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Como proteger a pessoa que não quer financiar o tráfico e resolve cultivar cannabis para consumo próprio? Ou pais que plantam para fabricar remédios para seus filhos? Qual o malefício que esses cidadãos causam à sociedade?

Foi a partir dessas questões que em 2002 nasceu o Growroom, com o objetivo de ajudar os cultivadores de cannabis pelo Brasil afora.

Em pleno ano de 2017, não é mais aceitável que usuários, recreativos ou medicinais, não possam adquirir sementes, que ainda não se tenha uma regulação das associações ou clubes de cultivo e que medicamentos não possam ser fabricados ou estudados em nosso país.

Incentivamos o auto-cultivo de cannabis porque é uma política eficiente de redução de danos. Ela permite que o usuário deixe de ser refém do sistema vigente, quebrando assim o vínculo com uma cadeia que culmina no tráfico e, consequentemente, no financiamento do crime organizado e da Guerra às Drogas.

 

Cada cultivador que planta sua cannabis de forma independente é um cliente a menos do narcotráfico.

O cultivador não é um traficante, não faz comércio de suas plantas, não estimula o uso por outras pessoas, não contribui para o ciclo de violência ou financiamento de redes de tráfico e muito menos é um perigo à sociedade. O cultivador tem menos acesso às drogas mais fortes, exatamente o contrário do falso argumento de que a cannabis é a “porta de entrada” para outras drogas.

O tráfico de drogas que é a porta de entrada para outras drogas.

 

Uma série de países pelo mundo reconhece e regulamenta de forma legal, parcial ou totalmente, o uso medicinal, recreativo e o potencial de exploração da maconha como matéria prima.

O Brasil vai na contramão dessa tendência, privando a sociedade da liberdade individual de escolha, promovendo a segregação religiosa, limitando pesquisas científicas para maior conhecimento e exploração dos potenciais medicinais e econômicos e privando portadores de esclerose ou câncer, por exemplo, de terem acesso a um medicamento comprovadamente eficaz.

A cannabis é a substância ilegal mais consumida no mundo, com aproximadamente 160 milhões de consumidores regulares.

No Brasil acredita-se que haja por volta de seis milhões de consumidores regulares de cannabis, por seus mais variados motivos, seja de forma recreativa, motivação religiosa ou necessidade médica. Com a proibição, estamos prendendo, segregando, discriminando e criminalizando socialmente uma considerável parcela da nossa sociedade.

A tendência global é uma total e completa revisão das políticas de proibição da cannabis, que se mostrou não só ineficaz, mas uma violação dos direitos e liberdades individuais.

As conseqüências desta proibição todos conhecemos: o uso da cannabis aumentou exponencialmente com a política de proibição; o tráfico ilegal de drogas somente fortaleceu-se com esta política; a busca por novas substâncias psicoativas de efeito desconhecido, mesmo que não sejam ilegais, aumentando assim o risco de danos aos seus consumidores; quantidades gigantescas de recursos de estados e países são destinados para uma guerra sem fim, sem vencedores, apenas perdedores; enormes poderes econômicos, políticos e policiais tem interesse na manutenção desta guerra segregacionista ao consumo e ao cultivo da Cannabis.

Recursos que deveriam ser aplicados em educação, prevenção, informação e apoio ao usuário contumaz ou viciado, são usados para aparelhar infinitamente nossas polícias, nosso já saturado sistema judiciário, nossas já superlotadas cadeias, cheias de criminosos de baixíssimo potencial de perigo social.

É irracional a proibição ao cultivo de maconha, que poderia ser usada como matéria prima para inúmeros produtos, como biocombustíveis, papéis, têxteis, produtos alimentícios, entre outros.

Esse é o momento para debatermos sobre a atual política de drogas. A proibição e a criminalização do usuário não auxiliam na construção de uma sociedade mais pacífica e igualitária!
Não compre, plante!

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