Povos tradicionais do Pará apresentam soluções contra a crise climática após quatro anos de projeto
Lideranças indígenas, quilombolas, ribeirinhas, agroextrativistas e agricultoras familiares compartilham resultados de iniciativas que unem proteção das florestas, produção de alimentos e defesa dos territórios
Enquanto os efeitos das mudanças climáticas se intensificam na Amazônia e o avanço do desmatamento continua pressionando os territórios tradicionais, comunidades do Baixo Tocantins e do nordeste do Pará se reuniram durante todo o dia desta terça-feira, 7 de julho, para apresentar experiências que mostram como a proteção da floresta, das águas e dos modos de vida também é uma estratégia de enfrentamento à crise climática.
O encontro, intitulado “Amazônia Comunitária: Povos tradicionais e agroextrativistas enfrentam os problemas climáticos causados pelo modelo econômico promotor de desmatamento, com produção de alimentos agroecológicos e protegendo as florestas e as águas”, marcou o encerramento de um projeto desenvolvido pela FASE com comunidades de 14 municípios paraenses.

O trabalho envolve povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, agroextrativistas e agricultores familiares. Ao longo de quatro anos, a iniciativa fortaleceu redes de defesa dos territórios, ampliou experiências de produção agroecológica, incentivou a organização das mulheres e apoiou ações comunitárias diante da expansão do desmatamento, dos monocultivos, da mineração e dos grandes projetos de infraestrutura.
Os participantes vieram de municípios como Abaetetuba, Barcarena, Igarapé-Miri, Moju, Baião, Cametá, Marabá, Jacundá e Canaã dos Carajás, onde convivem diariamente com conflitos fundiários, perda de biodiversidade, contaminação de rios e a expansão da soja, do dendê e da mineração.
Mais do que discutir problemas, o encontro apresentou soluções construídas pelas próprias comunidades, como sistemas agroextrativistas, fortalecimento da produção de alimentos saudáveis, organização de mulheres para geração de renda e enfrentamento da violência, elaboração de planos comunitários de gestão territorial e iniciativas de proteção das florestas e das águas.
As lideranças também compartilharam resultados alcançados em três frentes consideradas estratégicas para o futuro da Amazônia: a defesa dos territórios, a autonomia das mulheres e o fortalecimento da agroecologia e da soberania alimentar.



Segundo Sara Pereira, coordenadora da Fase Amazônia, essas experiências demonstram que os territórios tradicionais exercem um papel estratégico na adaptação às mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que garantem segurança alimentar, conservação da biodiversidade e manutenção dos recursos hídricos.
Um dos momentos centrais do encontro foi a mesa “Entre marés e florestas: são os povos que garantem clima, água e alimento”, que reuniu lideranças comunitárias, movimentos sociais, representantes do Ministério Público e gestores públicos para discutir o papel dos povos tradicionais na construção de políticas de enfrentamento à crise climática. A programação incluiu, ainda, rodas de diálogo e uma feira de exposição de produtos da sociobiodiversidade.



