Esporte paralímpico tirou a atleta lesionada da depressão

Tuany, mulher negra, gorda, de cabelo raspado, vestindo uma regata amarela, sob uma leve chuva, se preparando para arremessar o peso.

Foto: Ale Cabral

Por Patricia Allerberger

Tuany começou cedo no esporte. Conheceu o judô olímpico com 8 anos em um projeto social na comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, e aos 12 já estava competindo. Segundo ela, o que a impediu de entrar no mundo do tráfico e ter o mesmo destino que outros colegas foi a prática da modalidade.

Com 21 anos era campeã brasileira e promessa do judô, mas a vida aplicou um golpe inesperado na atleta. Durante o GP Brasil Interclubes, na luta contra Idalys Ortiz, campeã olímpica e mundial, onde representava o Instituto Reação, um acidente rompeu todos os ligamentos e o nervo do joelho direito da atleta, tirando os movimentos e a sensibilidade da perna do joelho para baixo.

Tuany passou quase um ano no hospital sem saber se precisaria amputar a perna ou não. Passou por um longo período de depressão até ser apresentada ao Movimento Paralímpico por Flávio Canto, ex-judoca, diretor-presidente (voluntário) do Instituto Reação e embaixador paralímpico, quando decidiu tentar o arremesso de peso, em 2017.

A ex-judoca se apaixonou pela modalidade, virou recordista brasileira, vice-campeã Parapan-Americana (Lima 2019), terceira no ranking mundial e referência no arremesso de peso paralímpico do Brasil. Ela chegou em Tóquio com grandes chances de ganhar medalha no arremesso de peso classe F 57 (sem movimento nos membros inferiores) feminino. A disputa aconteceu neste dia 02/09, e terminou na 6ª posição.

“Hoje eu participei de um Jogo Paralímpico com coração transbordando de alegria a Deus. Treinei, treinei, treinei muito para estar aqui hoje, infelizmente não controlo o destino nem muito menos os homens. Fecho minha participação nas Paralimpiadas de Tokyo 2020, em 6° em uma competição de gigantes”, disse ela em postagem nas redes ao se despedir dos Jogos em Tóquio. Ela disse que continuará o trabalho para chegar a Paris. E complementou:

“Mega feliz que a favela venceu. Após a estatística de 28 mortos, eu, Tuany Barbosa, consegui mudar a história do Jacarezinho”.

 

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Mariane Santana

A volta do ABBA e o futuro (presente) dos shows

Agatha Íris

Quem defende as crianças que são vítimas de abuso e estupro de vulnerável?

NINJA Esporte Clube

Pretos na Biblioteca: projeto idealizado por Gabizona do vôlei busca combater o racismo através da educação

NINJA Esporte Clube

A’ja Wilson: uma voz potente e necessária

NINJA Esporte Clube

Ginasta Luis Porto foca na preparação para próximas competições, após corte inesperado do Mundial 2021

Flávio Renegado

Vinte e Três Minutos… 

Márcio Santilli

Direita rachada

Talles Lopes

Morro do Fogo: fé e luta quilombola

Bancada Feminista do PSOL

Sampaprev 2: um ataque a quem esteve na linha de frente contra a Covid

Lais Gomes

Me deixa reclamar!

Andréia de Jesus

Indígenas latinos são transformados sistematicamente em imigrantes por mais de 500 anos!

Laryssa Sampaio

O Peso do Pássaro Morto: perdas, reencontros, encontros e fim

Andréia de Jesus

Zema expressa todo seu preconceito social

Laryssa Sampaio

Pelo direito de pensar e decidir se queremos ou não ser mães

Márcio Santilli

Nem autogolpe e nem impeachment