Foto: Antonio Cruz / Agência brasil

Lançarei mão de minha formação católica para fazer não só uma análise de conjuntura, mas profetizar, com a licença poético-bíblica da palavra, o que será do Rio de Janeiro, baseado neste último final de semana, um episódio de Amor de Mãe das Trevas.

A visita de Bolsonaro ao Rio de Janeiro, fechando a aliança Bolsonaro+Crivella, anuncia o que eu já havia previsto: um vice bolsonarista na chapa demoníaca no município do Rio de Janeiro.

Candidatos a vereador milicianos e do cartel das Igrejas sendo alavancados pelo fundo eleitoral e pela lavagem de dinheiro da junção do PRB e do futuro partido, Aliança pelo Brasil (que nas eleições só terá o dinheiro da lavagem, pois ainda não terá fundo eleitoral).

Profetizo Crivella “cuidando” das pessoas e fazendo palanque com pessoas armadas. Gente de bem. Profetizo ainda aumento dessa bancada nefasta, que produziu o assassino de Marielle e que fez vista grossa para todos os problemas da cidade.

Crivella só não fez mais erros por incompetência dele próprio, por inabilidade administrativa. Ele esteve livre e com os amigos milicianos o tempo inteiro de gestão, sendo chantageado por sua bancada, mas jamais abandonado por seus comparsas na Câmara. Aprovação de condomínio de milícia, aprovação de corte em 50% do orçamento na saúde, 35% na educação, 21% na infraestrutura urbana da cidade. O prefeito acabou com o Rio com a chancela da Câmara dos Vereadores em sua maioria.

Bolsonaro visita um prefeito com o maior índice de rejeição dos últimos 30 anos e faz isso com pompa e circunstância. A escolha por Crivella põe pimenta na disputa Witzel x Bolsonaro, que tem partidos de força muito próxima e base social idem. O que quer a ultradireita se não fazer crescer ainda mais sua base, dando a falsa impressão de que disputam e que não ganham e muito se qualquer uma das chapas ganhar a Prefeitura?

Pra coroar, a visita à namoradinha fascistinha do Brasil e a lição: os ventos do ultraconservadorismo são muito frescos no Rio de Janeiro. Essa visita ao Rio é uma massagem em sua base e o conjunto “roupa evangélica nacionalista de Regina Duarte”, o “namoro”, a “corte”, a sexualização das relações, a oração de 200 pastores pela vida de Bolsonaro em agenda oficial… Tudo isso cristaliza o novo normal imposto pelo marketing fanático-fascista da nova elite conservadora brasileira.

A campanha de 2020 já começou no meio dos “Messias” e falsos profetas da direita, e quem não está com medo da “cena”, não faz ideia da conjuntura do Rio de Janeiro e do Brasil.

Queria muito que os falsos profetas viessem como no livro do apocalipse, com fedor de enxofre e face cruel, mas infelizmente os demônios contemporâneos se vestem bem, têm media training, lavam dinheiro, têm milhões de seguidores nas redes sociais. Queria eu profetizar o fim desse império e um episódio com final feliz no Rio de Janeiro. Queria eu profetizar quem mandou matar Marielle e se vamos poder beber água da torneira nessa cidade. Se vamos poder um dia não pagar a taxa de cinquenta reais da milícia.

Esteja repreendido em nome do Senhor. Ô glória.

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