Renate Reinsve: da rejeição a musa do diretor Joachim Trier

Um dia antes de desistir de seu sonho de atriz, Renate recebe uma ligação do diretor com o papel que transformaria sua carreira.

Por Ana Victoria Almeida

Foto: Christian Belgaux

De acordo com Joachim Trier, diretor de Sentimental Value, a câmera consegue ler a mente de sua musa, Renate Reinsve.

Mas essa sintonia afinada demorou muito tempo para ser construída — e também conquistada.

Renate nasceu na cidade de Solbergelva, na Norway, e, aos dezessete anos, fugiu para a Scotland, onde morou por um ano.

A atriz escolheu a Escócia por uma única e simples razão: era a passagem mais barata. Estava em busca de um recomeço. Em Edinburgh, trabalhou em um bar e em um hostel para conseguir se sustentar.

Em sua cidade natal, havia sido expulsa da escola, já que só se interessava pelo teatro e demonstrava total descaso pelas outras matérias.

Desejava enxergar sua própria vida pelo buraco da fechadura — vê-la à distância, para ganhar alguma nova perspectiva sobre seus conflitos internos.

Afinal, sua maior inspiração era a grande Isabelle Huppert. Desejava ser forte e confiante como ela.

A admirava com brilho nos olhos. Perguntava-se como uma mulher podia estar tão no controle e, ao mesmo tempo, ser tão livre e espontânea.

Mais tarde, Renate se inscreveu na Oslo National Academy of the Arts e, ainda como estudante, atuou em seu primeiro papel.

Em 2011, fez sua estreia em Oslo, August 31st, dirigido por Joachim Trier.

No filme, tinha apenas duas falas — e não poderia imaginar que Trier se tornaria seu maior parceiro nas artes.

Ao longo dos anos, Renate encontrou trabalho recorrente no teatro, mas nunca parecia se encaixar nos requisitos para se tornar uma estrela de cinema.

Era péssima em audições e sempre se considerou muito nerd. Achava que jamais seria apta a se tornar a “garota do momento”.

Quando Renate já havia desistido do sonho, Trier foi em busca dela.

Como contou a própria atriz, recebeu uma ligação do diretor um dia após ter oficialmente desistido de sua carreira.

Naquela ligação, Trier a convidou para protagonizar Julie em The Worst Person in the World. Não foi apenas um convite, mas um chamado. O diretor havia escrito o papel exclusivamente para ela.

O papel transformou sua vida por completo. Em 2021, Renate foi consagrada como Melhor Atriz no Cannes Film Festival.

A confiança em seu potencial e talento veio, primeiro, de fora.

Tanto que a atriz já contou que, durante as filmagens, muitas vezes pensava que o diretor poderia dispensá-la a qualquer momento.

Hoje, Renate brilha cada vez mais — e acredita na própria chama. Uma chama que já foi apagada inúmeras vezes e que, justamente por isso, se tornou tão potente.

Texto produzido em colaboração a partir da Comunidade Cine NINJA. Seu conteúdo não expressa, necessariamente, a opinião oficial da Cine NINJA ou Mídia NINJA.