Carnaval em tempos de altas temperaturas
Como o Carnaval de rua e seus foliões estão se adaptando a cidades cada vez mais quentes.
Por João Catolé
Enquanto as temperaturas batem recordes, moradores das grandes cidades passam a buscar estratégias para continuar ocupando o espaço público, que se torna cada vez mais hostil em dias de calor excessivo.
Não poderia ser diferente durante o Carnaval de rua, quando os efeitos do calor são agravados pela aglomeração que toma conta dos blocos nas cidades.

As estratégias para sobreviver a essas condições se multiplicam: a busca por locais sombreados, sob a copa das árvores (quando há), ou até o abrigo improvisado sob sombrinhas e guarda-sóis dos ambulantes.
Outro item indispensável são os leques. O que a princípio surge como tendência cultural e estética passa a se tornar um objeto obrigatório para se refrescar em meio à multidão, quando nenhuma brisa consegue atravessar a massa de foliões.


O uso da água, seja nos pontos de hidratação promovidos pela prefeitura, seja nos improvisados no meio das ruas, torna-se uma estratégia que quase reformula a própria festa. Onde quer que surja um local para se refrescar, cria-se uma celebração à parte, uma catarse coletiva em meio ao grande caldeirão humano.



Para além das inúmeras estratégias para driblar o calor, em tempos de adaptação climática o Carnaval também passa por um processo de reinvenção. Blocos “secretos” que optam por sair durante a madrugada, quando o sol ainda não nasceu; mudanças de rota para evitar as áreas mais áridas da cidade; entre outras soluções, vêm alterando a morfologia do Carnaval de rua. A tendência é que essas transformações se tornem cada vez mais presentes na logística da festa popular.




