
Despacho para o Futuro: Exposição de Felipe Risada traz arte urbana e espiritualidade para SP
Disponível a partir do dia 15 de março de 2025, na Sala 24 de Maio, a exposição é resultado de uma intensa residência artística vivida no centro da cidade
A partir do dia 15 de março de 2025, a Sala 24 de Maio, em São Paulo, recebe a exposição “Despacho para o Futuro”, do artista plástico paulistano Felipe Risada. Com curadoria de Eduardo Saretta, a mostra apresenta sete telas de grandes dimensões, resultado de uma intensa residência artística vivida pelo artista no centro da cidade. A entrada é gratuita.
Com 20 anos de trajetória no graffiti, Risada construiu uma estética marcada pela fusão entre cultura suburbana, espiritualidade e arte de rua. Em suas obras, elementos do pixo, do cartaz de protesto e da xilogravura nordestina se misturam a símbolos da umbanda e do imaginário popular brasileiro.

Arte, resistência e ritual urbano
Em “Despacho para o Futuro”, Risada invoca entidades e signos ancestrais, criando oferendas caligráficas que refletem tanto a sabedoria popular quanto a potência ritualística das práticas urbanas.
Suas pinturas evocam arquétipos de proteção, temor e transcendência, estabelecendo um diálogo com a xilogravura nordestina, o construtivismo popular e o imaginário místico brasileiro. A exposição se insere em uma linhagem de artistas que ressignificam ícones da cultura visual popular, como Rubem Valentim e J. Borges, ao mesmo tempo em que dialoga com a estética gráfica do pixo, do cartaz de protesto e da arte de rua.

Durante dois meses, o artista mergulhou na energia pulsante das ruas de São Paulo, transformando essa vivência em telas que refletem a cidade e suas contradições. A exposição traz uma paleta cromática reduzida – preto, branco e vermelho – remetendo à comunicação visual das lutas populares.
Segundo o texto de Renato De Cara, que acompanha a mostra, “Despacho para o Futuro” é uma “liturgia imagética” que revisita o passado e lança oferendas simbólicas ao futuro, celebrando a resistência e a reinvenção da arte urbana.