Médico urologista brasileiro Márcio Averbeck participou de pesquisa em conjunto com universidades do Canadá e da Suiça

Imagem de uma cadeira de rodas

Foto: Ale Cabral

Por Paula Veiga

Com participação de 130 competidores dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, trabalho publicado no periódico Spinal Cord aponta complicações urológicas entre homens lesados medulares e soluções que contribuem para a melhora da qualidade de vida e até performance de atletas cadeirantes. Urologista e integrante do CAB Brasil e global da Coloplast (Continence Advisory Board), o brasileiro Márcio Averbeck foi um dos autores por trás da iniciativa conjunta com a University of British Columbia, no Canadá, e a University of Basel, na Suíça.

Foram entrevistados atletas canadenses, americanos, brasileiros, chilenos, japoneses e colombianos. Entre os participantes, 84% confirmaram realizar o cateterismo vesical intermitente, que consiste na retirada da urina por meio de uma sonda de quatro a seis vezes por dia. Neste percentual, 84 dos atletas tiveram ao longo de um ano alguma complicação, como lesões uretrais e infecção urinária. Devido ao número elevado, Averbeck destaca a importância da educação continuada entre profissionais da saúde e dos usuários.

“As infecções urinárias recorrentes são frequentes entre pessoas que necessitam do cateterismo vesical intermitente. Para reduzir o risco desta complicação, recomenda-se o treinamento adequado sobre a técnica do cateterismo, que leva em consideração a quantidade de líquidos ingeridos ao longo do dia pelo paciente. Usualmente, evitamos volumes drenados superiores a 500 ml a cada cateterismo. Os cuidados higiênicos também são fundamentais e incluem a limpeza das mãos e da genitália antes da manipulação do cateter utilizado”, explica o médico.

Imagen: Divulgação Coloplast

Averbeck também orienta o uso de cateteres hidrofílicos ao invés dos convencionais. Segundo ele, os cateteres hidrofílicos têm um revestimento externo deslizante que diminui o atrito e, consequentemente, o risco de machucar a uretra durante o processo de esvaziamento da bexiga. O produto com embalagens prontas para o uso também facilita a técnica de introdução do cateter na bexiga, que reduz o risco de contaminação externa.

“A redução do risco de complicações, como infecção urinária e lesões da uretra, é importante para a manutenção da qualidade de vida de pessoas que realizam o cateterismo intermitente. Isto se torna fundamental em atletas de alto rendimento, uma vez que a ocorrência de complicações pode limitar o desempenho dos atletas em competições”, completa Averbeck.

Na perspectiva do médico, entre lesados medulares os cateteres hidrofílicos são importantes tanto para atletas de alto-rendimento como para quem não está inserido no esporte. No caso dos indivíduos que não podem praticar atividade física em função de limitações de movimentos ou dor crônica, Averbeck ressalta que a utilização de cateteres hidrofílicos pode facilitar o procedimento e é de particular importância em pessoas com redução da força muscular nos membros superiores ou com diminuição da habilidade manual.

O urologista acredita que muitos atletas ainda não têm acesso às mais recentes tecnologias para evitar problemas relacionados ao cateterismo e que uma melhor conscientização sobre as estratégias preventivas seria bem-vinda. Para Averbeck os atletas paralímpicos são uma inspiração para a sociedade. Até recentemente, poucos estudos tinham avaliado a ocorrência de complicações relacionadas ao cateterismo vesical intermitente entre atletas cadeirantes.

O braço brasileiro do estudo contou com apoio da Coloplast e também do Instituto Lado a Lado pela Vida, com o centro de pesquisa coordenador o IAMSPE (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo). A Unidade de Vídeo Urodinâmica do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, e o Serviço de Urologia do Hospital Moinhos de Vento, do Rio Grande do Sul, também colaboraram para a pesquisa.

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