A baixa popularidade do presidente da República demonstra o descontentamento da população e denuncia sua incapacidade de governar

Foto: Marcos Corrêa/PR

Está difícil para Bolsonaro negar o óbvio: a avaliação do seu governo vai de mal a pior. Os brasileiros mostram-se cada vez mais insatisfeitos com seu modo de fazer política, que só produziu caos até agora. A pesquisa do Datafolha – na qual Bolsonaro tem 30% de rejeição, a pior avaliação entre os presidentes eleitos desde a redemocratização – é apenas mais um termômetro de como a sociedade está enxergando o mandato do militar, que completa 100 dias hoje.

Não faltam motivos para tanto descontentamento. O índice de desemprego só cresce, chegando ao patamar de 12% segundo o IBGE; até o início desta semana tínhamos um ministro da Educação que chamou o cidadão brasileiro de “canibal”, pediu para as escolas filmarem os alunos cantando o Hino Nacional e cogitou revisar os livros didáticos a fim de reformular os textos sobre a ditadura militar; e o amadorismo do governo com a política externa apequenou o Brasil no cenário internacional.

Nem a tentativa de Bolsonaro de se firmar como um presidente anticorrupção tem dado certo.

Ainda de acordo com o Datafolha, 40% dos entrevistados acham que a corrupção vai aumentar. Também pudera! Logo no início do seu mandato, denúncias de que seus aliados de legenda teriam usado dinheiro público na campanha de candidatos de fachada tomaram o noticiário. O ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno – presidente do PSL durante as eleições – precisou ser exonerado 48 dias depois de assumir o cargo para amenizar a crise no Planalto.

Diante de tantos escândalos e da expressiva reprovação popular, qualquer presidente deveria reconhecer os fatos, dialogar com todos os setores da sociedade e demonstrar o mínimo de preocupação com os rumos do País. No entanto, as atitudes de Bolsonaro estão na contramão de uma postura adequada para um presidente da República. Como sabemos, ele não suporta o debate político, portanto, empenha-se em desqualificar institutos de pesquisas, criticar jornalistas e questionar fatos históricos.

Ao deslegitimar instituições e se projetar como o dono da verdade, Bolsonaro mostra sua face autoritária.

O que está por trás da insistência em negar os fatos? Por que ele recusa vários pedidos de entrevista? Por que insiste em afirmar no Twitter que a mídia trabalha para desgastar a imagem do seu governo enquanto, na verdade, ele está cercado de ministros despreparados?

Até hoje Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, nunca respondeu minha pergunta – formulada durante a reunião de Comissão de Relações Exteriores: por quais razões o Brasil se opôs a incluir menções sobre a universalização de serviços de saúde reprodutiva e sexual no mais importante evento da ONU, dedicado a discutir os direitos das mulheres? Em outra audiência, Paulo Guedes, ministro da Economia, também não esclareceu as dúvidas dos deputados federais acerca dos pontos críticos de uma reforma da Previdência cruel, feita para massacrar ainda mais a classe trabalhadora.

Aliás, a única preocupação desse governo é investir no nacionalismo de fachada para acabar com a Previdência, acelerar as privatizações e reduzir os direitos trabalhistas.

A substituição de Ricardo Vélez Rodríguez – que saiu tarde da Pasta da Educação – por um ultraliberal ligado ao mercado financeiro prova isso.

Mas a inabilidade do presidente da República até para formar uma base capaz de aprovar as reformas exigidas pelos bancos – a quem ele bate continência – é tanta que seus eleitores, em três meses de governo, já sacaram: quem está contra o Brasil e os brasileiros é ele. Diante de tanta trapalhada política só resta para Bolsonaro negar o óbvio.

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