A Abissal lança, via Casalago Records, o single “Ametista”, faixa que transforma memórias em dissolução em uma construção sonora densa, minimalista e expansiva. A música funde rock alternativo e post-rock, com fortes ecos de Radiohead, partindo de harmonias de guitarras e vozes em camadas até chegar a um final instrumental de grande carga emocional.

Ouça “Ametista” aqui: found.ee/Ametista.

A Abissal é uma das atrações do Casalago Fest, em São Paulo, que acontece no dia 26 de junho (sexta-feira), no La Iglesia, ao lado de Maré Tardia, CHVVV e Julieta Social. Clique aqui para mais informações.

Produzida por Gui Godoy, da Casalago Records, “Ametista” abre de forma contida, com um clima profundo e melancólico. A composição trabalha a sensação de lembranças que se apagam no tempo, como imagens antigas que retornam em fragmentos, perdem nitidez e, ainda assim, permanecem no corpo e na escuta.

Ao longo da faixa, a Abissal constrói uma progressão de texturas dinâmicas. O que começa em um ambiente mais minimalista ganha corpo aos poucos, sem pressa de chegar ao impacto.

A música cresce por camadas, preserva a tensão do rock alternativo e avança para uma explosão instrumental final marcada pela influência do post-rock. “Ametista” é o primeiro single de Flashes, novo EP da Abissal, que será lançado em breve.

O trabalho marca uma nova fase da banda de Jundiaí (SP), com maior maturidade de composição e uma identidade sonora mais definida. Depois de Sutra, lançado em março, o grupo aprofunda a relação entre peso, ambiência e introspecção, mas desloca o foco para outro campo sensível: a memória.

Se Sutra apresentou uma jornada voltada à espiritualidade, ao autoconhecimento, à elaboração de traumas e à catarse, “Ametista” abre um novo ciclo guiado por flashes de acontecimentos passados. A música parte da ideia de que certas lembranças não retornam de forma linear. Elas surgem como imagens soltas, atravessadas por ruídos, afetos e lacunas.

Essa leitura também orienta a identidade visual do novo ciclo. As capas do EP e de seus singles foram concebidas a partir de ensaios fotográficos subaquáticos realizados pela própria banda.

A escolha de retratar os integrantes submersos cria uma ligação direta com o nome Abissal e com as criaturas das zonas abissais, mas também funciona como representação da profundidade das emoções humanas.

A água aparece como filtro simbólico. É nela que flashes de acontecimentos passados e memórias antigas emergem, se deslocam e são purificados. A imagem subaquática traduz visualmente a jornada de introspecção proposta pelas músicas e reforça a unidade entre som, conceito e estética neste novo momento da banda.

Abissal e a nova fase

Formada por Murilo Ferragut (voz e guitarra), Bruno Cavalcanti (baixo), Dan (guitarra) e Uncas (bateria), a Abissal construiu sua identidade a partir do rock alternativo e do grunge dos anos 1990.

Nos trabalhos mais recentes, porém, a banda passou a incorporar elementos de dream pop, indie e post-rock, com maior atenção à ambiência, à dinâmica e à construção melódica. Essa mudança ganhou forma em Sutra, EP de cinco faixas lançado pela Casalago Records.

O trabalho apresentou uma escrita mais atmosférica e contemplativa, sem abandonar o peso. Faixas como “Sutra”, “Ouroboros”, “Meu Templo”, “O Caminho” e “Miracéu” revelaram uma banda interessada em tensão, suspensão, textura e densidade emocional.

Com “Ametista”, a Abissal dá sequência a esse amadurecimento, agora com uma linguagem mais visual e cinematográfica. A faixa não busca o caminho mais direto do rock. Sua força está na progressão, na maneira como os instrumentos se acumulam e no contraste entre delicadeza, melancolia e explosão.