O capitalismo odeia árvores
Árvores centenárias derrubadas no Bennett expõem o choque entre capital imobiliário, patrimônio e crise climática.
Um novo empreendimento imobiliário, no terreno do antigo Colégio Bennett, no Flamengo, tem causado polêmica no Rio de Janeiro. Com o objetivo de erguer um condomínio residencial de alto padrão, com 439 apartamentos, a empresa responsável simplesmente derrubou cerca de 70 árvores, algumas centenárias e raras, como o pau-brasil.
No ano passado, protocolei pedidos de esclarecimento no IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), no INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) e no IRPH (Instituto Rio Patrimônio da Humanidade) sobre essa situação. A preocupação era com o impacto ambiental e cultural da obra, já que o prédio é tombado como patrimônio histórico. Nos ofícios, solicitei ainda a interrupção de qualquer intervenção no local até que os devidos esclarecimentos fossem prestados. Infelizmente, a obra não foi paralisada.
A retirada das árvores compromete a cobertura verde da região e afeta diretamente a fauna local, já que diversos pássaros, saguis e outros pequenos animais faziam delas seu habitat. O estado do Rio de Janeiro possui atualmente uma cobertura florestal nativa da Mata Atlântica de aproximadamente 30%. Dados de relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) indicam que as principais causas do aquecimento global são a queima de combustíveis fósseis — derivados do petróleo, carvão e gás —, mas também o desmatamento.
Foi para contribuir no enfrentamento da crise climática que, no ano passado, apresentei na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro o Projeto de Lei nº 4.764/2025. O PL estabelece prazos exequíveis para que o estado alcance 40% de cobertura de floresta nativa até 2040.
Enquanto a lei não é aprovada, cabe à resistência da sociedade civil ocupar esse espaço, como têm feito as professoras Ana Paula Conde e Elisa Borges, entre tantas outras pessoas, no caso do antigo Bennett. Neste sábado, 10 de janeiro, um grande protesto está sendo convocado em frente ao terreno, no Flamengo. Espero que a força da sociedade consiga superar o poder do capital e a inércia da prefeitura.