A National Women’s Soccer League, principal liga de futebol feminino nos Estados Unidos, vive turbulência após acusações contra um dos técnicos mais famosos da Liga.

PHOTO BY STREETER LECKA/GETTY IMAGES

Por Diogo Nogueira para a NINJA Esporte Clube

Após o The Athletic, veículo esportivo dos EUA, publicar denúncias de uma série de abusos contra Paul Riley, um dos técnicos mais famosos da National Women’s Soccer League, foi suficiente para a consequência do adiamento de uma rodada completa do primeiro fim de semana de outubro.

Mais de uma dezena de atletas testemunharam que Paul Riley praticava abuso verbal, assédio e coação sexual com frequência. O North Carolina Courage, reagiu em forma de demissão ao técnico que estava renomado no cenário esportivo feminino, tendo vencido prémios de melhor técnico do ano em 2017 e 2018. O técnico prometia vagas na equipe titular no time e na seleção nacional em troca de sexo, ofensa a atletas homossexuais, e entre outros atos repugnantes.

Esse não é um caso isolado. Segundo atletas, o ambiente na NWSL (National Women’s Soccer League) é “muito tóxico”. Meses atrás, em julho, houve uma demissão realizada pelo Gotham FC, afetando a general manager Alyse LaHue, em má conduta do anti-abuso da liga. Depois, a vez foi de Washington Spirit demitir Richie Burke por abuso sexual contra atletas. E ainda, também contando com o caso similar a Christy Holly, do Racing Louisville.

Alyse LaHue, Richie Burke e Christy Holly

Sinead Farrelly, que rodou por clubes como Philadelphia Independence, New York Fury e Portland Thorns, disse: “Eu me senti sob seu controle”. A atleta detalhou vários incidentes em que se sentiu coagida a fazer sexo com o treinador.

Em contrapartida, Riley respondeu sobre a sua suposta conduta com um e-mail, afirmando que a maioria das alegações é “completamente” falsa. O técnico escreveu: “Eu nunca fiz sexo ou fiz propostas sexuais esses jogadores”. Acrescentando que as vezes socializava com os jogadores e ocasionalmente pegava tabletes de bar, “mas eu não os levo pra beber”. Nos próximos dias, sua demissão foi selada e sua licença de treinador suspensa pela Federação de Futebol dos Estados Unidos.

A Associação de jogadoras da NWSL, lançou uma nota de repúdio, dizendo: “o abuso sistêmico que assola a NWSL não será mais ignorado”.

Lisa Baird, comissária da Liga, esclarece que o adiamento da rodada foi decisão conjunta com a Associação de Jogadoras. Megan Rapinoe e Alex Morgan deram suas vozes. Baird também é pressionada por demissão devido acusações da comissária ter conhecimento das denúncias e não dar importância.

Lisa Baird

As exigências da Associação de Jogadoras esperam ser atendidas, com mudanças radicais na estrutura da liga, e assim, os jogos da NSWL possam voltar a acontecer.

A atacante Debinha da seleção brasileira e atleta do North Carolina Courage se pronunciou em relação ao ocorrido em forma de combate ao sistema e dando força a quem sofreu com o mesmo.

Debinha, atacante da seleção brasileira.

“Peço a vocês que sofreram ou tem conhecimento de qualquer tipo de abuso, por favor, reportem. Sei que é difícil, mas nós jogadoras da NWSL, estamos aqui para vocês e criar um espaço seguro. Esse comportamento tem que parar! Para que os clubes, ligas e oficiais protejam as atletas. Que este não seja apenas um caso, mas o início para uma mudança real”.

– Disse a jogadora em um trecho de seu texto publicado nos stories do seu Instagram.

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