Por Gisella Cordovil

O Biolume, negócio de impacto desenvolvido pelo Enactus UFPA, realizou a instalação de um poste de energia renovável na Casa NINJA Amazônia, em Belém, no dia 5 de outubro de 2025. A iniciativa busca promover o acesso à energia limpa, aliando inovação tecnológica, sustentabilidade e compromisso social, com foco em comunidades que enfrentam a falta parcial ou total de energia elétrica.

Criado em 2024, o Biolume surgiu durante um hackathon voltado à transformação energética. De acordo com Jamilly Maciel, engenheira química e líder do projeto, a proposta inicial era trabalhar com a transformação do óleo de cozinha em biodiesel para comunidades ribeirinhas. No entanto, ao longo do desenvolvimento, o grupo passou a estudar outras fontes de energia, como a solar, o que levou à criação dos postes de iluminação. “A ideia dos postes surgiu por ser uma alternativa mais acessível, que diversifica nosso portfólio e permite atender um número maior de comunidades”, explica.

Ao longo de sua trajetória, o projeto enfrentou desafios importantes, especialmente no processo de transição do biodiesel para a energia solar. Segundo Jamilly, esse período foi marcado por muitas idealizações, até que o Biolume alcançasse um estágio mais prático e maduro. Atualmente, o principal desafio é o financiamento, já que o projeto tem caráter social e não visa lucro, buscando contribuições financeiras para ampliar sua atuação.

Os postes de energia renovável desenvolvidos pelo Biolume possuem estrutura em PVC, escolhida para facilitar o transporte até regiões mais afastadas. O sistema conta com placas solares e luminárias com sensores de presença e de luminosidade, que aumentam a intensidade da luz quando detectam movimento.

A solução foi pensada para atender locais onde a energia elétrica é inexistente ou depende de geradores a diesel, que geram custos elevados e não iluminam adequadamente áreas externas, como ruas e caminhos, comprometendo a segurança dos moradores.

A Casa NINJA Amazônia foi escolhida para receber a instalação por seu alinhamento com pautas socioambientais e por sua visibilidade, especialmente no contexto da realização da COP 30 em Belém. “Pensamos em instalar o poste em um espaço estratégico, onde as pessoas pudessem conhecer o projeto, ver o funcionamento do produto e entender o quanto ele é acessível”, destaca a líder do Biolume.

Além dos impactos ambientais, o projeto também atua na dimensão educativa, promovendo debates sobre preservação da natureza, descarte adequado de resíduos, mudanças climáticas e uso de fontes renováveis de energia. Para Jamilly, a universidade e os projetos de extensão são fundamentais nesse processo, pois permitem que o conhecimento acadêmico ultrapasse os muros institucionais e chegue à sociedade.

Para o futuro, o Biolume pretende ampliar sua atuação e atender ainda mais comunidades, contribuindo para a redução das desigualdades no acesso à energia, especialmente na região amazônica. A mensagem deixada aos estudantes é clara: “Se incomodem, conheçam realidades diferentes e usem o conhecimento da universidade como ponto de partida para transformar a vida das pessoas”.