A transição energética é uma urgência e falar sobre ela também é parte fundamental desse processo
Encontro discutiu o papel da cultura e da comunicação na construção de uma transição justa
Por Maria Rosa Darrigo, Jonatan Rodríguez, Raíssa Galvão e Juan Espinoza
O Encontro para saída dos combustíveis fósseis, realizado no final de abril em Santa Marta, na Colômbia, abriu um interessante caminho para pensar como podemos construir uma sociedade não mais pautada pelos combustíveis fósseis.
Diante da frustração acumulada com os resultados insuficientes das diferentes COPs, cresce a percepção de que países realmente comprometidos com a redução da dependência de fósseis precisam construir, conjuntamente, novas formas de pensar desenvolvimento, crescimento e cooperação internacional. Se questões diplomáticas e técnicas seguem centrais nesse debate, também ficou evidente que comunicação e jornalismo são ferramentas essenciais para tornar possível uma transição alinhada às metas do Acordo de Paris.

Nesse contexto, o Pulitzer Center e a Mídia Ninja, junto a parceiros como Climainfo, Mongabay, Climate Tracker e Tinta, organizaram um encontro para discutir quais narrativas precisamos construir para comunicar os caminhos da transição energética. Afinal, além de um mapa de caminhos, também precisamos de um mapa das palavras.
O evento reuniu cerca de 80 participantes de diferentes países, culturas e organizações. As falas de Tica Minami (Climainfo, Brasil), Daniela Quintero (Mongabay, Latam), Abigail Gualinga (vice-presidenta da nação Sarayaku, Equador) e Yutsu Maiche (comunicador indígena da MULLO TV, Equador) trouxeram perspectivas fundamentais sobre comunicação, jornalismo e fortalecimento de lideranças em países produtores de petróleo da América Latina. As experiências compartilhadas mostraram como narrativas comprometidas com a justiça climática podem gerar impactos concretos e mudanças positivas.
Após as apresentações, os participantes foram convidados a responder à pergunta: “Como fortalecer narrativas que tornem viável e desejável a saída dos combustíveis fósseis?”. O debate foi marcado por ampla participação e importantes reflexões sobre os rumos da comunicação climática.
Entre os pontos centrais levantados, destacou-se a importância do jornalismo investigativo, baseado em dados confiáveis, transparência e governança climática, para além, é claro, das discussões voltadas ao uso das florestas e do oceano. Também foi reforçado o papel da cultura na construção de novos caminhos para traduzir essas informações em diferentes formas de narrar, capazes de dialogar com múltiplas realidades e públicos. Além disso, a articulação em rede para a construção e ampliação do alcance dos conteúdos, bem como a visão e os conhecimentos dos povos indígenas, aparecem como elementos essenciais para imaginar futuros possíveis e construir novas referências de relação com os territórios e com a natureza.
A força da participação e a diversidade dos presentes reafirmaram a necessidade de ampliar espaços como este, capazes de conectar jornalistas, comunicadores, lideranças e organizações em torno de um desafio comum: construir narrativas que não apenas expliquem a transição energética, mas que também inspirem sociedades a desejá-la e defendê-la.