Neste conjunto de ideias, a utilização de drones é uma das ferramentas para aniquilação.

Foto: Mohammed Abed | AFP | Getty Images

Para o governo de Benjamin Netanyahu existem razões que justificam aprofundar o insano genocídio palestino. Uma delas é que não pode existir, na região berço das religiões monoteístas do mundo, uma paz de convívio entre os que acreditam em Abraão, Cristo ou Maomé no mesmo patamar de importância. Nesta linha de raciocínio, não basta se apropriar das terras palestinas, cobrar por uma água que já era da Cisjordânia, roubar suas casas e o futuro da população, o objetivo é o genocídio.

Neste conjunto de ideias, a utilização de drones é uma das ferramentas para aniquilação.

Assim como o modelo de campo de concentração na Faixa de Gaza e operações abertas de bombardeios, os drones transformam qualquer palestino em um alvo de tiro, com a garantia de impunidade para o israelense que disparou.

Esse tipo de assassinato seletivo que se realiza fora do campo de batalha, são dirigidas também a população civil, trazendo perigo imenso a sociedade. São adultos e crianças sendo mortos em comércios, perto de hospitais e escolas. Quando a seletividade falha, propositalmente ou não, são as pessoas em volta do alvo que são eliminadas. Não se conta a quantidade de vidas perdidas num buraco de 15cm gerado por inúmeros disparo de drones.

Mesmo depois de bombardeios , estes aparelhos que espiam e matam, continuam voando e podem atacar a qualquer momento. É difícil de imaginar que uma mãe com filhos seja obrigada a caminhar por um bairro escuro ouvindo o motor de um drone em cima de sua cabeça, um som que ecoa como um relógio a avisar os últimos segundos da sua vida.

Omor Samur foi um dos 16 mortos em ataques seletivos dentre os 1272 feridos no dia 30 de março deste ano no campo de refugiados de Kan Yunis, e 15 dias antes foram os periodistas da TV Al Jazeera, “armados” com coletes de identificação e máquinas fotográficas. Outro jornalista chamado Hoda Abdel-Hamid, gravou o ataque felizmente sem mortes. Em 28 de outubro chegou a vez três crianças entre 12 e 14 anos a oeste de Jan Yunis, eles foram brincar perto do limite de Gaza, e sem qualquer identificação pelos israelenses, sofreram disparos de drones. Durante quase uma hora a equipe de médicos não pôde entrar na zona próxima militar, depois da exigência do padrão de segurança israelense, só coube buscar os corpos.

Em 13 de Julho de 2014 foram quatro crianças numa recreação na praia sul de Gaza, em seus pés uma bola de futebol, nas mãos um simples balão. Mas os militares viram terroristas em vez de crianças, e armas em vez de um brinquedo.

Dois tiros de drones mataram quatro garotos, deixando outros feridos. Passado 48 meses o exército concluiu que “houve algo estranho”, muito pouco como reclamou a advogada Suhab Bishara.

Estes fatos são apenas exemplos de desculpas para militares seguirem com o objetivo de aniquilar.

Os robôs assassinos de Israel vão poder chegar a matar brasileiros. Em que pese nos territórios ocupados, a população a ser abatida é a palestina, no Rio de Janeiro serão as comunidades pobres nas favelas, e sempre contando com o erro humano de encontrar um fuzil num brinquedo e uma ameaça terrorista em uma criança.

Os governos de ultra-direita, tanto no estado do Rio de Janeiro como no plano nacional, defendem comprar estes drones com autorização de eliminar quem portar um fuzil. A questão que se apresenta é se o armamento estará realmente presente nos recorrentes erros, alguns propositais, ou se será implantado pelas forças de segurança que operarão os drones.

Especialistas denunciam que nem sequer a legislação permite o abate , caso este indivíduo não estiver ameaçando explicitamente um terceiro.

A história registra nomes como de Guilherme Jurgensen de Itapeva(SP) em 2015, Ronald William de Oliveira em Macapá(AP) em 2018, Haíssa Vargas Motta em Nilópolis em 2014, vinda de uma lista extensa de erros praticados por militares e governantes despreparados, que mesmo assim ambicionam perdão para matar. Estes casos gritam para o poder público que o caminho está na estratégia, inteligência e políticas de inclusão social, nos afastando de importar a ideia do genocídio implementado por Israel.

O Brasil já passa por um genocídio sem essas armas de assassinatos em massa, utilizar os drones israelenses só irá aumentar as mortes e a impunidade em um país que sofre com a extrema violência e despreocupação com direitos humanos, enquanto buscam eliminar programas que prezam pela vida, como o Mais Médicos.

A preservação da vida não tem ideologia, enquanto os novos governos têm. A da morte de quem não dá lucro.

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