Como a Agroecologia enfrenta as mudanças climáticas?
Articulação Nacional de Agroecologia, Agroecologia em Rede, Xepa Ativismo e Clímax.Now lançam, na próxima terça-feira (03/03), a série “Agroecologia, Território e Justiça Climática”. Serão cinco matérias sobre experiências de agroecologia que estão enfrentando as mudanças climáticas em diferentes biomas do Brasil.
Por Priscila Viana
O mapeamento nacional inédito realizado pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), de abril a junho de 2025, reforçou a percepção de que os caminhos para o enfrentamento das mudanças climáticas e para a garantia da soberania e segurança alimentar e nutricional são diversos e traçados diretamente nos territórios.
Seja no âmbito da mitigação – que reduz as emissões de gases de efeito estufa – seja na dimensão da adaptação climática – que representa os ajustes necessários para conviver com as mudanças do clima – as mais de 500 iniciativas mapeadas comunicam uma série de estratégias coletivas de construção de sistemas alimentares baseados em valores como cooperação, solidariedade e complementaridade com a natureza.
Para compartilhar inspirações e potencializar narrativas na perspectiva da agroecologia que despontam da vida nos territórios, a ANA, em parceria com o Agroecologia em Rede, a Xepa Ativismo e o Clímax.Now, publica na Mídia Ninja a série “Agroecologia, Território e Justiça Climática”. Nas próximas terças-feiras (dias 3, 10, 17, 24 e 31 de março), serão publicadas cinco matérias – uma por semana – com informações e relatos de experiências representativas de diferentes biomas do Brasil.
O olhar para a crise climática sob a perspectiva agroecológica se faz urgente e estratégico devido a uma realidade alarmante: as formas predominantes de plantio, colheita, beneficiamento, empacotamento, distribuição e consumo são os principais motores das mudanças climáticas no Brasil.
Segundo dados do Relatório de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa dos Sistemas Alimentares, em 2021, os sistemas alimentares corresponderam a mais de 73% das emissões brutas de Gases de Efeito Estufa (GEE) no país.
É necessário desmascarar o marketing das falsas soluções revestidas de “responsabilidade ambiental”, amplamente disseminadas pelo agronegócio e pelas grandes corporações alimentares e denunciar essas engrenagens do sistema alimentar hegemônico. Ao mesmo tempo, é urgente anunciar as experiências que demonstram como o “modo agroecológico” de se relacionar com a natureza para organizar a produção, a distribuição e o consumo de alimentos promove a soberania e a segurança alimentar e nutricional e a saúde coletiva, além de criar as reais e urgentes soluções para as emergências climáticas.
Mais que números e resultados, as matérias da série “Agroecologia, Território e Justiça Climática” contam as histórias de quem resiste por meio do cuidado com a terra, da produção sustentável de alimentos saudáveis e da construção coletiva de caminhos para promover justiça climática no planeta.
Mapeamento nacional
Os dados e informações sobre as 503 experiências identificadas pela ANA no mapeamento nacional podem ser acessados na plataforma Agroecologia em Rede, onde já estão cadastradas mais de 6 mil práticas agroecológicas de todo o Brasil e da América Latina. Os principais resultados e análises do mapeamento também estão disponíveis na publicação “No Clima da Agroecologia”, elaborada em português, espanhol e inglês. O material foi apresentado no 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), na COP30, na Cúpula dos Povos e em outros espaços globais de diálogo e ação pela justiça climática.



