Foto: Atsushi Nishijima/Focus Features

Por Losa Breu

A partir do literário clássico antes da era comum, bugonia, traduzida como “nascida de um boi morto”, fazia parte do imaginário social dos antigos como um ritual capaz de restaurar um enxame perdido. Algo brutal que resultava em uma nova vida, como um renascimento do que nunca deveria ter morrido. Em 29 a.C., as Geórgicas, de Virgílio, descrevem a crença de um ritual brutal onde a carcaça de um animal, o mais comum sendo o boi, serviria para dar origem a novas abelhas.

Dirigido por Yorgos Lanthimos, Bugonia conta a história de Michelle, CEO do grupo farmacêutico Auxolith, que é sequestrada por dois homens obcecados por teorias da conspiração, Teddy e Don. A mãe de Teddy, Sandy, ficou em coma por conta de um projeto da empresa de Michelle e isso desencadeou traumas em Teddy.

Os dois homens estruturam o plano de sequestro porque acreditam que Michelle é uma alienígena e assim poderiam forçá-la a restaurar o equilíbrio na humanidade, visto que os alienígenas são causadores das mortes de abelhas e das desgraças na humanidade. No fim, descobrimos que Michelle é realmente uma alienígena e que os humanos são a espécie destruidora de sua própria existência. A alienígena decide exterminar os humanos, mas mantém a outra vida animal e vegetal na terra. 

Fora da ficção, podemos fazer um paralelo com os dados alarmantes da mortalidade de abelhas, com registros de perdas extremamente significativas sendo a causa principal os agrotóxicos e o desmatamento. Os humanos são responsáveis pela própria destruição, mas preferem acreditar que tudo faz parte de uma razão mística ou destino. 

No filme, o sacrifício para manter a Terra são os humanos; e, no ritual antigo, são os animais não humanos. Bugonia atravessa o mito como uma denúncia ao ego do ser humano e a autodestruição, porque sem as abelhas e a natureza não existirá qualquer vida. O ser humano é o único animal que destrói a natureza.

Texto produzido em colaboração a partir da Comunidade Cine NINJA. Seu conteúdo não expressa, necessariamente, a opinião oficial da Cine NINJA ou Mídia NINJA.