Recessão provocada pelo coronavírus reduz em um milhão de toneladas por dia as emissões de CO2.

A pandemia do coronavírus é uma tragédia sanitária planetária. Não se pode dizer que ela, em si, seja inédita, porque, em outros tempos, esse mundo também já esteve muito doente. Mas a grande capacidade de disseminação e de contágio do novo vírus, em um mundo com uma população de mais de 7,7 bilhões de pessoas, internético e economicamente entrelaçado, produziu uma situação de caos sanitário, ameaça coletiva letal e paranoia geral sem precedentes históricos.

O fato da epidemia ter começado na China e ter se espalhado, em poucas semanas, pelo resto da Ásia, Europa e Estados Unidos, afetando, simultaneamente, as principais economias do mundo, sem que ainda se disponha de vacinas e de drogas específicas de cura, obrigou o maior isolamento possível entre países, comunidades e pessoas, tornando inevitável a redução ou paralisação das atividades econômicas.

Isto ocorre no momento histórico em que as emissões globais de gases do efeito estufa vinham batendo sucessivos recordes, provocando o aumento contínuo da temperatura média do planeta, o degelo, o aumento do nível dos oceanos, da intensidade das catástrofes naturais, causando danos ambientais, econômicos e humanitários crescentes, colocando em risco as próprias condições de vida no planeta.

Com a brusca e inevitável redução das atividades econômicas provocada pela pandemia, os especialistas da Agência Internacional de Energia (AIE) estimam que mais de um milhão de toneladas de CO2 estão deixando de ser emitidas na atmosfera terrestre a cada dia[1].

Persistindo a economia mundial em câmera lenta até o final deste ano, quando se espera que a pandemia já esteja controlada, assistiremos à maior redução de emissões já havida na história contemporânea, superando os efeitos positivos para o clima mundial da redução do desmatamento na Amazônia brasileira entre 2004 e 2012.

Há muitos anos não se via a atmosfera tão limpa na cidade de Pequim, na China. Céu azul, contrastando com as nuvens cinzentas de poluição industrial que há poucas meses dominavam o ambiente. Antes, as pessoas eram obrigadas a usar máscaras para se protegerem da fumaça. Agora, as máscaras protegem do coronavírus.

E há outros indicadores desse paradoxo sanitário-ambiental. O poluidor se encolhe, a natureza avança na medida do possível.

Essa situação paradoxal é muito constrangedora para qualquer ser humano: parece que o mundo fica melhor sem nós. Mas também nos oferece aquela que pode ser a maior de todas as lições: se nós todos quisermos – mesmo – poderemos, juntos, reverter a crise sanitária e a crise climática, fazendo, deste, o melhor dos mundos!

[1] https://www.publico.pt/2020/03/16/ciencia/noticia/coronavirus-menos-milhao-toneladas-co2-dia-1907964

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