Quando qualquer árvore morre, seja por decomposição ou por queima, ela emite carbono (Vinícius Mendonça/Ibama)

 

A devastação ambiental na Amazônia, provocada pelo desmatamento é tão crítica, que oito entre os dez municípios brasileiros que mais emitem gases do efeito estufa estão na Amazônia. Cinco deles, no Pará.

Altamira (PA) lidera o ranking das emissões entre os 5.570 municípios brasileiros, seguida por São Félix do Xingu (PA). Depois, em terceiro, está Porto Velho (RO); em quarto, Lábrea (AM) e em quinto, São Paulo (SP). Na sequência, Pacajá (PA); Novo Progresso (PA), Rio de Janeiro (RJ), Colniza (MT); Apuí (AM) e Novo Repartimento (PA), em décimo lugar. A região Norte responde assim, a 60% de todo o carbono liberado no país.

Os dados foram divulgados pelo Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), referentes ao ano de 2019. Eles indicam que se Altamira fosse um país, estaria no 108º lugar no ranking mundial em emissões de gases de efeito estufa, atrás da Suécia e da Noruega, como aponta o G1. Levando em consideração dados de extensão do território e população, a situação é desoladora. A Suécia tem 10,3 milhões de habitantes e um território de 528.447 km², enquanto a Noruega, 5,379 milhões de pessoas, com área de 385.207 km². Já Altamira, tem uma população de 115.969 habitantes, segundo dados do IBGE de 2017. O território tem mais de 159.533 km².

Segundo o SEEG, entre as 35,2 milhões toneladas de CO2e (dióxido de carbono equivalente, unidade de medida que reúne todos gases, do carbônico ao metano) emitidas por Altamira, 33,4 milhões estavam relacionadas com o desmatamento. No ano do levantamento, por exemplo, a cidade liderou desmatamento da Amazônia, com 575 km² de floresta perdidos, e também vice-líder em queimadas, com 3,8 mil focos de calor detectados, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A estimativa por município feita pelo SEEG, projeto do Observatório do Clima, organização com mais de 70 representantes da sociedade civil, é gerada segundo as diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) com base nos Inventários Brasileiros de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases do Efeito Estufa, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI).

O levantamento foi lançado nesta segunda-feira (13), ocasião em que o coordenador do SEEG, Tasso Azevedo, explicou como o desmatamento está conectado à liberação de carbono. Segundo ele, quando uma árvore morre, seja por decomposição ou por queima, ela emite carbono. “Se a floresta tem 200 toneladas de carbono vivas, e essas 200 toneladas vão oxidando depois do desmate, o carbono vira CO2 e, se está em condições anaeróbicas (sem oxigênio), pode até virar metano”, explica Tasso Azevedo, coordenador do SEEG.

Para os dados do SEEG, a unidade de medida é a tonelada de CO2, mas a floresta derrubada também emite outros gases: o metano (CH4), que equivale a 25 toneladas de CO2; e o óxido nitroso (N2O), que equivale a 270 toneladas.