Esse ano foi o ano de descoberta. Descobri algo que eu pensei que já sabia mas, não sabia.

.

A construção da ideia que tenho um corpo bonito e que o verão me espera é algo bem atual, que foi construída com muito suor e lágrimas, em uma sociedade que o padrão é ser magra o lindo nunca foi ser redondo.

A nossa autoestima é esmagada diariamente com comentários de “amigo” que vestem 38 e falam que estão horroroso de gordos.

Da televisão com gordos fazendo graça e piada com o seu corpo, até do jornalismo falando pra geral se preparar para o verão pra secar as gordurinhas. Fora os olhares nas ruas…

Com isso é uma batalha diária para não viver se odiando.

Meu ex marido e atual melhor amigo me ajudou muito nessa construção, foi importante uma outra pessoa me elogiando diariamente e eu me permiti enxergar o que tanto ele dizia, passando horas na frente do espelho procurando aqueles elogios no meu corpo.

Na prepotência do meu eu, quando vim morar em SP, achei que estava tudo resolvido com meu corpo e mente, já me aceitava, postava fotos de biquíni e calcinha contribuindo com a aceitação de outros corpos gordos.

Foi quando eu percebi que homens de diferentes idades, cores e tamanhos se interessavam por mim, e eu achava mega estranho pq na minha cidade os homens tinham sempre as mesmas características.

Foi aí que deu um estalo na minha mente e eu percebi que: – Acorda querida, você pode escolher sim, com quem você quer ficar!

Foi como uma mega retrospectiva na minha mente que eu lembrei de todos os relacionamentos que tive, que no começo de algumas das relações eu não queria ficar com a tal pessoa mas, sempre pensava:

– Poxa eu sou gorda e o cara quer ficar comigo mesmo assim. Bom vou ficar porque senão, não ficarei com mais ninguém.
Olha como isso é devastador!

Por muitos anos eu pensei que não poderia escolher com quem eu quisesse me relacionar, pois eu mesma já me colocava em um papel secundário com nenhuma importância.

Olha o que a gordofobia faz com as pessoas.

Hoje estou aqui e fazem apenas seis meses que eu descobrir que tenho direito a escolha e isso foi um divisor importante na minha vida.

Foi choro, dor , quantas vezes dei soco na minha barriga, mordia meu braço mole de tanta raiva que eu sentia do meu corpo.

Quantas dietas malucas, quantos desejos de suicídio já passaram na minha cabeça.

Não aceito mais qualquer coisa porque essa mulher que me tornei deu muito trabalho pra chegar até aqui.

Hoje eu escolho quem eu quero pra estar do meu lado, seja por algumas horas, noite, mês, ou enquanto durar.

Não tenho vergonha do meu corpo, fico nua com a luz na lua mostrando cada detalhe da minha essência.

E o meu maior desejo é que as gordas alcance esse lugar de fato que também é nosso. Cada uma terá um processo e caminho diferente, não será fácil e nem instantâneo do tipo: Nossa acabei de ler o texto da Preta-Rara vou ali de biquíni na praia. Cada uma terá seu tempo libertário…

Não ter pudor e amar o seu corpo é mega revolucionário e como se tivesse começado a vida do zero. Boa sorte meninas, que essa carta traga o afeto necessário para um novo recomeço.

Assista no YouTube o episódio Ocupação GGG da nossa web-serie Nossa Voz Ecoa:

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Colunista NINJA

Lutar com firmeza e responsabilidade

Boaventura de Sousa Santos

A difícil construção do contemporâneo e do complementar

Gabriel RG

A cruzada do fundamentalismo capitalista contra a ciência

Ana Claudino

Seu silêncio não vai proteger você

Amara Moira

Manifestações em tempos de pandemia

Carina Vitral

Combater o fascismo é uma emergência

SOM.VC

CALL CENTER - Encontros Webnaries Performance and Música

Randolfe Rodrigues

Liberdade de imprensa é valor inalienável da sociedade civil

Dríade Aguiar

O que deveríamos estar fazendo no "Blackout Tuesday"

Fred Maia

Quando a montanha pariu um monstro

transpoetas

Demétrio Campos, presente!

André Barros

Viva Marielle! Fora Bolsonaro!

Movimento dos Pequenos Agricultores

Se não plantar agora, a fome virá em seguida

Tulio Ribeiro

Vingança! Viva o Rei Messias!

Luiz Henrique Eloy

Terras indígenas na pauta do Supremo: Teoria do indigenato versus marco temporal