Por Rafael Lisboa – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

Desde 1934, a Copa do Mundo conta com jogadores naturalizados. Motivados pela possibilidade de disputar a maior competição do futebol mundial, esses atletas, que se tornam elegíveis para representar um país diferente daquele em que nasceram, aceitam o convite da federação para complementar o novo elenco.

Embora a naturalização nos últimos anos seja muito associada a jogadores de origens africanas, o primeiro jogador a se naturalizar para jogar uma Copa do Mundo foi o brasileiro Anfilogino Guarisi, mais conhecido como Filó. Nascido em São Paulo, o atacante chegou a disputar uma Copa América pelo Brasil, mas as rivalidades na Confederação Brasileira da época, junto a transferência do Corinthians para a Lazio, fizeram com que o atleta considerasse a proposta da Federação Italiana para jogar a Copa do Mundo de 1934, já que possuía cidadania por conta da mãe, nascida no país europeu.

A troca de seleção foi feita e Filó se consagrou campeão mundial daquele ano. Desde então, brasileiros como Mazola, Marcos Senna, Deco e tantos outros se naturalizaram e disputaram a Copa do Mundo por outras nações. Nesta edição, três atletas nascidos no país pentacampeão estão no torneio vestindo uma camisa diferente da “amarelinha”.

Matheus Nunes

Nascido no Rio de Janeiro em 1998, Nunes chegou a passar pela escolinha do Flamengo, mas aos 13 anos se mudou para Portugal, iniciando a categoria de base no Ericeirense, até se transferir para o Estoril, em 2018, atuando por apenas oito jogos antes de ser contratado pelo Sporting Lisboa.

Ainda no Sporting, em agosto de 2021, o volante foi convocado por Tite, ex-treinador da Seleção Brasileira, mas recusou por não ter o esquema de vacinação completo. Contudo, em menos de dois meses, o jogador estreou por Portugal após ser chamado por Fernando Santos para um amistoso contra o Catar.

Tendo atuado por Wolverhampton e atualmente no Manchester City, Matheus virou lateral direito a pedido de Pep Guardiola e disputará a Copa do Mundo pela segunda vez, exercendo um papel mais importante do que em 2022.

Foto: Divulgação/Wolverhampton

Lucas Mendes 

Nascido no Paraná, o defensor Lucas Mendes foi formado pelas categorias de base do Coritiba e jogou quatro anos profissionalmente pelo clube brasileiro. Em 2023, ele se naturalizou catari, 11 anos após ser cogitado no time olímpico de Londres, montado por Mano Menezes. 

Distante do Brasil desde 2012, quando se transferiu para o Olympique de Marseille, Mendes foi para o Catar dois anos depois, por falta de oportunidade no time francês. Desde então, o jogador acumulou passagens por Al-Jaish, Al-Duhail, Al-Gharafa e Al-Wakrah, onde atua desde 2020.

Aos 35 anos, o lateral-esquerdo, que fez parte de todo o ciclo da seleção do Catar para a Copa do Mundo de 2026, afirma que enxerga o país como uma “segunda casa” e encara o torneio como o grande desafio de sua carreira.

Foto: Reprodução / Instagram

Maurício 

Nascido em São Paulo, Maurício foi formado por Desportivo Brasil-SP e Cruzeiro, construiu sua carreira apenas no Brasil e, atualmente, joga pelo Palmeiras.

Em 2024, o jogador chegou a vestir a camisa da Seleção Brasileira Olímpica, mas acreditava ter poucas oportunidades para defender seu país natal na Copa do Mundo.

Filho de pai paraguaio, o atleta conseguiu a nova nacionalidade em fevereiro deste ano. A troca possibilitou sua primeira convocação pela seleção do Paraguai um mês depois.

Em sua segunda passagem pela equipe nacional, desta vez disputando o sonhado Mundial, Maurício deixou seu nome marcado na história. Após iniciar a partida de estreia contra os Estados Unidos como reserva, o meia saiu do banco para marcar seu primeiro gol com a camisa do Paraguai e, agora, vive a expectativa de conquistar uma vaga entre os titulares.

Foto: Reprodução / Instagram @albirroja