Por João Catolé

Ruas lotadas, turismo em alta e uma catarse coletiva que toma conta da cidade: o carnaval de rua carioca segue mais vivo do que nunca. Mas, para além da folia, das bandas afinadas e das fantasias criativas, há um personagem essencial para que a festa aconteça: os vendedores ambulantes.

Os produtos oferecidos por esses trabalhadores vão de bebidas como cerveja, água e destilados a lanches artesanais. Mais do que abastecer os foliões, eles também integram a própria cultura do carnaval de rua carioca: animam a multidão com caixas de som, brincadeiras com o público e o tradicional aviso de “olha o pesado!”.

Kelvin durante o bloco “Não Monogamia Gostoso Demais” na Zona Portuária do Rio

Antonio Carlos, mais conhecido pelo codinome artístico “Doisbxd”, reflete sobre sua experiência trabalhando pela primeira vez em Santa Teresa:

“Em 2026, o carnaval foi muito lucrativo. Vi os blocos de outra perspectiva: coisas que o próprio carioca costuma discriminar, os gringos valorizam. Por exemplo, quando você passa pelas ruas gritando ‘olha o pesado!’, eles começam a gritar junto, ajudam a levar o carrinho e a divulgar a mercadoria. Hoje, os camelôs fazem parte da atração do carnaval de rua.”

Antônio Carlos (Doisbxd) durante o bloco “Aconteceu” em Santa Teresa

Mas, apesar da festa, esses trabalhadores enfrentam diversos obstáculos para colocar seus produtos na rua: o sol intenso, as barreiras formadas pela multidão e o esforço físico de carregar mercadorias, muitas vezes por distâncias que atravessam bairros inteiros.

Outro entrave é a autorização para vender. Embora o carnaval seja um evento popular, muitos ambulantes lutam para obter regularização e, quando não estão devidamente cadastrados, correm o risco de ter seus produtos apreendidos. É o que relata Igor Henrique:

“Trabalhar no carnaval como ambulante é bom. Não é perfeito, mas dá para tirar um dinheiro. Tem uma parte boa e outra ruim: mesmo trabalhando, você se diverte nos blocos, faz amizades. A parte ruim é a implicância dos guardas. Se pegarem no seu pé, chegam a apreender a barraca e toda a mercadoria. Também vejo muito roubo e briga nos blocos, o que acaba atrapalhando a festa.”

Igor Henrique durante o bloco “Não Monogamia Gostoso Demais” na Zona Portuária do Rio