Por Lívia Bernardes – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

Receber uma Copa do Mundo significa muito mais do que sediar partidas: é preparar ruas para receber visitantes de todos os continentes. É fortalecer o turismo, impulsionar a economia, modernizar a infraestrutura e criar oportunidades. Mas, desta vez, existe um significado ainda maior.

Pela primeira vez, a Copa do Mundo Feminina será realizada na América do Sul. E Porto Alegre será uma das cidades responsáveis por receber atletas que carregam a representatividade de milhões de meninas que sonham em ocupar um espaço que, por décadas, lhes foi negado.

Em entrevista exclusiva, a Secretária Extraordinária da Copa do Mundo Feminina de Futebol 2027, Débora Garcia, destaca que o legado da competição começou a ser construído no instante em que Porto Alegre foi confirmada como cidade-sede. 

Desde então, a capital gaúcha vem se preparando para receber o maior evento do futebol feminino por meio de um planejamento que reúne investimentos em infraestrutura, fortalecimento do turismo, incentivo ao esporte e ações voltadas ao desenvolvimento urbano. 

Mais do que garantir uma competição de excelência, o objetivo é transformar a Copa em uma oportunidade para impulsionar o espaço das mulheres no esporte. Segundo Débora, o planejamento envolve uma ampla articulação entre diferentes esferas do poder público e instituições parceiras.

“Trabalhamos em conjunto com a FIFA, a Prefeitura, o Governo do Estado e diversas instituições para garantir que Porto Alegre esteja preparada em todas as áreas: infraestrutura, mobilidade, segurança, turismo, sustentabilidade, voluntariado e promoção do futebol feminino”, relata. 

Uma vitrine para mostrar Porto Alegre ao mundo

Atualmente, o município está na fase de planejamento estratégico e operacional, período considerado decisivo para estruturar todas as áreas envolvidas e garantir que as entregas ocorram dentro do cronograma internacional estabelecido pela organização da competição.

Entre as principais ações já iniciadas estão as reuniões técnicas com representantes da FIFA, a definição das estruturas de governança, visitas aos possíveis Centros de Treinamento, o planejamento da Fan Fest e a elaboração do Plano da Cidade-Sede.

Também fazem parte do cronograma os estudos voltados para mobilidade urbana, segurança pública, sinalização turística e articulação com o setor hoteleiro. “A estratégia inclui a valorização da gastronomia, dos espaços culturais, dos atrativos naturais e do patrimônio histórico da cidade, incentivando turistas a prolongarem a permanência na capital e retornar futuramente”, explica. 

O maior legado pode estar fora das quatro linhas

Se os impactos econômicos são importantes, para Débora Garcia existe um legado ainda mais significativo: fortalecer o futebol feminino.

A realização da Copa representa uma oportunidade para ampliar a participação de meninas no esporte, incentivar novos projetos sociais e fortalecer clubes, escolinhas e programas de formação esportiva: “A Copa inspira meninas, amplia a visibilidade das atletas, fortalece clubes, incentiva novos projetos esportivos e desperta o interesse da sociedade pelo futebol feminino”.

A Secretaria também trabalha na construção de políticas públicas que ampliem o acesso ao esporte para meninas e mulheres, fortalecendo iniciativas que possam permanecer ativas muito depois de 2027.

Assim, a capital gaúcha busca construir uma história que continue sendo escrita muito depois do apito final. Fora das quatro linhas, Porto Alegre joga uma partida igualmente importante: a de construir um futuro em que o futebol feminino ocupe, definitivamente, o espaço que merece.