Foto: Tuane Fernandes / Mídia NINJA

Foto: Tuane Fernandes / Mídia NINJA

Confesso que decidi assistir a uma parte daquele fantasioso programa dominical da Globo. Isso porque eu queria assistir a uma entrevista com Mateus, jovem residente de Goiânia, que sofreu traumatismo craniano após agressão cometida por um oficial da Polícia Militar – Capitão Sampaio.

Aquelas imagens, que mostraram Mateus em frente às câmeras com uma cicatriz na testa, me fizeram pensar em muito do que temos vivido, em quais são as responsabilidades de nossas gerações, até onde nossos corpos políticos podem ir em segurança e até onde devemos nos resguardar, proteger nossas integridades físicas.

Cada vez mais, as manifestações populares tem sido ambientes que, por conta da violência das instituições e dos governos, podem colocar a integridade de nossos corpos-políticos em risco.

Acredito que exista uma histeria coletiva que tomou conta das polícias, dos governos e de uma parcela da população, que já não sabe mais o que fazer com o avanço das bandeiras progressistas.

Ações descontroladas, despreparadas e reincidentes, como a que foi cometida por Capitão Sampaio ao agredir um manifestante, ou mesmo de Michel Temer ao convocar as Forças Armadas em Brasília, nos mostram o brilho da lança do Estado. Um ambiente tão agressivo por parte dos governos e das instituições, mais me parece sintoma de uma falência de determinados modelos políticos e instituições, que não suportarão por muito tempo as insurgências daqueles que sabem que querem dignidade, democracia e não tem medo da luta.

Se nos rebelamos contra o preço da passagem na hora de pegar o ônibus lotado, nos chamam de terroristas. Se queremos desconstruir as noções de família tradicional, dizem que estamos impondo a “ditadura gayzista”. Quando enfrentamos o poder armado do Estado, exigindo democracia e mais poder popular, somos vistos como vândalos. Se contestamos a política de drogas, baseados (rs) em debates sérios e amplos, asseguram que tudo não passa de uma viagem. Mesmo assim seguimos em frente e firmes na construção do mundo que queremos.

Por isso há que se rebelar-se mais e mais, causando revoluções culturais, sociais, estéticas e na política, justamente para garantir que mais pessoas sintam essa indignação capaz de incomodar os mais poderosos, os mais protegidos, aqueles que pensaram que jamais seriam atingidos, a elite inescrupulosa, as classes políticas que não servem ao povo…

Com essa indignação poderemos garantir nossa dignidade. Com rebeldia poderemos garantir poder popular. Na luta é que conquistaremos nossos direitos. Nas ruas é que vamos garantir as #DiretasJá e escolher um projeto que contemple nossos sonhos.

Mateus, Rafael Braga, os sem terra, os sem teto, os parentes indígenas e outras vítimas da “violência-oficial” estão literalmente marcados pelas agressões resultado desses modelos de governo, polícia e democracia brasileiros. Nada mudará a sensação de revolta e descrédito daqueles que sofreram, registraram ou humanamente se tocaram por qualquer uma das agressões cometidas pelo poder do Estado contra parcelas da sociedade, que resistem e persistem na luta por suas pautas e demandas legítimas.

Por todos os rebeldes e insatisfeitos do mundo, seguimos adiante.

“Devemos o progresso aos insatisfeitos” – Aldous Huxley

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Célio Turino

Precisamos retomar os Pontos de Cultura urgentemente

Design Ativista

Mais que mil caracteres

Márcio Santilli

Golpe em falso

Juan Manuel P. Domínguez

A direita dá um banho de sangue no Peru

Tatiana Barros

Os sintomas da não-binariedade

Monique Prada

Alvo de notícia falsa, trabalhadora do sexo manda recado para a primeira-dama

Design Ativista

Quando a moda é criada com a natureza, por mulheres, em suas comunidades

Uirá Porã

O início de uma era singular

Márcio Santilli

Militares precisam incorporar emergência climática a sua visão estratégica

Uirá Porã

A felicidade é contagiosa

Márcio Santilli

Direita quer mutilar Frente Parlamentar Indígena

Célio Turino

Sobre os Pontos de Cultura e o conceito de Cultura Viva

Ivana Bentes

Olhar é um ato violento

Márcio Santilli

Marina no clima