Foto: Reprodução/ Sony Pictures Classics

Por Beatriz Carvalho

‘Blue Moon’ (2025) gira em torno de Lorenz Hart (Ethan Hawke) e a sua batalha contra o alcoolismo e a saúde mental enquanto tenta sobreviver a noite de estreia do musical ‘Oklahoma!’, composto por seu antigo parceiro, Richard Rodgers (Andrew Scott). Além do filme ser um ótimo exemplo de estudo de personagem, ele é, acima de tudo, uma homenagem à história da Broadway e a esses compositores que definiram o gênero musical do século XX.

No entanto, de uns tempos pra cá, os grandes estúdios de Hollywood tem escondido em suas campanhas de marketing que alguns de seus filmes são musicais. Foi o caso de ‘A Cor Púrpura’ (2023), ‘Meninas Malvadas’ (2024) e em ‘Blue Moon’ que, mesmo que não apresente grandes números musicais, ancora grande parte de sua narrativa nas músicas e na história dos grandes musicais e compositores da Broadway.  

Se hoje em dia os musicais no cinema tendem a cair no esquecimento, há algumas décadas essa situação era diferente. Durante a década de 1950, os filmes musicais eram muito famosos não só em Hollywood, mas no Brasil também. Além do povo brasileiro adorar a estética dos filmes estadunidenses, muitos cineastas brasileiros da época também tentavam incorporar essa estética ao nosso cinema, às nossas músicas e aos nossos costumes, como é o caso do filme ‘Carnaval Atlântida’ (1952). 

Foto: ‘Carnaval Atlântida’ (1952) – The Movie Database (TMDB)

Apesar de ‘Blue Moon’ ser um deleite para os fãs de musicais, com as suas inúmeras referências a famosos musicais da Broadway, como ‘Oklahoma!’, ‘A Connecticut Yankee’ e ‘By Juniper’ – além de fazer ode aos maiores compositores do teatro musical, como o próprio Lorenz Hart, Richard Rodgers, Oscar Hammerstein e uma breve aparição de Stephen Sondheim – o filme raramente transforma a admiração, que transborda a cada minuto do filme, em espetáculo. Ao contrário de produções como ‘Cabaret’ (1972), ‘Chicago’ (2002) e ‘La La Land’ (2016), que usufruem de seus números musicais como motores dramáticos da narrativa, ‘Blue Moon’ opta por manter a música como memória, mas não como a força central da encenação. 

Até mesmo ‘Pecadores’ (2025), que apesar de não ter sido listado como um musical, entrega um número muito mais bem elaborado do que ‘Blue Moon’ (2025). É curioso pensar que um filme que celebra a história dos musicais na Broadway raramente abraça a arte do espetáculo. Aqui também vale uma outra reflexão: os filmes musicais atuais, até mesmo quando bem produzidos, parecem ter cada vez menos espaço no Oscar. 

Por fim, apesar de ‘Blue Moon’ combinar drama humano, nostalgia e homenagens, ele evidencia a impressão de que Hollywood parece meio incerta sobre como vender, ou até mesmo, produzir grandes musicais para o cinema atual. Para além da crítica, ‘Blue Moon’ nos faz pensar sobre como a memória cultural da Broadway e de seus compositores continua perceptível, embora o espetáculo em si seja cada vez mais inabitual nas telas de cinema.

Texto produzido em colaboração a partir da Comunidade Cine NINJA. Seu conteúdo não expressa, necessariamente, a opinião oficial da Cine NINJA ou Mídia NINJA.