O Instituto Cultural Semifusa, que atua há 12 anos em Ribeirão das Neves (MG), região metropolitana de Belo Horizonte, traça novos caminhos com a abertura de sua sede. O espaço nasce com o conceito de negócios sociais, projetos de impacto e economia criativa, fruição artística, cultural e desenvolvimento local. A Casa Semifusa contará com estúdio musical, salas e estrutura para produção de podcast, audiovisual, formações, shows, espetáculos e cinema.

Dentre a Agenda 2030 dos objetivos de desenvolvimento sustentável, estipuladas pela ONU, o instituto visa contribuir com 6 metas, são elas: Paz, justiça e instituições eficazes; saúde e bem-estar; educação de qualidade; igualdade de gênero; trabalho decente e crescimento econômico e redução das desigualdades.

O espaço oferecerá gratuitamente cursos de moda, capoeira, produção de clipes, dança contemporânea, produção de beat, empreendedorismo cultural e teatro neste primeiro momento. Porém, está disposto a estabelecer parcerias e ampliar este leque de cursos. Segundo a Diretora Administrativa do Coletivo Semifusa, Raquel Freitas, “A Casa Semifusa é fruto de trabalho de longos anos e de várias mãos. Sonhamos, nos organizamos e hoje podemos comemorar essa conquista. Esta conquista impacta na cidade, pois é um espaço artístico, cultural e formativo que contribuirá para promoção de melhor qualidade de vida para nós, nevenses”, ressalta.

A inauguração será no sábado, dia 22 de janeiro, a partir das 12h. O endereço é Rua Cataguases 73, Sevilha B – Ribeirão das Neves. A festa de abertura terá Feira de Economia Solidária, Flash Tattoo, Comida Mineira, apresentações culturais com o artista Pedro Ezos, Naval Que Chama e Helô Dias. Raquel complementa: “Este será um momento de celebração e queremos reunir todos os parceiros, amigos e sociedade para mostrar a casa e comemorar”, reitera. Uso obrigatório de máscaras!

 

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Instituto Cultural Semifusa

O Instituto Cultural Semifusa é uma organização sem fins lucrativos que visa democratizar o acesso aos bens culturais, reforçando o sentimento de pertencimento à Ribeirão das Neves. Formado por moradores da periferia da cidade, o grupo realiza eventos culturais, além do levantamento e pesquisas a respeito de bens e manifestações já existentes na cidade. O Coletivo surgiu em 2009, quando um grupo de músicos, incomodados com as pautas negativas que eram atribuídas a Ribeirão das Neves e o estigma de se tratar de uma “cidade dormitório”, se reuniu para mobilizar a cidade e conseguir pautas positivas nos meios de comunicação. Na época, o imaginário popular era de que o município não possuía uma produção cultural nem opções de lazer disponíveis para seus habitantes. Um ano após sua criação, o Coletivo passou a integrar a Rede Fora do Eixo de Coletivos, e participava da teia de grupos que se conectavam em todo o país.

Dentro deste conceito de enfatizar os pontos positivos da cidade, o Semifusa criou uma série de eventos com a perspectiva de dar oportunidade aos artistas locais para se apresentarem. Foi assim que surgiram vários projetos ao longo de mais de uma década da iniciativa e que ocorrem periodicamente na cidade: Festival Pá na Pedra, Festival Neves Encena, Sarau no Ribeirão, Encontro de Compositores, Feira das Artes, Seminário Metropolitano de Estudos sobre a Periferia e Grito Rock, todos pautados pela discussão sobre pertencimento e a perspectiva cultural da cidade.

Além dos eventos, em 2012 foi criada a campanha “O que você sabe sobre Neves?”. O projeto começou com o intuito de questionar os moradores sobre o que eles realmente sabiam sobre a cidade, baseado na campanha “Y tu, ¿que sabes de Bogotá?” realizada na cidade colombiana. Para além dos questionamentos, era preciso dar visibilidade a pontos positivos da cidade. Desde então, o Coletivo realiza diversos trabalhos baseados em personagens importantes da cidade e elementos que ressaltam a imagem de Ribeirão das Neves de maneira positiva, seja por vídeos divulgados em redes sociais, visitas guiadas, etc.

Entre os exemplos trabalhados na campanha estão personagens pessoas de destaque nascidas na cidade, como Henfil, Piazza e o campeão de slackline Alisson Ferreira; a gastronomia rica da cidade; e bens naturais e culturais como a casa de cabeça pra baixo, a reserva natural da lajinha, a Irmandade Nossa Senhora do Rosário, entre outros.

Inaugurar uma sede própria com espaço para a comunidade é um grande passo para o Instituto e para a cidade de Ribeirão das Neves.