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Foto: Felipe Dana / AFP

Descompassos. “Pessoas que frequentam cultos religiosos, na maioria evangélicos, são, entre os cariocas, a parcela da população que mais rejeita a ideia de que “bandido bom é bandido morto”. Nada menos do que 73,4% desse público discorda da frase. Os dados fazem parte de pesquisa que Julita Lemgruber e o CESeC, da Cândido Mendes” Informou um colunista da grande mídia na última semana.

Essa informação, provavelmente, destoa da percepção que muitos têm dos evangélicos, principalmente quando ouvem personagens que se pretendem falar em nome dessa grande população.

A maioria dos evangélicos vive nas áreas de conflagração, e não tenho outro nome para dar a esses espaços onde o Estado mata acintosamente.

A maioria destes ditos bandidos, uma vez ou outra passou por nossas reuniões, são pessoas por quem oramos; e há os que são nossos filhos, que não conseguiram se manter na resiliência operosa da nossa fé; e não conseguiram resistir a esse sistema que exige poder de compra para emprestar dignidade ao ser humano.

Quando é dito – por político que elogia torturador e zomba de quilombolas sob a anuência de audiência que deveria ter verdadeira ojeriza deste tipo de fala – que conversa com um pastor, que se pretende líder dos evangélicos para alavancar a sua candidatura à Presidência da República que, por enquanto, graças ao golpe de estado em curso, se tornou mera republiqueta, fica claro que há um grande descompasso entre o discurso deste personagem e a realidade e a expressão dos evangélicos.

A pauta moral, entretanto, ainda dá a esses pretensos líderes alguma liga com a massa evangélica.

Isso porque os educadores ainda não aprenderam a falar para essa massa crescente e, portanto, não sabem como comunicar a sua intenção de trabalhar a questão do preconceito. E não conseguem falar a essa disposição de sustentar a vida que há nessa população, majoritariamente pobre, infantil, feminina e preta. Gente que sabe o que é preconceito, simplesmente, porque o sofre.

Isto, também, é um descompasso.

Enquanto esses descompassos não são devidamente percebidos para denunciar pretensos líderes que representam, de fato, a si mesmos e a um pequeno grupo dessa nova classe média – classificação equivocada, e ideologicamente contaminada que se fez à parte dos trabalhadores que ascenderam economicamente graças às políticas dos governos populares que, graças as medidas do governo golpista devem rapidamente retornar aos patamares anteriores.

Enquanto esses descompassos não permitem corrigir as abordagens dos educadores progressistas;

Cresce rapidamente a adesão dos evangélicos aos movimentos internos de denúncia e resistência ao golpe de estado.

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