Nos últimos quatro dias, pelo menos quatro casos de violência política por parte de apoiadores de Bolsonaro foram registrados no país

Caso de violência política em Areia Branca, no Rio Grande do Norte. Foto: Reprodução/Revista Fórum

A 10 dias do primeiro turno das eleições, a escalada de violência política segue assustando durante a campanha eleitoral. Entre domingo (18) e quarta-feira (21), um idoso foi agredido em Areia Branca (RN) por ser apoiador de Lula, pesquisador do DataFolha foi agredido com socos e chutes por apoiador de Bolsonaro no interior de São Paulo, um prédio com a bandeira de Lula foi alvejado com tiros em Recife e um vereador do PT de Porto Alegre recebeu ameaças por mais um bolsonarista durante uma panfletagem na rua.

“Não é uma eleição comum. É democracia contra barbárie”, escreveu Rafael Parente, candidato ao Governo do Distrito Federal pelo PSB.

Representantes e lideranças da Coligação Brasil da Esperança – formada pelos partidos PT, PV, PCdoB, PSOL, REDE, PSB, Solidariedade, Avante, Agir e Pros – se reunirão nesta quinta-feira (22) com o ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para tratar sobre a segurança da reta da campanha eleitoral e do primeiro turno das Eleições 2022.

A violência política no Brasil resultou em um comunicado inédito na história da recente democracia brasileira. Oito relatores da ONU (Organização das Nações Unidas) se uniram para pedir às autoridades, candidatos e partidos políticos no Brasil a garantia que as próximas eleições sejam “pacíficas e que a violência relacionada com as eleições seja prevenida”.

Sem citar o nome do presidente Jair Bolsonaro, os especialistas expressaram ainda suas preocupações com a “campanha difamatória em curso e com os contínuos ataques contra as instituições democráticas, o Poder Judiciário e o sistema eleitoral no Brasil, incluindo o sistema eleitoral eletrônico”.

Crescentes ameaças

Na terça-feira (20), um pesquisador do instituto Datafolha foi agredido com chutes e socos por um apoiador de Bolsonaro, em Ariranha, no interior paulista.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, as agressões só pararam com a intervenção de vizinhos. Em função dos ferimentos, o pesquisador recebeu atendimento num pronto-socorro da cidade e foi liberado. Ele registrou um boletim de ocorrência na delegacia da cidade contra o agressor Rafael Biachini e o fillho.

O PT Paulista manifestou solidariedade ao profissional agredido. “É preciso conter a escalada de ódio e intolerância. O país precisa de paz!”

O candidato a deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP), que foi ameaçado por um homem armado no último dia 9, declarou ser inaceitável este tipo de violência. “Eles querem acabar com as réguas do país para esconder a distância entre Lula e o miliciano!”, disse.

Agressor em Porto Alegre
O policial civil e vereador Leonel Radde (PT-RS), candidato a deputado estadual, denunciou através das redes sociais, nesta quarta-feira (21), que um bolsonarista tentou agredi-lo durante uma panfletagem na região central de Porto Alegre. O homem ofendeu o candidato e tentou atingi-lo com uma cabeçada.

Segundo o vereador, o mesmo bolsonarista, pouco tempo antes, havia tentado agredir mulheres que faziam campanha para o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) em outro espaço na região central da capital gaúcha.

Rio Grande do Norte

Na noite do último domingo (28), após atos de apoio a Jair Bolsonaro (PL) e a Lula (PT) na cidade de Areia Branca, em Rio Grande do Norte, um idoso apoiador do petista foi espancado por um simpatizante do atual presidente.

Imagens da câmara de segurança de um bar, obtidos pela Revista Fórum, mostram o momento da agressão. O agressor, vestindo uma camiseta amarela e bandana temática do Brasil, parte para cima do idoso com socos na parte de fora de um bar, o arrasta para dentro do estabelecimento e prossegue desferindo golpes contra a vítima já caída no chão.

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