A cantora revelou que o álbum traz duas frases da escritora Conceição Evaristo. A primeira diz que “o medo é como se fosse uma coragem ao contrário” e serve de base para uma reflexão sobre como Anitta encarava a própria ambição: “A gente trazia a reflexão de como eu tinha essa fome de ser a única, de ser a mais falada, de estar em primeiro lugar em tudo, de ser a mais ouvida.”

A segunda frase, “o importante não é ser a primeira, o importante é abrir caminhos”, representa o aprendizado que ficou mais forte para ela: “Quando a gente faz as coisas, o mais importante é o fato de que a gente abre um precedente para que outras pessoas continuem e façam disso uma revolução.”

Seu sonho para o álbum vai além da música. “Eu quero que ele vire um movimento, que as pessoas se interessem em falar de profundidade, em se autoconhecer, e que vire moda a gente ser profundo, sem preconceito, a gente apreciar e respeitar as religiões de todo mundo.”

Anitta também fez um alerta direto sobre o momento político. Para ela, o algoritmo amplifica o que já é uma tendência natural do cérebro humano: prender-se ao negativo. “Se a gente prende a nossa atenção em coisa negativa, o algoritmo mostra mais disso pra gente. O que vai acontecer com as nossas mentes nesse momento de disputa política?”

A saída, segundo ela, é desenvolver autonomia. “O mais importante agora é as pessoas criarem capacidade de pensar por si só, de usar a inteligência artificial para buscar informação, pesquisar e procurar dados. Eu não quero que todo mundo pense igual a mim. Mas todo mundo precisa pensar por si só, chegar às suas próprias conclusões.”

Anitta citou o Afeganistão como exemplo do que acontece quando liberdades são retiradas aos poucos. “Houve um momento lá em que todo mundo era livre e, de repente, as coisas vão piorando. Começa tirando uma liberdade aqui, começa um povo tendo coragem de falar atrocidades numa rede social sem sofrer nenhuma consequência, começa o povo normalizando ouvir certas opiniões que não são opiniões, são crimes, são coisas que ameaçam a nossa liberdade.”

Para a artista, a arte tem um papel central nesse contexto. “É muito importante a gente manter sempre vivo, na cultura e na arte, aquilo que vai fazer a gente continuar se sentindo livre para ser quem a gente é, com a religião que a gente quiser, com a sexualidade que a gente tiver.”

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