MST celebra a Acadêmicos do Tatuapé, que desfilará entre as campeãs do Carnaval de SP
Escola de samba levou o tema da luta pela terra e da agricultura familiar ao Anhembi e foi classificada em 4º lugar na disputa pelo título entre as campeãs.
O Grêmio Recreativo Acadêmicos do Tatuapé, da zona leste de São Paulo, conquistou a quarta colocação entre as escolas de samba na disputa do Carnaval de 2026 e estará presente no sambódromo do Anhembi neste final de semana para o Desfile das Campeãs.
Com o samba-enredo “Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra”, a agremiação celebrou a luta histórica do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o papel estratégico da agricultura familiar para o Brasil.
Mais de 200 militantes Sem Terra integram o desfile da escola, compondo principalmente as alas do cacau e do arroz, que representam a produção de alimentos saudáveis cultivados pelas mãos de camponeses e camponesas de todo o país. O último carro alegórico, intitulado “Festa na Roça”, traz flores, além de duas toneladas de frutas e alimentos cultivados por 76 famílias do Assentamento Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Luiz Davi de Macedo, em Apiaí (SP).
A narrativa construída pela escola foi um resgate histórico necessário. O desfile teve início com a representação da ancestralidade indígena na luta pela terra e seguiu retratando as famílias camponesas e a agroecologia. A crítica ao modelo do agronegócio — que controla sementes e impõe o uso massivo e violento de agrotóxicos — foi apresentada de forma sofisticada, demonstrando que a luta pela terra, hoje, é também uma luta pela saúde pública e pela preservação do meio ambiente.
“O Carnaval, além de festa, é historicamente um espaço de resistência, onde as vozes silenciadas ganham destaque em nível nacional. Tratar desse assunto cumpre papéis fundamentais, tornando a discussão acessível para milhões de brasileiros. Colocar o trabalhador do campo, o sem-terra, no centro do ‘maior espetáculo da Terra’ é um ato político e uma forma de pautar nossa identidade brasileira. A questão da terra é a base de quase todos os nossos problemas sociais históricos. Discuti-la é discutir a própria formação do Brasil”, afirmou Carla Loop, da coordenação nacional do Coletivo de Cultura do MST.
Celsinho Mody, intérprete que conduziu a escola com muita garra, traduziu o sentimento de quem sabe que o microfone é uma arma. “Foi uma honra passar nessa passarela do samba tão sagrada, em que muitos pretos antigos lutaram para que a gente chegasse até aqui, com a minha escola de samba, representando a luta do nosso povo trabalhador. A luta é a nossa vida, e muito obrigado a vocês [do MST] por fazerem essa luta, de coração. Eu cantei com o meu coração para trazer um grande resultado.”
Programação do Desfile das Campeãs
Confira a ordem do Desfile das Campeãs, que reúne nove escolas: as duas primeiras colocadas do Grupo de Acesso II, as duas primeiras do Grupo de Acesso I e as cinco primeiras do Grupo Especial.
Sábado (21/02)
20h — X-9 Paulistana
20h45 — Morro da Casa Verde
21h30 — Pérola Negra
22h20 — Acadêmicos do Tucuruvi
23h10 — Dragões da Real
Domingo (22/02)
0h10 — Acadêmicos do Tatuapé
1h10 — Mocidade Alegre
2h10 — Barroca Zona Sul
3h10 — Gaviões da Fiel



