São Paulo, 20 de março de 2026 – A maior mobilização de pessoas transmasculinas nas ruas do país e do mundo acontecerá no próximo 29 de março, com a realização da 3ª Marcha Transmasculina de São Paulo. O ato, que partirá em frente ao MASP, na Avenida Paulista, tem como tema “Direitos Já” e deve reunir milhares de pessoas transmasculinas, aliades e apoiadores para reivindicar direitos historicamente negligenciados.

Após duas edições, a Marcha se consolidou como um importante espaço de mobilização por reconhecimento, visibilidade e respeito para a comunidade transmasculina — uma população que ainda enfrenta profundo apagamento histórico, tanto de trajetórias de organização política quanto da pluralidade de identidades e demandas.

Nesse contexto, o ato se reafirma como um chamado público para que essas pautas sejam incorporadas às agendas políticas e às políticas públicas, especialmente em um ano eleitoral.

“O apagamento das nossas vidas é intencional para nos enfraquecer. Somos invisibilizados em diferentes espaços, e a Marcha Transmasculina é uma resposta à exclusão e à violência. É onde nos tornamos um corpo coletivo, ocupando a rua para gritar, em uma só voz, que existimos e estamos resistindo. Neste ano, foi aprovado em assembleia que apenas pessoas transmasculinas vão falar no trio, uma estratégia política de embate para que, neste ano eleitoral, nossas vozes sejam ouvidas de maneira amplificada, gritando por direitos já. E, se forem falar sobre nós, que falem a partir das nossas demandas, diversidade e força”, compartilha Ravi Spreizner, coidealizador da Marcha Transmasculina.

Organizado pelo Instituto Brasileiro de Transmasculinidades de São Paulo (IBRAT-SP), o evento é construído de maneira popular, horizontal e autogestionada, a partir de assembleias e comissões que atuam em diferentes frentes, como cultura, acolhimento e inclusão, comunicação, segurança, bloco indígena, entre outras. Neste ano, a Marcha conta com apoio da Nix Diversidade e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.

“Não há democracia enquanto nossos corpos forem alvo de violência sistemática. Não aceitaremos ser colocados como o espantalho discursivo de debates eleitorais por aqueles que não têm compromisso com a luta pelas nossas vidas. Nós também somos parte da classe trabalhadora deste país e exigimos o que nos é de direito: acesso real à educação, saúde, renda, moradia e segurança. As transmasculinidades estão em marcha. Direitos já!”, afirma Kyem Ferreiro, coordenador do IBRAT-SP.

Música oficial da Marcha

Foto: Íra Barillo (@irabarillo)

Pela primeira vez, a mobilização terá uma música oficial, intitulada “Marcha”, composta pelos artistas transmasculinos Gabrelú, Dj Garu e pela dupla Pamka. A canção convoca a população a ouvir as vozes das transmasculinidades e reforça o caráter coletivo e político da Marcha Transmasculina. Ouça aqui.

Histórico e continuidade da luta

A 1ª Marcha Transmasculina de São Paulo, realizada em 2024, marcou um momento inédito na história do movimento trans no Brasil e no mundo, levando mais de 10 mil pessoas à Avenida Paulista para reivindicar visibilidade e direitos, de acordo com dados da PM e da CET.

Já em 2025, a segunda edição reafirmou seu compromisso com a luta pelo acesso digno a políticas públicas essenciais, como saúde, trabalho, moradia e educação, reunindo mais de 7 mil pessoas nas ruas da capital paulista.

IBRAT-SP: o protagonismo transmasculino na luta por direitos

O IBRAT-SP é uma organização de referência na luta pelos direitos da população transmasculina, promovendo articulações políticas, ações de saúde pública e iniciativas culturais voltadas ao fortalecimento da comunidade. Fundado em 2013 e reestruturado em 2020, o instituto tem como objetivo principal garantir visibilidade e políticas públicas para transmasculines, articulando-se com movimentos sociais, ativistas e parlamentares.

Além de sua atuação na Frente Parlamentar LGBTQIA+, no Comitê Municipal de Saúde LGBTQI+, e Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT de São Paulo, o IBRAT-SP promove eventos para a comunidade transmasculina, como o ECAT – Encontro de Crianças e Adolescentes Trans, Papo Transitinerante Vozes da Terra – que em sua última edição abordou transmasculinidades em retomada indígena, e Nossos Corpos em Movimento, que abordou saúde mental e física para pessoas trans.Outra frente de atuação é a formulação de pesquisas, como a que está acontecendo agora em parceria com a Unifesp que busca investigar o acesso e às consequências do uso de testosterona em pessoas transmasculinas na cidade de São Paulo.

A Marcha é fruto de um trabalho contínuo do movimento transmasculino, que há anos vem construindo espaços de luta e resistência.

SERVIÇO

3ª Marcha Transmasculina de São Paulo

Data: 29 de março de 2026

Horário: 14h

Local: Em frente ao MASP – Avenida Paulista, São Paulo