Neste presente, os hondurenhos escrevem mais um capítulo desta história, que nos permite lançar olhos mais nas causas do que nas consequências já recorrentes

.

Os processos migratórios contemporâneos latino-americanos estão correlacionados com a demanda por melhores condições de vida.

As primeiras mil pessoas saíram de San Pedro de Sula no dia 13 de outubro. A cidade sustentou durante anos o título de ser a mais violenta do mundo, com a taxa de assassinatos por ano de 148 por 1000 pessoas(PNUD 2012). Honduras, com alta concentração de renda, ocupa posição 136 dentre os 193 integrantes da ONU por renda per capita, sendo penúltimo em miserabilidade da região centro-americana. A população, no patamar de 60%, vive abaixo da linha de pobreza, enquanto mais 38% na extrema pobreza. As suas exportações são concentradas em 70% para os Estados Unidos, basicamente produtos primários como banana, café e camarão. O país importa 50 % de manufaturados e serviços do mesmo parceiro, aclarando uma relação de troca digna do modelo colonial espanhol.

A caravana, depois de atravessar a Guatemala, alcançou o México com 7 mil pessoas, absorvendo um montante de excluídos pelo caminho. São homens, mulheres e crianças decididos a chegar aos EUA para se tornarem refugiados econômicos, resultante de um modelo sustentado pelos próprios americanos do norte, que lhes permitem apenas aceitar. Mesmo que a violência e a insegurança sejam premissas fundamentais, é no campo sócio-econômico que se revela com o desemprego, a fome, falta de moradia, as razões que expulsam milhares de seu próprio país.

O presidente Donald Trump ,em seus devaneios propositais, aborda a questão acusando os opositores internos como George Soros que poderia financiar a migração para ajudar os democratas, rivais dos republicanos. Em outro caminho, se reporta até a possibilidade descabida de apoio do sempre ameaçado de invasão: mandatário da Venezuela, Nicolás Maduro Moros. Entretanto, a divagação atinge até tratar os migrantes com teor de marginalidade, esquecendo a polêmica essencial na atualidade, que é identificar a distribuição de renda com crescimento econômico para inibir fluxos migratórios:

Um grande percentual destas pessoas que querem entrar em nosso país são criminosos. São delinquentes. Caso passem pelo México, vou convocar o exército. Eles trazem drogas e violência

Neste 27 de outubro em Tegucigalpa, capital de Honduras,uma multidão pela segunda semana seguida foi oprimida nas manifestações contra o governo ilegítimo de Juan Orlando Hernandez. O presidente, que nem sequer poderia ter tentado se reeleger em 2017 por ser impedido pela constituição, foi autorizado pelos EUA-OEA em disputar e até fraudar as urnas, depois de uma parada na apuração, quando perdia na contagem.

As ameaças de Trump não amedrontam os descamisados, acostumados a viver em casas de plástico com menos de um dólar por dia. Os olhos dos excluídos miram apenas lograr uma pequena parte do que foi retirado de seus países, trabalhando como vassalos na potência que lhes golpeou. Afinal, o que lhes resta é tentar sobreviver.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Boaventura de Sousa Santos

Boaventura de Sousa Santos: A inauguração do passado

Daniel Zen

Daniel Zen: Temer, o pior Presidente da História do Brasil

Leandrinha Du Art

Um cara pediu pra transar no escuro

Colunista NINJA

O Bolsonarismo e a tática da cortina de fumaça

Jean Wyllys

Jean Wyllys: O racismo de sempre no carnaval do Rio

Clayton Nobre

De homem para homem: o que a Gillette provoca sobre mercado e masculinidades

Daniel Zen

Daniel Zen: O que esperar do governo Gladson Cameli?

Jorgetânia Ferreira

Não somos cortina de fumaça!

Vinícius Lima

SP Invisível - Gilberto Maivei

Leandrinha Du Art

Pra quem você é luz extraordinária?

Daniel Zen

Daniel Zen: O que esperar do Governo Bolsonaro?

Gabinetona

Tem um rio no meio do caminho

Ricardo Targino

Começou a Recolonização do Cinema Brasileiro!

NINJA

Opinião: Cai de vez a máscara de Moro

Sonia Guajajara

Sonia Guajajara: Democracia pela mãe terra