O Fim de Cunha. Arte: Tolentino

O Fim de Cunha. Arte: Tolentino

Durante a última semana, enquanto cumpríamos um ano de golpe, Michel Temer disse que “não sabia de nada”, referindo-se ao processo do golpe.

Aproveitou o ensejo e jogou a batata quente no colo do maior abandonado, Eduardo Cunha, dizendo que este, supostamente por mera vingança, teria aceitado o pedido de impeachment da Presidenta eleita.

Acontece que Cunha, o vingativo, imediatamente denunciou Temer, garantindo que detalhes foram acertados anteriormente com o próprio vice-decorativo!

É aquele ditado, né? Quem tem Cunha, tem medo.

 

O Presidente golpista ainda tenta segurar a peruca dizendo não temer a delação de Cunha ou mesmo outras duas delações de executivos da Odebrecht, em que está citado. Segundo os executivos delatores, Temer participou, ao lado de Eduardo Cunha, da negociação de R$40 milhões em propina para o PMDB – um possível crime de corrupção.

Cunha, direto da cadeia, aproveitou o bonde e também confirmou que Temer não só estava presente na reunião, mas foi o responsável por articular e agendar a mesma.

Mas o STF dá expediente ao golpe?

É muita petulância da parte de Michel Temer, que só tem um dígito de aprovação, dizer que não teme as delações ou investigações

Esse destemor tem certo sentido. Imagino que o leitor já saiba que Temer ganhou um agradinho do ministro Edson Fachin: o privilégio de não ser investigado, em total desacordo com o precedente aberto por Teori Zavascki. O ex-relator da Lava Jato entendia que o Presidente em exercício pode ser investigado em caso de suspeita de crimes, ainda que cometidos fora de seu mandato, como é o caso de Temer.

É um absurdo que o STF, a pedido da PGR, dê a Temer o privilégio de não ser investigado. Será que falta convicção? Por muito menos nossa Presidenta eleita – com mais de 54 milhões de votos – já estaria massacrada e condenada por parlamentares, imprensa e mídia! São muitos indícios e delações: queremos que Temer seja investigado!

A esquerda se movimenta

O Partido Socialismo e Liberdade entrou com agravo regimental em um dos dois inquéritos que contém o nome de Temer. O PSOL discorda da interpretação do STF, que atendeu à PGR não incluindo o nome de Temer no rol de investigados pelo Supremo.

Segundo o partido, a decisão de não incluir Temer na lista de investigados “causa inequívoco prejuízo ao direito de toda a população brasileira” de “ver devidamente apurada a existência de infração penal”.

Se todo poder emana do povo, o povo já decidiu: Fora Temer

Com 9 ministros investigados e apenas 9% de aprovação do povo, o jogo não está tão fácil para os golpistas. Basta observar a fracassada tentativa da antecipação de análise da Reforma Trabalhista e os recuos na questão da Previdência. Não conseguem pagar a conta do golpe! O caminho é exigir que o STF revogue o privilégio da imunidade de Temer no período pré-processual e investigatório.

Paralelamente temos que nos mobilizar pelo Fora Temer e por novas eleições diretas, que podem ser convocadas via plebiscito. Outra opção seria em caso de cassação da chapa Dilma-Temer, desde que o STF considere constitucional a alteração de 2015 no Código Eleitoral, que prevê novas eleições para casos como impeachment ou cassação imputados em prazo anterior a seis meses do término do mandato.

Um grande momento para a união da esquerda e da classe trabalhadora, contra os retrocessos do governo golpista, será 28 de Abril. Para essa data, sindicatos e movimentos sociais estão convocando GREVE GERAL em todo Brasil. Juntes vamos às ruas fortalecer a luta pelo #ForaTemer, pelas eleições diretas e, não menos importante, pelo direito de apontar qual é o projeto político que queremos para o Brasil.

Por hora, #ForaTemer.

 

O Calvário de Rouseff. Arte: Tolentino

O Calvário de Rouseff. Arte: Tolentino

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Colunista NINJA

Abolição inconclusa

Juca Ferreira

As ruas vida e morte

Márcio Santilli

A disputa pelo “Centro” e a chance da “terceira via”

Boaventura de Sousa Santos

Colômbia em chamas: o fim do neoliberalismo será violento

Jorgetânia Ferreira

Mães: vacina, respeito, verdade e misericórdia

Moara Saboia

Racistas e machistas não passarão!

Ana Claudino

Lésbicas também são mães

Márcio Santilli

Carta aberta ao Almir Suruí

Jéferson Assumção

Escrita criativa para combater estereótipos

Jandira Feghali

De onde vêm aquelas pessoas?

Colunista NINJA

O nosso tempo é o tempo maré

Biamichelle

Gestão da diversidade feito por diversidades

Daniele Apone

Por que é importante entendermos o que é ESG e IDHP?

Renata Frade

Design e Tecnologia. Estudos de casos de "role models" femininos brasileiros

Carol Façanha

Mais que um símbolo