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Por Rebecca Lorenzetti para Mídia NINJA

Na primeira semana da COP 28, realizada em Dubai, importantes avanços e desafios foram destacados por especialistas e representantes de diversos países. Romain Ioualalen, da Oil Change International, resumiu a semana, enfatizando dois pontos cruciais nas negociações.

No primeiro dia, a adoção do fundo de perdas e danos marcou um grande passo, visando auxiliar países afetados por mudanças climáticas irreversíveis. Ioualalen destacou a relevância desse fundo, aguardado por nações em desenvolvimento há décadas. Além disso, ele observou o apoio crescente de mais de 100 países à eliminação gradual dos combustíveis fósseis, indicando um movimento global em direção a fontes de energia mais sustentáveis.

Gillian Hamilton, representante da África do Sul, expressou sua preocupação com a disparidade nas preocupações climáticas, salientando que países africanos, não sendo os maiores poluidores, estão mais comprometidos com a emergência climática. Ela contrastou isso com nações como Arábia Saudita, China e Estados Unidos, que discutem questões econômicas de forma menos urgente.

Alejandra López Carbajal, Diretora de Diplomacia Climática da Transforma, México, destacou um avanço positivo: a aprovação do fundo de perdas e danos. Ela enfatizou a vulnerabilidade da América Latina às mudanças climáticas e celebrou a alocação de aproximadamente 600 milhões de dólares para o fundo nos primeiros dias da COP 28.

A delegação brasileira também teve participação ativa, propondo alterações significativas ao texto em discussão. Dentre elas, destaca-se a remoção da menção a 2°C, focando exclusivamente em limitar o aquecimento global a 1,5°C. Além disso, o Brasil defendeu a inclusão da igualdade racial e o apoio à proposta da Noruega sobre os direitos das crianças.

A pressão por ações mais urgentes para enfrentar a crise climática foi reforçada, principalmente diante da constatação de que os países estão falhando em reduzir emissões na velocidade necessária. O Balanço Global, avaliação coletiva das políticas climáticas, está evidenciando essa lacuna, exigindo que cada país retorne em 2025 com novos planos e metas.

A presença massiva de lobistas da indústria de combustíveis fósseis na COP, 2.456 ao todo, foi criticada, destacando a desconexão entre seus interesses e os objetivos climáticos. Em contraste, as delegações dos 10 países mais vulneráveis somaram 1.509 membros.

Mulheres indígenas, incluindo a ministra Sonia Guajajara e a presidente da Funai, Joenia Wapichana, realizaram um ato simbólico, destacando a importância dos povos tradicionais na discussão ambiental. Elas buscam estabelecer a Bancada do Planeta, unindo membros do Congresso para tratar de questões ambientais e indígenas.

A COP 28 continua com expectativas e desafios, e as negociações climáticas se intensificarão na próxima semana, com ministros debatendo questões cruciais para o futuro do planeta.

No dia 5 de dezembro foi liberado um documento rascunho pelas Nações Unidas explicando o que se espera de deliberações após a primeira semana de discussões na conferência. Alguns líderes devem chegar a Dubai entre hoje e amanhã para participar das negociações na próxima semana.

O documento de rascunho oficial pode ser acessado aqui.