Estamos já nos acostumando, mas quebrando o que é quase regra no governo Bolsonaro, dessa vez a confusão não foi na sexta-feira, mas sim na quinta-feira dia, 18/06. Rolou a prisão do Queiroz, portaria racista e demissão do Abraham Weintraud, o pior ministro da Educação que o Brasil já teve.

Por sua notável perversidade, Weintraub não poderia sair do Ministério da Educação (MEC) sem antes cometer mais uma de suas barbaridades contra as políticas educacionais de caráter afirmativas e equitativas. Assim, o ex-ministro revogou a Portaria Normativa nº 13 de 2016, que estabelecia a política de cotas para negros, indígenas e pessoas com deficiência nos cursos de pós-graduação. Não são novidades as ações racistas desse governo, muito menos o desprezo e mediocridade das últimas gestões do MEC para com as políticas de inclusão e permanência das minorias na educação pública.

Vivemos um paradoxo sem precedentes. Enquanto os EUA e a Europa protagonizam globalmente grandes protestos contra o racismo, durante reunião extraordinária do Conselho de Direitos Humanos da ONU que fora convocada especialmente para debater sobre os recentes eventos de violência policial em face da morte de George Floyd, representantes do Itamaraty, pasmem, defenderam o governo Trump e os policiais. Ignoram que no Brasil também estamos por intensos protestos que denunciam o racismo estrutural e a violência policial, que por culpa de uma política genocida ceifa dezenas de vidas negras e pobres todos os dias.

A gestão do Weintraub foi marcada por inúmeros escândalos e pela completa falta de eficiência e seriedade, além do excesso de mediocridade e ignorância. Por mais de um ano tivemos um ministro da Educação incapaz de compreender o sistema público e as legislações vigentes que regem a educação brasileira. Passamos por meses árduos na defesa da educação pública de qualidade. Além dos ataques constantes às universidades e a Paulo Freire, as redes sociais do ex-ministro foram painéis de verdadeiro desrespeito aos estudantes e aos movimentos estudantis. Deboches e xingamentos foram adjetivos que não faltaram no frequente vocabulário vulgar deste obtuso ex-ministro que definitivamente não deixará nenhuma saudade.

Com toda certeza, Weintraub, até o momento, foi o pior ministro que o MEC que já teve. Contudo, o real inimigo é o projeto conservador e negacionista do bolsonarismo aliado a agenda econômica neoliberal. Precisamos derrotar ambos. Por isso que infelizmente nosso alívio com a saída de Weintraub não pode ser inocente e nem puramente comemorativo, uma vez que existe grande possibilidade do próximo ministro ser tão nefasto quanto o último.

O fato é que Abraham Weintraub caiu pelo desgaste, pelas intrigas com as instituições necessárias a um estado democrático e por estar perdendo brigas significativas. Enquanto isso, nossas mobilizações cumpriram seu papel defendendo o projeto de educação pública e universal.  Mas não nos enganemos, pois quem assumir a pasta, não estará, num primeiro momento, carregando a rejeição majoritária da sociedade, o que a princípio poderá abrir portas para impor medidas ainda mais drásticas e prejudiciais à educação. Não podemos ser inocentes e nem baixar a guarda. Quando se trata do governo Bolsonaro a frase “pior que está não fica” é inaplicável. A situação sempre pode piorar.

A revogação das cotas na pós-graduação não é por acaso, é uma sinalização de que Weintraub está saindo, mas o projeto bolsonarista continua de forma acelerada. O negacionismo, o discurso de ódio pautado no racismo, na LGBTIfóbia e na discriminação de gênero infelizmente permanecerão enquanto Bolsonaro for presidente da República. Nosso desafio é permanecer firmes e esperançosos na luta antifascista e antirracista, por uma democracia real e pela educação pública. Ainda precisamos derrubar Bolsonaro. A batalha está longe de ser ganha, continuemos com garra. 

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