Por Débora Anunciação

Na esteira das indicações ao Oscar 2024, que acontece neste domingo (10), às 20h, estão produções que evidenciam a ótica feminina e dispensam o recurso já desgastado de relegar as personagens à órbita masculina. A discussão ganha novos contornos na semana em que se celebra o Dia da Mulher (8 de março).

Por muito tempo, as atrizes precisavam se contentar com papéis que, quase sempre, estavam interligados ao protagonista masculino, seja como uma mocinha a ser salva, uma vilã a ser combatida ou um interesse amoroso a ser conquistado. De lá para cá, o cenário tem mudado nas telonas e, cada vez mais, personagens femininas encabeçam os próprios conflitos e protagonizam enredos premiados. 

Foto: Divulgação

Os concorrentes às estatuetas de Melhor Filme em 2024 exemplificam bem a questão: enquanto em “Pobres Criaturas” (2023) a protagonista descobre sua autonomia em uma jornada de autodescoberta da própria potência feminina; “Barbie” (2023) desafia estereótipos e padrões sexistas; e “Anatomia de uma Queda” (2023) propõe um olhar sensível e humanista sobre angústias muitas vezes protagonizadas por mulheres no seio familiar.

Outras categorias da premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas também são protagonizadas por elas.

Indicado nas categorias de Melhor Atriz (Annette Bening) e Melhor Atriz Coadjuvante (Jodie Foster), “Nyad” (2023) discute o envelhecimento feminino. A história é sobre a vida da nadadora Diana Nyad – aos 64 anos ela se tornou a primeira pessoa a nadar os 177 km de Cuba até a Flórida, sem o uso de uma gaiola protetora.

Também indicada a Melhor Atriz Coadjuvante (Danielle Brooks), “A Cor Púrpura” (2023) explora a irmandade entre mulheres negras e suas potencialidades. Já “As 4 Filhas de Olfa” (2023), que concorre à categoria de Melhor Documentário, aborda a dor de uma mãe tunisiana frente ao desaparecimento de duas de suas filhas.

 

Foto: Divulgação/ Netflix

Em “Segredos de um Escândalo” (2023), que concorre à estatueta de Melhor Roteiro Original, Natalie Portman e Julianne Moore dividem não só as cenas, como também o fardo de representar um tema indigesto. 

Ao colocar a mulher no centro da narrativa, as tramas jogam luz sobre questões como o empoderamento feminino e as violências a que as mulheres estão expostas. Questões essas que, premiadas ou não, devem reverberar ao longo do ano.

Texto produzido em cobertura colaborativa da Cine NINJA – Especial Oscar 2024