Desigualdade racial em Hollywood pensando acesso, reconhecimento e poder no Oscar
Análise sobre o racismo estrutural em Hollywood, que limita papéis e reconhecimento de atores negros.

Por Gabriel Freitas Ferreira Santana e Tabasco
Em 96 anos de história, menos de 50 pessoas negras ganharam a estatueta, e esse número diminui ainda mais nas categorias principais de melhor ator e atriz, sendo a maioria das vitórias nas categorias de coadjuvante. Hattie McDaniel, primeira ganhadora negra na categoria de atriz coadjuvante, ganhou o prêmio pelo papel como a empregada Mammy no filme ‘E o vento levou’ (1939), e demorou 29 anos para que Sidney Poitier ganhasse na categoria de ator principal pelo seu papel em ‘Acorrentados’ (1958). Uma disparidade gigantesca.
Não é de hoje que a escolha de atores ‘em alta’ se tornou mais importante para o mercado do cinema. Isso tudo pela cultura como um status, utilizando-se de atores famosos que em sua maioria são homens brancos, tornou-se mais relevante do que entregar papéis diferenciados a quem poderia, de fato, dar a vida pelo personagem.
Isso não é só falta de investimento em novas estrelas; é também a negação de espaços e uma fortíssima omissão aos atores e atrizes negras, o que revela uma estrutura racista que externaliza suas práticas de forma indireta. Ainda que seja um ótimo ator, é possível perceber que o Timothée Chalamet ocupa lugares, premiações e espaços que atores como Daniel Kaluuya ou LaKeith Stanfield não ocupam.
É um retrato que nos faz pensar no paralelo entre Viola Davis e Meryl Streep. Como a própria Viola disse: “Eu tenho a mesma carreira que a Meryl Streep, Julianne Moore, Sigourney Weaver. Mas eu não chego nem perto delas em termos de salário ou oportunidades de trabalho.” A partir daí, é necessário pensar: o Oscar é praticamente um prêmio dado antes da premiação. A vitória não acontece na entrega dos troféus, mas na entrega dos papéis. Quanto mais perto de um papel de destaque, mais perto do Oscar. E quem são as pessoas que têm permissão para ocupar esses espaços?
Outro exemplo da desigualdade entre pessoas brancas e negras durante a premiação se dá nos próprios raros casos que uma delas vencem, como foi dito por Halle Berry em entrevista para o The Cut e Lupita Nyong’o para CNN.
Então mesmo quando são vencedores, não tem nenhuma mudança para o tipo de oferta ou expectativas que são colocadas em cima de pessoas negras no cinema hollywoodiano. Não existe espaço ou chance para que elas ocupem o mesmo espaço que atores brancos.
Texto produzido em colaboração a partir da Comunidade Cine NINJA. Seu conteúdo não expressa, necessariamente, a opinião oficial da Cine NINJA ou Mídia NINJA.