A defesa alega que Maria era tratada como “parte da família”, frequentando eventos sociais e viagens. No entanto, a vítima era mantida em condições desumanas, trabalhando exaustivamente sem receber pagamento e sem liberdade de ir e vir

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Praticamente cega e quase nunca saindo de casa, Maria de Moura, de 87 anos, passou 72 anos de sua vida trabalhando sem remuneração para uma família em Vassouras, no interior do estado do Rio de Janeiro. Sua história de exploração veio à tona em março de 2022, quando o Ministério Público Federal (MPF) descobriu que ela estava sendo mantida em condições análogas à escravidão.

Nesta semana, a Justiça aceitou a denúncia do MPF contra Yonne Mattos Maia e seu filho André Luiz Mattos Maia Neumann, os antigos patrões de Maria. Eles são acusados de manter Maria em trabalho análogo à escravidão.

Aos 12 anos, Maria foi morar com a família de seus patrões, numa fazenda onde seu pai trabalhava. Controlada em suas visitas à própria família e privada de seu celular, Maria viveu décadas sem liberdade e sem remuneração por seu trabalho. O Ministério Público do Trabalho (MPT) a resgatou após uma denúncia anônima, encontrando-a em estado debilitado e sem plano de saúde.

A denúncia revela ainda que, no momento da inspeção, o cartão do INSS de Maria estava em posse de André, que admitiu ter sua senha. Embora Maria tenha uma aposentadoria como autônoma, graças ao apoio de sua irmã, André estava se apropriando indevidamente de seus recursos.

A defesa alega que Maria era tratada como “parte da família”, frequentando eventos sociais e viagens. No entanto, a promessa de uma vida melhor nunca se concretizou. Maria era mantida em condições desumanas, trabalhando exaustivamente sem receber pagamento e sem liberdade de ir e vir.

Atualmente, ela recebe um salário mínimo da família Mattos Maia por decisão judicial enquanto aguarda o desenrolar do processo. A defesa dos acusados insiste que Maria seja ouvida no julgamento, mas seu estado de saúde, marcado por sinais de demência, complica esse pedido.