Imagem via Getty/Amanda Edwards

Sabe aquelas pessoas que quando você assiste na TV, já mostra que veio com tudo. Esta pessoa pra mim é Issa Rae, a mulher é roteirista, atriz, diretora, produtora e muito talentosa em tudo isso que ela faz. Para se ter uma ideia, quando ela tinha 26 anos, em 2011, ela criou uma websérie “The Misadventures of Awkward Black Girl”. Essa série depois virou um livro que se tornou best seller no mesmo ano. A série também foi adaptada pra TV, com o título Insecure. Issa foi atriz principal, co-escritora e produtora executiva da série na HBO.  Isso mesmo, de uma websérie feita na marra e com pouco para uma produção para uma gigante da TV. Sem contar os prêmios que a Issa já recebeu da Forbes, Glamour, e os outros trabalhos como atriz e produtora. Ah, ela também criou um canal no Youtube para apoiar futuras escritoras.

Eu como boa fã da série Insecure da HBO que sou, não poderia deixar de comentar, esta série é incrível – inclusive assistam. É uma das séries mais divertidas, instigantes sobre a vida de uma mulher preta no seu retorno de saturno e cheia de dilemas. Temas como: carreira, amores, amizades, relações familiares, gentrificação. Ela é densa, leve, divertida e o melhor: real. Eu me vi muitas vezes na Issa em Insecure. Depois eu faço um texto só pra falar de Insecure, prometo. 

Enfim,  li uma frase há pouco tempo que disseram ser da Issa, mas não pude confirmar, ela ficou ecoando na minha cabeça. 

“Se você não ver o que você quer, seja o que você quer ver.” 

Isto me fez refletir sobre o quanto tô tentando ser o que eu quero ver na tecnologia e na vida. Não diz de tentar carregar o mundo nas costas, ou tentar mudar o mundo inteiro, é pra tentar ver a diferença no seu mundo mesmo, nas pessoas que estão ao redor, sei lá sua família, seus amigos, seus amores. Uma mudança nesse mundo que é cada pessoa, já muito do que eu quero ver. 

Issa traz uma coisa, nas suas falas e no seu trabalho, que de alguma forma são coisas que me movem também, aquela coisa de se desafiar, e tentar sempre fazer melhor do que antes, é bem aquela coisa da meta mesmo sabe, quando a gente chega na meta dobramos ela. E isso tem um gostinho ainda melhor quando duvidam do que sou capaz, longe de romantizar as dificuldades, só estou dizendo que pra mim, tem um gosto a mais nisso tudo. É obvio que se for pra ser com facilidade o gosto é melhor ainda, mas no desafio a gente vai também. 

A Issa que existe em mim, me fez aceitar ser líder técnica de uma equipe com um desafio imenso de migrar até aplicativo para novos produtos. Ela me fez aprender a nadar adulta e fazer uma prova de natação em águas abertas. Ela me fez mentorar várias mulheres na tecnologia, mesmo sem eu saber exatamente o que seria isso, ou como eu, lá do interior de minas, que foi fazer computação no Tocantins, poderia ensinar algo pra alguém. Logo eu que migrei de área dentro da minha carreira mesmo, trabalhei tanto tempo com redes e infraestrutura, descobri uma paixão enorme por engenharia de software e fui fundo nisso. E assim, ela me fez aceitar escrever sobre essas experiências, e a entender que de alguma forma alguém ai fora, iria gostar de me ler. 

E aqui vou eu, mais uma vez desbravando esse mundo que há em mim, tentando tocar o mundo imenso que é quem vai me ler. É muito louco se perceber, se conhecer e se sentir. Vocês vão ver que eu vou falar, de navegar na complexidade até porque nadar e pedalar é melhor que correr. Compartilhar os episódios mais inusitados, prováveis e improváveis, da vida de uma deva (desenvolvedora) doida pra abrir ainda mais espaço num lugar onde já sei que tem espaço pra todas as pessoas que é na tecnologia. 

A Issa Rae que existe em mim, manda salve pra que existe em você, e vamos juntinhas.

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