Natalia Bretas e João Vitor Trancoso
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A pandemia causada pelo Covid-19 atingiu em cheio o setor cultural do país, fazendo com que grandes festivais fossem adiados ou até mesmo tendo a edição de 2020 cancelada. É o caso do Festival Bananada, que desde 99 fortalece a cena independente reunindo artistas de Goiás e grandes nomes do cenário nacional. Além de musical, o evento se tornou um festival multicultural, promovendo exposições de artes plásticas, circuito gastronômico e de skate e até balls de vogue, com edições pocket já realizadas em Portugal e na Espanha.

Com o isolamento social, a nova forma de conectar músicos e público é através das famigeradas LIVES nas redes sociais. Neste ano, o Bananada preparou o #BanaLIVE, edição online do festival que foi ao ar nessa terça (9) pelo Twitch.TV, uma plataforma amplamente utilizada por gamers, mas que vem investindo na vertical da música, auxiliando artistas nas transmissões e na hospedagem de apresentações.

Foto: Nina Quintana

O produtor cultural Fabrício Nobre, fundador do Bananada, conta que através da doação inicial de $1500 USD do projeto In Place of War, organização global que impulsiona projetos culturais em locais de conflito, a produção desenvolveu um modelo criativo em que artistas, produtores e público pudessem contribuir para que essa quantia fosse multiplicada. O montante será revertido em doações emergentes que atendam a comunidade local, como a distribuição de refeições e cestas básicas. A edição também realizou o leilão online @blackbook_bananada, onde mais de 20 artistas plásticos goianos doaram mais de 50 obras. Toda a arrecadação também será revertida para doações.

As apresentações iriam ao ar no domingo (7), mas em apoio às manifestações populares antirracistas e antifascistas o #BanaLIVE foi adiado. O evento durou 6 horas, com shows de artistas goianos que tem história com o Bananada: Niela, Beto Cupertino, Victor Rocha, Brvnks, Davi Sabbag, Mel Gonçalves, Milian Dola, Boogarins e Lucas Manga como DJ e host, cada um em suas respectivas residências.

A técnica da transmissão foi coordenada pela NINJA Music com operação simultânea no Twitch e no Instagram do festival. O S.O.M inovou na cobertura e acompanhou cada atração durante todo o evento, chamando o público pra curtir e colar na frente do palco. Com cobertura fotográfica feita especialmente para o formato online e a análise de cada apresentação. Tudo feito por um coletivo que atuou de forma colaborativa, com diferentes vozes, sotaques e rostos. Também foi montada uma sala de imprensa virtual, por onde as artistas passaram após suas apresentações e trocaram ideia com o S.O.M. Niela, Bruna Mendez, Brvnks, Davi Sabbag e Dinho da Boogarins. Os papos estão no Instagram do Sistema Operacional da Música.

Foto: Rafael Novak

A cantora e compositora Niela abriu o #BanaLIVE com uma apresentação intimista, trazendo os sons de seus dois discos. A voz de “Não Deixa Entrar” cativou e emocionou o público ao dizer que estava com saudades das amigas e do palco. Niela terminou a performance arrancando lágrimas da gente.

A segunda atração foi o cantor Beto Cupertino, que apresentou canções da sua banda Violins e também da carreira solo. Munido de oito músicas, um violão e um copo de água, o artista criou toda a esfera “indie melancólica” de seu trabalho.

Logo após, nos apaixonamos – mais uma vez – pela voz doce de Bruna Mendez, que apresentou um show carregado de afeto, com canções de seu disco novo “Corpo Possível”, singles e até a estreia de uma música nova composta na quarentena.

Na sequência, acompanhamos a voz e o violão de Victor Rocha, integrante da banda de stoner rock Black Drawing Chalks. O cantor adaptou as canções enérgicas ao som acústico e disse ter sido uma experiência musical bem diferente da que está acostumado. Ele também pontuou a importância de artistas serem resistência em tempos de fascismo e tantos ataques as mais diversas esferas.

Foto: Nina Quintana

Outro nome que vem fazendo barulho no circuito alternativo do indie rock brasileiro é o da Brvnks (bruncs que fala, viu?), a quarta atração da noite. A cantora, que já tem uma relação antiga com o festival, contou na live que frequenta o Festival Bananada desde mais nova. “Se não fosse o festival e essa galera de Goiânia eu não teria nem banda.”

Um dos melhores momentos da noite ficou por conta da apresentação de Davi Sabbag, Mel Gonçalves e Milian Dola, que começou com as releituras da famosa “Boate Azul” e em seguida “Quizás”, um clássico em espanhol de Andrea Bocelli. Após o início boêmio, o trio botou o público para dançar com canções como “Ritual”, “Banquete” e ainda uma versão única para “Rajadão”, da Pabllo Vittar. Foi demais!

O penúltimo show da noite foi da banda Boogarins, um dos maiores expoentes da cena goiana e nome certo nas edições do Festival Bananada, que foi muito bem representada pelo vocalista e guitarrista Dinho Almeida. Passeando por diversas fases do grupo, Dinho trouxe a atmosfera despretensiosa e descontraída que acompanha a banda nos grandes palcos e festivais.

Fechando a noite de shows do #BanaLIVE, o DJ Lucas Manga comandou o set que nos fez lembrar dos saudosos afters. Se você perdeu ou quer conferir o que rolou, é só acessar o www.twitch.com/festivalbananada, se inscrever e ficar por dentro dessa e das próximas edições do evento.

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