A reforma trabalhista impulsionada pelo presidente Javier Milei avançou no Congresso em um clima de máxima tensão, com protestos massivos, greve geral e forte repressão policial nos arredores do Parlamento. Enquanto o governo apresenta o projeto como uma “modernização do trabalho”, sindicatos e organizações sociais denunciam que se trata de um retrocesso histórico em direitos trabalhistas e de mais um passo no programa de ajuste que atravessa o país.

Durante a jornada, milhares de manifestantes se concentraram em frente ao Congreso de la Nación Argentina para rejeitar a iniciativa. Em meio ao forte esquema de segurança, foram registrados graves confrontos quando grupos tentaram derrubar as grades instaladas no perímetro. As forças de segurança responderam com gás lacrimogêneo, caminhões-pipa e balas de borracha. Houve feridos e detidos, em uma operação que contou com a atuação da Policía Federal Argentina e de outras forças.

Foto: Rodrigo Ruíz

O protesto coincidiu com a greve geral convocada pela Confederación General del Trabajo (CGT) e por outras centrais sindicais, em rejeição a uma reforma que altera pilares centrais da legislação trabalhista vigente desde 1974. Entre os pontos mais questionados estão a criação de um banco de horas para compensar horas extras com folgas, a possibilidade de fracionar as férias, o fim da ultratividade dos acordos coletivos e a revogação de estatutos profissionais específicos, como o dos jornalistas. Além disso, o projeto impõe novas restrições à atividade sindical, limitando assembleias e impactando seu financiamento.

Para o governo, a iniciativa pretende “flexibilizar” o mercado de trabalho e, segundo seu discurso, estimular a geração de empregos. Para o movimento sindical e diversos setores sociais, no entanto, representa a perda de conquistas históricas, o enfraquecimento da negociação coletiva e uma transferência direta de poder às empresas. A reforma se insere em um pacote mais amplo de desregulamentação econômica e cortes no gasto público que Milei impulsiona desde que assumiu a Casa Rosada e que, segundo dados sindicais e levantamentos oficiais, já resultou na eliminação de mais de 250 mil postos de trabalho nos setores público e privado.

O debate sobre o projeto continua na Câmara dos Deputados e prevê-se que sejam realizadas algumas alterações na proposta oficial para que, em seguida, retorne ao Senado e seja definida sua aprovação.

Nas ruas, a resposta foi contundente: trabalhadores, aposentados e organizações sociais alertam que o projeto não apenas precariza as condições de trabalho, como também consolida um modelo de ajuste que recai sobre os setores populares.