Ludmilla celebra carnaval temático “Ritmos” e transforma folia em turnê pelo Brasil, confira entrevista especial concedida pra a NINJA
Ludmilla transforma carnval em turnê pelo Brasil. Confira entrevista para o Poderes Pretos

Ludmilla revelou que o tema do seu carnaval de 2026 será “Ritmos”, uma homenagem aos gêneros brasileiros que marcaram sua trajetória desde a infância, como axé, samba, funk, sertanejo e tecnobrega, reforçando sua ligação afetiva e artística com a música nacional.
A maratona começou ontem (12) em Salvador, com o Fervo da Lud estreando no circuito Barra-Ondina, seguido de apresentação no Camarote Glamour no dia 13, passa por Recife no dia 14, por São Paulo e Belo Horizonte no dia 15 e chega ao Rio de Janeiro entre 16 e 21, com shows no CarnaRildy, Camarote Alegria, Fervo da Lud no circuito Preta Gil – que deve arrastar mais de um milhão de foliões – Camarote Arpoador, Baile das Máscaras e Camarote Aura.
Segundo a equipe da artista, o carnaval de Ludmilla deve somar cerca de 24 horas de apresentações ao vivo e mobilizar mais de mil profissionais em uma operação que percorre aproximadamente 4.600 quilômetros em poucos dias, consolidando o Fervo da Lud como uma verdadeira turnê de alto impacto cultural e logístico pelo país.
Em entrevista especial para a Mídia NINJA, Ludmilla compartilha pontos de vista importantes sobre o carnaval e sua carreira, confira:
MN – Lud, o seu Carnaval este ano homenageia os ‘Ritmos do Brasil’. Como mulher negra que veio da baixada e conquistou esse espaço, como você enxerga a importância política de ocupar o posto de dona de um dos maiores megablocos do Rio, celebrando ritmos que muitas vezes foram marginalizados antes de chegarem ao mainstream?
L – Quando eu pensei nesse tema, pensei muito na minha história mesmo. No que eu ouvi em casa, nas festas de família, no som que tocava na rua, no que formou quem eu sou. E, claro, isso acaba tendo um peso simbólico, porque mostra que essas sonoridades, que por muito tempo foram vistas de forma menor, sempre tiveram força e merecem esse lugar de destaque. É a minha história, e a de muita gente, ocupando um espaço gigante com alegria e orgulho.
MN – Sua operação de Carnaval envolve mais de mil profissionais e uma logística de guerra. Como você encara sua faceta empresária e a responsabilidade de ser uma das maiores empregadoras de corpos negros no entretenimento brasileiro hoje?
L – Eu levo esse meu lado empresária muito a sério. Por trás da festa tem muita gente trabalhando, muitas famílias envolvidas, muitos sonhos também. Saber que o meu bloco gera emprego, renda e oportunidade pra tanta gente, principalmente corpos pretos, me dá um senso enorme de responsabilidade. Eu tenho muito orgulho disso!
MN – Muitas vezes, artistas negros são colocados em ‘caixas’ musicais. Nessa homenagem, ao transitar pelo frevo, tecnobrega e pagode nesta turnê, você está reafirmando que a criatividade preta é plural. Como você sente que essa liberdade artística dialoga com a sua liberdade de ser uma mulher LGBT e autêntica em tudo o que faz?
L – Nunca gostei de me sentir presa em uma caixinha, nem musicalmente, nem na vida. Cresci ouvindo de tudo, então é natural pra mim transitar por vários ritmos. Essa liberdade criativa conversa muito com quem eu sou como pessoa: uma mulher preta, bissexual, que aprendeu a se aceitar, a se respeitar, se amar e a não pedir desculpa por ser autêntica. Quando eu canto o que eu quero, do jeito que eu quero, eu também estou vivendo minha liberdade pessoal. Uma coisa alimenta a outra.
MN – O Fervo da Lud é o maior bloco liderado por uma artista preta no país. Como você enxerga o seu papel na abertura de caminhos para que outras artistas negras não sejam apenas ‘atrações’, mas sim as principais tomadoras de decisão e detentoras dos direitos de seus próprios projetos de larga escala?
L – Eu vejo meu papel muito mais como alguém que abre caminho mostrando que é possível. Não quero ser exceção. Quero que outras artistas negras se vejam nesses espaços e pensem: “eu também posso liderar, decidir, comandar meu próprio projeto”. Ser a dona do meu bloco, participar das decisões, entender de contrato, de produção, de tudo… isso muda o jogo. Quanto mais mulheres negras ocupando esses lugares de poder, mais o mercado vai ter que se adaptar à nossa presença, e não o contrário.
MN – Recentemente, você se negou a falar com veículos que reforçam estereótipos racistas. Para o público jovem que te vê como referência, qual a importância de estabelecer esses limites e mostrar que o sucesso não exige que aceitemos desrespeito ou silenciamento?
L – Estabelecer limites foi um aprendizado importante pra mim. Durante muito tempo, parece que a gente precisa aceitar tudo pra manter o sucesso, e isso não é verdade. Quando você diz “não” pra situações que te diminuem ou te estereotipam, você está se respeitando. Pro público jovem, acho importante mostrar que sucesso não pode custar a sua dignidade. Dá pra chegar longe sendo firme, sendo claro e escolhendo onde e com quem você quer estar.
Veja o calendário do “Carnaval da Lud”:

FOTO: Divulgação



