Tá na moda ser autista agora?
Entre visibilidade e espetáculo, a pauta do autismo cresce, mas ainda carece de profundidade, escuta real e continuidade.
Tô aqui, bem de cantinho, observando uma movimentação enorme, super assistencialista, crescendo de forma absurda; gente “tirando vantagem”, fazendo uma certa espetacularização da pauta que esvazia totalmente quem vive o autismo no dia a dia.
Sim, aquele que ninguém quer ver. Aquele que, geralmente, quem sustenta é a mãe — muitas vezes exausta, com o pé na cova — porque o autismo atravessa o corpo dela através do filho, dos desafios da existência dele nesse contexto Brasil.
De fora, na minha posição de não autista e ativista, fico na dúvida: eu cobro aprofundamento ou ajudo a propagar o raso porque é o que temos pra hoje?
O que sei é que não é de hoje que nosso movimento de pessoas com deficiência tem dificuldade em se aprofundar. As movimentações existem? SIM. Mas são extremamente isoladas: tira a foto no dia da data e acabou. Esvaziamento.
Triste demais. E só fico pensando: quando é que vamos ter esse tipo de CONVERSA ESTRANHA?