Victória Amaro | Copa FemiNINJA

.

Ano passado a FIFA divulgou a lista dos dez melhores técnicos de futebol da temporada (2018), e apenas o nome de quatro mulheres estavam presentes: Martina Voss-Tecklenburg, Sarina Wiegman, Asako Takakura e Emma Hayes.

Martina é técnica da seleção da Alemanha Feminino, e ficou conhecida por levar pela primeira vez as meninas da seleção da Suíça para a Copa de 2015 e logo após para a Eurocopa em 2017.

Sarina é técnica da Holanda, que levou a equipe a um feito histórico e inédito: foram campeãs invictas da Eurocopa 2017. Wiegman começou sua trajetória pela seleção em 2014 como assistente técnica e em 2016, recebeu a licença da UEFA para atuar como técnica.

Asako Takakura é técnica da seleção japonesa e a atual campeã da Copa Asiática Feminina. Primeira mulher a conquistar títulos a frente da seleção sub-17, sub-20 e principal.  Emma Hayes, técnica do Chelsea Ladies, é a única das mulheres citadas que comanda um clube e vem vencendo títulos importantes desde que chegou ao cargo como o campeonato inglês e a copa da liga inglesa. Além disso, levou as meninas dois anos consecutivos para as semifinais da Champions feminina.

.

Por incrível que pareça, mesmo sendo a modalidade do gênero feminino, os homens ainda estão em maioria, e o pior é a insignificância com que eles tratam as mulheres quando estão em um cargo que eles pensam que somente eles podem ocupar. Pia Sunhage, uma das técnicas mais vitoriosas do mundo pelo futebol feminino, por exemplo, nunca foi convidada para treinar uma equipe masculina, feito esse que poucas mulheres conseguiram exercer. Apenas Patrizia Panico, ex-jogadora da seleção italiana, foi convidada para comandar o sub-16 da equipe masculina italiana em 2017. Corinnee Diacre foi a primeira mulher na França a comandar uma equipe masculina, o Clermont Foot que em 2014 que estava na segunda divisão. No Brasil, temos o caso mais conhecido de Nilmara Alves, técnica do Manthiqueira, que comandou o time na quarta divisão do campeonato paulista do ano passado.

No Brasil, em 2016, a CBF anunciou Emily Lima, que entrou para a história como a primeira mulher a comandar nossa seleção. Infelizmente ela durou somente 10 meses no cargo após uma sequência de derrotas, e algumas jogadoras indignadas com a forma que Emily foi demitida pela confederação resolveram não jogar mais pela seleção. No seu lugar, houve o retorno de Vadão, atual técnico, que faz sua segunda passagem no comando. Antes de sua primeira passagem, Vadão nunca tinha trabalhado com o futebol feminino.

O que é de se questionar são os números que levaram a demissão de Emily e o tempo de trabalho que ela teve no comparativo com os números que o técnico possuí hoje. O time obteve nove derrotas seguidas em competições e amistosos preparatórios para a Copa do Mundo, fazendo modificações pífias nas posições das jogadoras no decorrer de algumas partidas e sem uma transição da defesa para o ataque.

Infelizmente não será nesta Copa que veremos igualdade ou soberania do gênero feminino no comando, pois dentre as 24 seleções somente 8 terão técnicas mulheres, mas mesmo assim não deixaremos de prestigiar uma competição feminina que tem tudo para crescer nos próximos anos.

Assistam a Copa do Mundo! Tem tudo para ser uma das melhores Copas. A fase de grupos promete com grandes jogos como França x Noruega pelo grupo A. As atletas, técnicas e torcedoras do futebol feminino merecem a devida visibilidade!

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Juan Manuel P. Domínguez

“Não é apenas a religião que nos manipula”. Entrevista com a filósofa Viviane Mosé.

Daniel Zen

12 perguntas - sobre verdades inconvenientes - ao ministro e ex-juiz federal Sérgio Moro

Gabriel RG

Mitocracia: o cinismo como método de controle

Daniel Zen

Jair Bolsonaro e Gladson Cameli: o tiozão do churrasco e seu sobrinho dileto

Felipe Milanez

Assassinato de indigenista da Funai na Amazônia precisa de investigação federal

Daniel Zen

O que há em comum entre a Lava-jato e as milícias digitais de Bolsonaro

Eduardo Sá

Gabrielzinho do Irajá: talento da nova geração do samba no partido alto

Daniel Zen

Os 340 [que não são] de Esparta

NINJA

Projeto de lei torna o licenciamento ambiental exceção em vez de regra

Eduardo Sá

Toninho Geraes: “Sou a favor do grito de liberdade contra essa tirania que assola o país”

Estudantes NINJA

Um (quase) final de ano de tantos retrocessos

Eduardo Sá

“Não colem em mim esse discurso da meritocracia”, diz Conceição Evaristo

Preta Rara

A senzala moderna é o quartinho da empregada

NINJA

A criminalização do aborto e o feminicídio de Estado

Eduardo Sá

“O samba é a coisa mais importante na cultura brasileira”, ressalta Zé Luiz do Império