres e estimule a economia criativa e solidária da periferia. Basta de prefeitos privatistas, meros ‘gerentes’ do marasmo e da letargia que acometeram a cidade em anos recentes. No curto prazo, necessitamos de um plano emergencial para estimular a criação de emprego, geração de renda e diminuição da pobreza, priorizando as mulheres chefes de família, os jovens que adentram o mundo do trabalho e a população negra de regiões mais vulneráveis. Esse papel de liderança se aplica também à Câmara Municipal, que tem o dever de projetar a Capital para o curto, médio e longo prazos.

Quem quer mudar o Brasil tem a missão de votar neste domingo para eleger candidatos que – na prática diária – defendem as pautas do povo, a ciência, a educação, o SUS, o meio ambiente e a vida dos brasileiros. Não anule, não vote em branco, nem justifique ausência. Compareça e incentive seu círculo de convivência a comparecer às urnas. Se de fato queremos efetivar o “Fora, Bolsonaro!”, temos de dar um passo decisivo agora.

* Carina Vitral, Claudia Rodrigues, Camilla Lima e Nayara Souza integram a Bancada Feminista que disputa eleição de vereadora pelo PCdoB em São Paulo

 

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