Clara Ribeiro lança “Fuga” com Africanoise e transforma desilusões em afeto e gratidão
Em sonoridades mais experimentais do espectro latino, novo single reflete sobre amor próprio, espiritualidade e capacidade de seguir em frente
Após transitar entre ancestralidade, afetos e vulnerabilidades em projetos como o EP Amor Para Além do Atlântico Sul e o recente Desabafos, a cantora e compositora Clara Ribeiro anuncia novas movimentações em sua trajetória artística com o lançamento do single Fuga, que chega às plataformas digitais nesta sexta (12), com participação especial de Africanoise na produção musical.
À primeira vista, o título da faixa pode sugerir uma ruptura diante de determinada situação. No entanto, é justamente nesse contraste que Fuga encontra sua força. Dentro da música, Clara Ribeiro parte da análise de relações que atravessaram sua vida para chegar a uma conclusão oposta ao senso comum — que, usualmente, nos incentiva a fugir dos próprios sentimentos, responsabilidades e, inclusive, consequências. Mesmo diante das frustrações, das ausências e das distopias emocionais que marcam alguns encontros, a artista constrói um eu lírico que escolhe não desejar o mal a ninguém.
Construída sobre uma atmosfera que mistura salsa, ritmos brasileiros e elementos eletrônicos, Fuga apresenta uma Clara Ribeiro ainda mais interessada em expandir suas fronteiras sonoras. O encontro com Africanoise, artista reconhecido por transitar entre sonoridades orgânicas e produções contemporâneas, surge como peça fundamental nessa construção.
“Eu queria o Africanoise na minha trajetória artística há muito tempo. Ele somou muito nesse processo criativo. Tem uma forma muito especial de fazer música, misturando elementos orgânicos com a música eletrônica, e isso conversa diretamente com o caminho que estou construindo para os meus próximos trabalhos”, explica.
A aproximação entre os artistas não acontece por acaso. Ao longo dos últimos anos, Clara Ribeiro vem consolidando uma identidade musical marcada pelo diálogo entre tradições afro-diaspóricas, música brasileira contemporânea e experimentações eletrônicas. Em Fuga, essa busca ganha novos contornos, apontando direções que devem se aprofundar em seu futuro álbum.
Mas, acima de tudo, a música nasce de uma elaboração íntima. “Escrevi essa canção pensando nas relações que não deram certo, nos processos que me atravessaram e me transformaram. Em algum momento, entendi que minha maior paixão precisava ser eu mesma”, conta.
A letra percorre memórias, feridas e aprendizados sem se entregar ao ressentimento. Fuga segue pelo caminho contrário: sua composição propõe um olhar de acolhimento para si e para os próprios percursos vividos. Ao longo da narrativa, Clara Ribeiro também reforça a presença da espiritualidade como fonte de força e companhia, tema recorrente em sua trajetória pessoal e artística.
“Se a minha força neste mundo é cantar, eu sei que não estou sozinha. Tenho pessoas que me escutam, pessoas que me acolhem e também meus guias espirituais, que caminham comigo.”
A mensagem dialoga diretamente com um dos pilares centrais da obra da cantora: a crença no amor como força transformadora. Para além de uma canção sobre términos ou decepções, Fuga fala sobre a capacidade humana de continuar amando — inclusive a si mesma — depois da dor.
Com uma sonoridade que atravessa tradição, futuro, delicadeza e intensidade, Fuga reafirma Clara Ribeiro como uma das vozes mais sensíveis de sua geração: uma artista que transforma vulnerabilidade em linguagem, experimentação em identidade e afeto em um caminho possível para atravessar tempos difíceis.



