Por Taliria Petrone e Renata Souza*

No próximo dia 14, véspera das eleições municipais, se completam dois anos e oito meses do assassinato de Marielle Franco e seguimos clamando pela atenção às vidas das mulheres, particularmente das negras, que são as principais vítimas do feminicídio. A violência de gênero e raça precisa, portanto, ser encarada com seriedade pela sociedade brasileira. Os alertas têm que ser ouvidos.

Nós duas, que assinamos esse artigo, Renata Souza e Talíria Petrone, somos deputadas pelo PSOL do Rio de Janeiro e convivemos com o risco. Nesse momento o alerta é pela vida uma de nós, a Talíria. Eleita deputada federal e que, frente às ameaças diretas, foi obrigada a deixar o estado. No ano passado, outro parlamentar, Jean Willys, abriu mão do mandato recém conquistado e foi obrigado a sair do país, também para se manter vivo. Ele também é um jovem, progressista.

Talíria desde 2019 já foi notificada sobre seis denúncias de planos para sua execução. Embora eleita com mais de 100 mil votos fluminenses, não tem sua proteção plenamente garantida pelo Estado.

Colocar nossos mandatos a favor da vida e contra a política da morte é o que nos traz ameaças permanentes. Bandeiras como a ampliação de direitos do povo pobre e o fim do genocídio do povo negro são consideradas afrontas. Aqui no Rio, Renata, chegou a ter seu mandato ameaçado pelo governador que agora está a um passo de ser cassado, Witzel, aquele que defendia o assassinato de jovens da favela com um tiro na cabeça.

Esse artigo é um pedido de socorro para preservar a vida das mulheres. Num país de rachadinhas, de assassinatos jamais esclarecidos, de misoginia, de racismo, de tradição escravagista, mulheres negras que colocam seus corpos à disposição da luta para enfrentar estruturas de poder e ocupar o parlamento com vozes que representam favelas, comunidades indígenas, imigrantes, pessoas perseguidas e criminalizadas pelo próprio Estado incomodam e são alvos da política de ódio.

Nossas imagens de mulheres poderosas impactam os conservadores. Mesmo dentro do parlamento eles não conseguem esconder a indignação e desconforto por estarmos ali. Por não sermos filhas de suas famílias e não carregarmos seus sobrenomes. Por sermos negras e não sermos subalternas. Por terem que nos encarar em igualdade de condições. Por saberem que nossos votos valem tanto quanto os deles. Por terem que ver nossos corpos negros sem estarmos os servindo. E não são apenas os homens, as mulheres dessa elite agem da mesma forma. Tivemos o caso simbólico da desembargadora contra Marielle.

Não se conformam com nossas roupas, com nossos cabelos, nosso penteados, com nossas falas. Ficam mais indignados ainda quando mostramos dentro do parlamento – que é o espaço da fala e das ideias – a fragilidade de seus argumentos. Ali evidenciamos a falta de conhecimento e de preparo de muitos deles. A revolta, então, cresce e eles perdem o controle, partindo para as ofensas. Muitas vezes se referem a nós negras e jovens como “as meninas”. Não, não somos “as meninas”. Somos as deputadas e exigimos respeito.

Essa luta é por “Marielles”, por todas nós. Não daremos um passo atrás!

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